Informação (1/2013) aos associados do Montepio sobre a
transformação do conselho geral em assembleia geral da Caixa
Económica Montepio Geral
De Eugénio Rosa, membro do conselho geral da Associação
Mutualista e da assembleia geral e do conselho geral e de supervisão da
Caixa Económica Montepio Geral
Os eleitos pela Lista C,
Eugénio Rosa, José Venâncio e Maria do Carmo Tavares,
votaram NÃO à lista para os órgãos sociais da Caixa Económica
proposta pelo conselho de administração.
As razões dessa posição ficam claras pela leitura
desta Informação aos associados.
Respeitar um compromisso tomado durante a campanha eleitoral
Nas últimas eleições dos órgãos sociais do
Montepio, realizadas em 7 de Dezembro de 2012, prometemos aos associados, no
caso de sermos eleitos, manteríamos um contacto permanente com eles, e
não apenas durante o acto eleitoral, fornecendo uma
informação independente da dada pelo conselho de
administração contribuindo assim para terem um conhecimento mais
verdadeiro do funcionamento de Montepio Geral, para assim poderem participar de
uma forma mais informada na vida da Associação Mutualista, e
defenderem melhor os seus direitos e interesses. Como estamos impedidos de o
fazer através do boletim ou da newsletter do Montepio, esta é a
1ª informação para cumprir esse compromisso assumido com os
associados.
Um conselho geral que, por imposição da maioria afecta ao
presidente, se transformou, sem ser com base em norma legal ou
estatutária, na assembleia geral da Caixa Económica do Montepio
constituída apenas por 23 membros em substituição da
assembleia geral de todos os associados
As últimas eleições foram realizadas com base nos
estatutos anteriores da Caixa Económica Montepio Geral pois os
estatutos aprovados na assembleia geral do Coliseu ainda não tinham sido
publicados. Por essa razão, os associados elegeram um conselho de
administração, um conselho geral e um conselho fiscal. Não
existe na lei qualquer norma, e também nos velhos e nos novos estatutos
não existe qualquer cláusula transitória que permita
transformar o conselho geral que foi eleito pelos associados com base nos
anteriores estatutos em assembleia geral da Caixa Económica prevista nos
novos estatutos. No entanto, a maioria afecta ao dr. Tomás Correia,
apoiando-se apenas na força do número pois, apesar de termos
solicitado ao presidente que apresentasse o fundamento legal ou
estatutário de tal "solução", ele foi incapaz de
o fazer, decidiram que o conselho geral se transformasse em assembleia geral da
Caixa Económica. Para não impossibilitar o funcionamento do
órgãos da Caixa Económica, o que poderia causar
perturbações numa instituição de crédito,
eventualmente lesivas para os associados e clientes, os eleitos pela lista C
decidiram assinar o documento de renuncia ao conselho geral que foi pedido, e
assumir o lugar na assembleia geral, embora tivéssemos feito uma
declaração de voto, cujo texto se junta em anexo (a de
Eugénio Rosa) para conhecimento de todos os associados, em que
solicitamos que a legalidade de tal solução, imposta pelo
presidente do conselho geral, padre Vítor Melícias e pelo
conselho de administração, fosse analisada pelo
órgão de supervisão do Banco de Portugal para evitar, no
futuro, problemas para a C.E. por eventual não respeito da lei. No
entanto, a mesa da assembleia geral recusou-se a enviar tal
declaração ao Banco de Portugal.
Como foi convocada e como funcionou o conselho geral transformado em assembleia
geral da Caixa Economica pela maioria que está sempre de acordo com o
presidente do conselho de administração, Tomás Correia
Quinze dias antes da realização da assembleia geral da Caixa
Económica que foi convocada, pelo sr. padre Vítor
Melícias, para 19.2.2013, os membros do conselho geral receberam, para
além da convocatória da reunião, uma proposta com uma
lista de nomes para a mesa da assembleia geral (5), do conselho de
administração executivo (5) e para a Comissão de
remunerações (3) da Caixa Económica, apócrifa, pois
no fim tinha as palavras "Os Proponentes", mas os nomes destes
não constavam do documento. A lista para o conselho de
administração executivo da Caixa Económica era
constituída pelos seguintes nomes: António Tomás Correia,
João Carlos Neves, Jorge Barros Luís, Pedro Alves Ribeiro, e
Fernando Paulo Guimarães. E embora o artº 289 do Código das
Sociedades Comerciais obrigasse que fosse enviado por carta ou correio
electrónico "
os nomes das pessoas a propor, as qualificações profissionais, a
indicação das actividades profissionais exercidas nos
últimos cinco anos, designadamente ao que respeita a
funções exercidas noutras sociedades ou na própria
sociedade
" (alíneas a) e b) do nº3 do artº 289), o dr. Sameiro,
mesmo após pedido expresso feito por mim, recusou-se a enviar,
respondendo que só podia ter acesso a essa informação na
sede do Montepio, dificultando assim o acesso a informação
importante para a transparência da assembleia e violando, a meu ver, a
lei.
