Resposta ao presidente do Montepio e quem mente
por Eugénio Rosa
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I- A EVOLUÇÃO DO CREDITO CONCEDIDO SEM GARANTIAS PELA CAIXA ECONÓMICA NO PERÍODO 2010/2013 Cópias das páginas dos relatórios e contas da Caixa Económica- Montepio
NOTA: EXPLICATIVA: Em 2010, ano anterior à aquisição do FINIBANCO, o credito sem garantias era de 976,698 milhões de euros.
NOTA: EXPLICATIVA: Em 2011, ano em que foi adquirido o FINIBANCO, o crédito sem garantias aumentou para 1.625,4 milhões. Como no fim de 2010, o credito sem garantias atingia 976,6 milhões €, portanto, no ano de aquisição do FINIBANCO o credito sem garantias aumentou 66,4%
NOTA: EXPLICATIVA: O credito sem garantias continuou a aumentar atingindo, no fim de 2013, 1.994,5 milhões €.
NOTA EXPLICATIVA: Para que o associado interprete corretamente os dados anteriores é preciso que saiba que IMPARIDADES são perdas (prejuízos) prováveis, mas com elevada probabilidade (fundamentada) de acontecer, em crédito concedido que depois não é pago pelo cliente. De acordo com os dados do relatório e contas das Caixa Económica de 2012, as imparidades relativas a crédito sem garantias atingiam, em 2012, 267,3 milhões €, ou seja 28,9% das imparidades totais, enquanto o crédito sem garantias representava apenas 8,9% do crédito total concedido pela Caixa Económica (16.625 milhões € - pág. 111 do Relatório e Contas de 2012). É evidente que o crédito sem garantias é um crédito de elevado risco. É por isso que mencionamos este crédito e a necessidade de existir uma gestão mais profissional face aos dados anteriores, o que “irrita” o presidente do Montepio.
II- IMPARIDADES SUPORTADAS PELA CAIXA ECONÓMICA NO PERÍODO
2010-2014
Constam da Demonstração de Resultados de cada ano
NOTA EXPLICATIVA: Em 2010, antes da aquisição do FINIBANCO os custos operacionais atingiram 247,8 milhões € como mostram os dados da demonstração de resultados desse ano
NOTA EXPLICATIVA: Entre 2010 e 2011 (ano de aquisição do FINIBANCO), os custos operacionais (custos de pessoal, gastos gerais administrativos) aumentaram de 247,8 milhões € para 369 milhões € (+ 48,9%), e os resultados operacionais diminuíram de 49,4 milhões € para 31,6 milhões € ( - 36%)
NOTA EXPLICATIVA: Os custos operacionais registados em 2012 e 2013 , respetivamente 360 milhões € e 340 milhões€, continuam a ser muito mais elevados que os verificados em 2010, ano anterior à aquisição do FINIBANCO (247,8 milhões €) e os resultados operacionais negativos (prejuízos) dispararam: em 2012, para -167,7 milhões € , em 2013, para -372,4 milhões €
NOTA EXPLICATIVA: No 1º semestre de 2014, as Provisões e IMPARIDADES liquidas atingiram 292,5 milhões €, ou seja, um valor 2,3 vezes superior ao verificado em idêntico período de 2013, que foi 127,4 milhões €. Isto significa que apesar dos resultados de operações financeiras (mais valias obtidas) terem sido de 275 milhões € no 1º semestre de 2014, esta mais-valia foi, na pratica, já “anulada” pelo aumento de custos resultantes das “provisões e imparidades liquidas” registadas no 1º semestre de 2014. E muitas daquelas imparidades e provisões resultam de perdas com elevada probabilidade de acontecer verificadas no crédito concedido. É por isto que defendemos que é necessário, nesta área, uma gestão mais profissional o que também irrita o presidente do Montepio. O presidente do Montepio disse na TVI que imparidades são reservas ocultas, confundindo, desta forma, perdas com elevada probabilidade de se verificarem com lucros escondidos talvez devido à sua falta de formação de base financeira..