Durante a reunião do conselho geral transformado em assembleia geral,
depois de muita insistência fomos informados que a proposta enviada era
da autoria do conselho de administração e este, sem ter
apresentado qualquer justificação, tinha retirado o nome de
João Carlos Neves. Ficou-se também a saber que o dr. Tomás
Correia propunha-se a si próprio para presidente do conselho de
administração executivo da Caixa Económica e também
votou em si próprio na assembleia geral da Caixa Económica.
Com o objectivo de tornar mais transparente o trabalho da comissão de
remunerações, que trata de uma matéria muito
sensível para todos os associados, propusemos que ela não
tivesse apenas elementos propostos pelo conselho de
administração, tendo apresentado um nome, o do associado
António Fernando Machado, dirigente da Associação dos
Inquilinos Lisbonenses. No entanto, a maioria afecta ao presidente do conselho
de administração Tomás Correia, por proposta da dra.
Manuela Silva, eleita na lista do presidente, decidiu nem aceitar a
votação de tal proposta. Para finalizar, o sr. padre Vítor
Melícias impôs um tipo de votação que não
consta dos novos estatutos nem da lei. A votação dos
órgãos da Caixa Económica tinha de ser feita em bloco
(não por órgão) e tinha de ser obrigatoriamente SIM ou
NÃO. Quem não votasse desta forma teria o seu voto anulado, o que
efectivamente aconteceu. E isto apesar desta "solução"
ter provocado grade debate e não ter o consenso dos presentes.
Por tudo isto, os associados ficam assim a saber que tipo de democracia domina
esta assembleia geral da Caixa Económica, assim como da atitude da
maioria que está sempre de acordo com o presidente do conselho de
administração e que parece não estar interessada em
construir consensos e unidade que são fundamentais para a defesa do
grupo Montepio, da sua imagem junto da opinião pública, e dos
interesses e direitos de mais de meio milhão de associados.
A nível do conselho de administração, os novos estatutos
da Caixa Economica não representaram qualquer mais-valia, apenas
vão determinar aumento de despesas, e não reforçam a
independência e a segurança no funcionamento
Nas eleições realizadas em 7 de Dezembro de 2012, os associados
elegeram um conselho de administração constituído por
cinco membros, cuja remuneração média é, só
em dinheiro, de 28.500 /mês, o que custa aos associados do Montepio
Geral 2,03 milhões por ano. Desses cinco apenas um o
presidente, Tomás Correia vai para a Caixa Económica.
Quatro ficam na Associação Mutualista, o que nunca aconteceu no
passado em que era necessário apenas um administrador para a dirigir.
Para além disso, três novos administradores da Caixa
Económica são três antigos directores até aqui da
mesma Caixa, portanto subordinados do presidente do conselho de
administração, que agora sobem a administradores e naturalmente
vão receber como administradores. O outro administrador da Caixa
Económica é um antigo administrador de uma empresa de consultoria
de gestão que teve contratos de prestação de
serviços com a Caixa Económica. Em resumo, o novo modelo de
estatutos não determinou uma mais valia para a Caixa Económica
-Montepio Geral pois o conselho de administração executivo da
Caixa Económica é constituído por pessoas que já
estavam nela, vai determinar um acréscimo de despesa para o Montepio,
reduzindo ainda mais o rendimento transferido para a Associação
Mutualista, e causar a marginalização de quatro administradores,
que são empurrados para Associação Mutualista,
vários deles com muitos anos de experiência bancária. Para
além disso, a solução concreta não determina um
aumento da independência em relação ao presidente do
conselho de administração, Tomás Correia, pois este
continua a ser simultaneamente presidente da Associação
Mutualista e da Caixa Económica, e os restantes membros da
administração da Caixa Económica ou são antigos
subordinados (ex-diretores da Caixa Económica) ou um ex-administrador de
uma empresa que trabalhou para a Caixa Económica Montepio Geral.
As funções do novo conselho geral e de supervisão e o
compromisso tomado por Eugénio Rosa, eleito da lista C, que
passará a fazer parte dele
De acordo com os novos estatutos da Caixa Económica, Eugénio
Rosa, por ter sido cabeça da lista C, pertence também ao Conselho
Geral e de Supervisão do Montepio.
De acordo com o Código das Sociedades Comerciais (artº 441º )
e segundo os novos estatutos da Caixa Económica (artº 20º,
nº4º) este conselho tem poderes de fiscalização
efectiva dos actos praticados pelo conselho de administração e,
no caso de não fazer, incorre nas graves responsabilidades previstas no
nº2 do artº 81º da Lei 76-A/2006
("os membros de órgãos de fiscalização
respondem solidariamente com os gerentes ou administradores da sociedade por
actos ou omissões destes no desempenho dos respectivos cargos quando o
dano se não teria produzido se houvessem cumprido as suas
obrigações de fiscalização
")
No entanto, este conselho é dominado por elementos eleitos na lista A do
presidente do conselho de administração, Tomás Correia,
pois 9 dos 11 membros foram eleitos quase todos na lista A (4 membros do
conselho de administração, 2 elementos do conselho fiscal, o
presidente da mesa do conselho geral todos eleitos na lista A ocupam, por
inerência, lugares neste conselho, e a cabeça da lista A para o
conselho geral), portanto um contexto desigual que não pode ser esquecido
De acordo com o artº 441-A do Código das Sociedades Comerciais
"
os membros do conselho geral e de supervisão estão obrigados a
guardar segredo dos factos e informações de que tiveram
conhecimento em razão das suas funções
". É evidente que (Eugénio Rosa) vou cumprir esta
disposição legal até porque a considero importante numa
instituição financeira. No entanto, o que prometo aos associados
é que não terei nesse conselho um comportamento de "faz de
conta", que procurarei exercer uma verdadeira fiscalização
com o objectivo, não só de segurança pessoal, porque se o
não fizer incorro em graves responsabilidades, mas fundamentalmente para
defender os direitos e interesses de todos os associados, nomeadamente a
segurança e a rentabilidade das suas poupanças. E se em qualquer
momento me for recusado a informação que considero fundamental
para o exercício efectivo do cargo ou se tiver conhecimento de qualquer
acto que considere lesivo dos interesses da Caixa Económica, ou dos
interesses e direitos dos associados comunicarei imediatamente à
entidade de supervisão, que é o Banco de Portugal, como estou
obrigado nos termos do artº 116 F e do artº 116-G do Regime Geral das
Instituições de Crédito e Sociedades Financeira. Portanto,
exceptuando a informação a que terei acesso através do
conselho geral e de supervisão, relativamente à qual existe o
dever de sigilo, em relação a todas as outras
situações que considere importantes informarei os associados de
acordo com compromisso que tomamos durante as eleições.
A DECLARAÇÃO DE VOTO JUNTA AO DOCUMENTO DE RENUNCIA
DO CARGO DO CONSELHO GERAL APRESENTADA POR EUGÉNIO ROSA (José
Venâncio também apresentou uma declaração de voto
semelhante)
Embora assinando a renuncia ao cargo no conselho geral para o qual fui eleito
em 7 de Dezembro de 2012 para não provocar perturbações ao
funcionamento normal dos órgãos sociais da Caixa Económica
Montepio Geral, quero aqui deixar as minhas sérias duvidas sobre a
legalidade desta solução e também dela não estar de
acordo, a meu ver, com os princípios de transparência e de
respeito pelos associados que caracterizam o mutualismo.
E isto porque não existe que eu conheça, e não me foi
indicado, nem nos novos estatutos da Caixa Económica aprovados uma norma
transitória, nem na lei uma norma legal que contemple uma
solução desta natureza. Se não era intenção
dos promotores dos novos estatutos que os novos corpos gerentes fossem eleitos
após a entrada em vigor dos novos estatutos, nem esperar para que
terminasse os mandatos dos eleitos nas eleições de 7 de Dezembro
de 2012, então deviam ter introduzido nos novos estatutos uma norma
transitória que regulasse esta situação (a
assunção pelos eleitos em 7 de Dezembro de 2012 dos novos cargos
em simultâneo com a renuncia aos cargos do conselho geral da Caixa
Económica para onde tinham sido eleitos) ficando assim claro e
transparente para todos os associados qual era o âmbito das
eleições realizadas no dia 7 de Dezembro de 2012, as quais
também incluíam a eleição dos membros da assembleia
geral da Caixa Económica. O facto de me solicitarem que assine um
documento de renuncia reforça e confirma, a meu ver, a legalidade
duvidosa desta solução. Ao não incluir uma clausula
transitória desta natureza, e não existindo na lei qualquer norma
que resolva de uma forma clara esta situação, os associados
poderão considerar que se está perante uma solução
pouco transparente, de duvidosa legalidade, podendo mesmo sentirem-se
enganados, o que não se coaduna nem com os princípios
mutualistas, nem com a necessidade de preservar e defender os valores do
mutualismo, nem com a defesa da imagem da Associação Mutualista e
da C.E.
É por todas estas razões que considero que esta não
é a melhor solução para a afirmação dos
valores mutualistas e da imagem do Montepio, para o bom funcionamento da Caixa
Económica, e para respeitar os direitos dos associados, solicitando que
a legalidade desta solução seja analisada pela entidade de
supervisão (Banco de Portugal), mas responsabilizando desde já
pelas consequências que todo este processo poderá ter para a
Associação Mutualista e para a Caixa Económica aqueles que
forçaram essa solução, nomeadamente o presidente da mesa
da assembleia geral, e os membros do conselho de administração
Eugénio Rosa, Membro do Conselho Geral da Associação
Mutualista Montepio Geral e da assembleia geral e do conselho geral e
supervisão da Caixa Económica Montepio Geral, Lisboa, 22/2/2013
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