III- AUMENTO DO CAPITAL SOCIAL DA CAIXA ECONÓMICA PELA
ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA COM O DINHEIRO QUE OS ASSOCIADOS ENTREGARAM
À ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA
NOTA EXPLICATIVA: Em 2010, portanto antes da aquisição do FINIBANCO, a Associação Mutualista tinha investido no Capital da Caixa Económica 800 milhões €
NOTA EXPLICATIVA: Em primeiro lugar, para se poder compreender a OPERAÇÃO FINIBANCO, é necessário explicar como ela foi feita. A Caixa Económica não tinha meios financeiros para lançar a OPA de aquisição do grupo FINIBANCO e para satisfazer aos rácios de capital exigidos pelo Banco de Portugal. Por isso a OPA foi lançada pela Associação Mutualista. E depois a Associação Mutualista, com dinheiro dos associados, aumentou o Capital da Caixa Económica para 1.245 milhões €, ou seja, em mais 425 milhões €, pois no fim de 2010 o Capital da Caixa Económica era, como vimos , de apenas 800 milhões €. Seguidamente a Caixa Económica assim recapitalizada adquiriu à Associação Mutualista o grupo FINIBANCO. E isto foi feito com a aprovação (voto favorável) da maioria do Conselho Geral da Associação Mutualista (eu votei contra) , numa reunião de entre 3-4 horas, em que não foi apresentado qualquer estudo prévio de avaliação dos aspetos positivos e negativos da aquisição, e tendo o presidente do conselho da administração feito uma intervenção verbal. E por um valor superior ao que constava da contabilidade do FINIBANCO com a justificação da existência de um GOODWILL, ou seja, um “ativo intangível incorpóreo” (por ex. a marca) não tendo sido apresentado qualquer estudo que justificasse a existência desse goodwill e levasse a Associação Mutualista a pagar um valor superior ao contabilístico. A Caixa Económica recapitalizada pela Associação Mutualista adquiriu depois a esta o grupo FINIBANCO. Em resumo, para que a Caixa Económica pudesse adquirir o grupo FINIBANCO, a Associação Mutualista teve de recapitalizar a Caixa Económica, com dinheiro dos associados, em mais 425 milhões €, tendo passado o Capital da Caixa Económica financiado pela Associação Mutualista de 800 milhões € para 1.245 milhões
NOTA EXPLICATIVA: No fim de 2011, o Capital da Caixa Económica financiado pela Associação Mutualista era, como vimos, de 1.245 milhões . Devido aos elevados prejuízos que a Caixa Económica teve em 2012 e 2013, referidos anteriormente, a Associação Mutualista viu-se obrigado, para que fossem respeitados os rácios de capital impostos pelo Banco de Portugal, a aumentar o Capital da Caixa Económica de 1.245 milhões (valor do capital em 2011) para 1.500 milhões (valor do Capital em 2013), ou seja, em mais 255 milhões . Em resumo, entre 2010 e 2013, como consequência da aquisição do grupo FINIBANCO e de prejuízos acumulados nos anos 2012 e 2013, a Associação Mutualista viu-se obrigada a recapitalizar a Caixa Económica em 700 milhões , pois o seu Capital financiado pela Associação Mutualista, aumentou, neste período, de 800 milhões € para 1.500 milhões (os 1.700 milhões que constam do quadro anterior incluem 200 milhões que não foram financiados pela Associação Mutualista, mas sim da compra feita por muitos associados de unidades de participações, muitos deles utilizando depósitos a prazo, resultantes de poupanças que tinham na Caixa Económica, com a promessa de rentabilidades compensadoras. Mas o seu valor na bolsa é inferior aos 200 milhões .
Aqui estão os dados que utilizei na minha "Informação
aos associados do Montepio", e onde fui busca-los: Relatórios e
Contas da Caixa Económica, portanto públicos, a que tem acesso
qualquer associado ou outra pessoa (estão obrigatoriamente
disponíveis no site do Montepio), Estas são as razões porque
digo que se cometeram erros de gestão com custos (prejuízos) elevados para o
Montepio, e que é preciso que não se repitam no futuro.
Para isso é necessário um grande acompanhamento e fiscalização dos atos do
conselho de administração por parte dos associados. Agora os associados e os
portugueses que tirem as suas próprias conclusões : Quem fala verdade: eu ou
presidente do Montepio? Quem mente: eu ou o presidente do Montepio? Se quiserem
mandar a v/ opinião podem enviar para
eugeniorosa@zonmail.pt
pois terei muito gosto em recebê-la e refletir sobre ela.
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