O "Pico da Aviação"
Combustível aeronáutico e cenários da futura
produção de petróleo
Um ponto alto para qualquer investigador é o momento em que recebe uma
carta a dizer que o artigo científico em que trabalhou durante muitos
meses foi aceite para publicação. Segunda-feira passada recebemos
esta mensagem do
Energy Policy
: "Tenho a satisfação de
confirmar que o seu documento revisto 'Aviation fuel and future oil production
scenarios' foi aceite para publicação no Energy Policy".
Um ano atrás Emma perguntou se tínhamos um projecto de tese
adequado sobre sistemas de energia que ela pudesse empreender. Sugerimos o
estudo do impacto do Pico Petrolífero sobre o futuro da
aviação. Naquele período preparávamo-nos para o
International Transport Forum
, em Leipzig e os
combustíveis para transportes
tinham um lugar alto na agenda. Em breve tornou-se aparente que
isto seria uma peça de trabalho interessante e à tese de Emma foi
dado o título "Aviation Fuels and Peak Oil". A tese despertou
grande atenção internacional e decidimos continuar a trabalhar e
reformatar a tese num artigo científico.
A Agência Internacional de Energia (IEA) acabava de lançar o World
Energy Outlook 2008 e a discussão acerca da reunião do clima em
Copenhagen em 2999 começava a intensificar-se. Decidimos trabalhar estes
prognósticos no documento e o resultado final tornou-se o "Aviation
fuel and future oil production scenarios".
Resumo:
A maior parte dos combustíveis de aviação são jet
fuels originados do petróleo bruto. O petróleo bruto deve ser
refinado para ser utilizável e o jet fuel é apenas um dos muitos
produtos que pode ser dele extraído. O jet fuel é extraído
da fracção do destilados médios e compete, por exemplo,
com a produção de diesel.
O petróleo bruto é um recurso natural limitado sujeito a
esgotamento e vários relatórios indicam que a
produção mundial de petróleo bruto está
próxima do nível máximo e que começará a
decrescer depois de atingir este máximo. Uma agenda política
pós Quioto para reduzir o consumo de petróleo terá sobre a
produção de combustível para aviação o mesmo
efeito de um declínio natural na produção de
petróleo bruto. Por outro lado, é previsto pela indústria
aeronáutica que o tráfego aéreo manter-se-á em
crescimento.
A indústria tem objectivos ambiciosos de aumentos na eficiência do
combustível para as frotas aeronáuticas. Ela prevê que o
tráfego cresça 5% ao ano até 2026 e que a procura de
combustível cresça cerca de 3% ao ano. Ao mesmo tempo
prevê-se que a produção de combustível de
aviação diminua vários pontos percentuais a cada ano
depois de o pico da produção de petróleo ser atingido,
resultando numa substancial escassez de jet fuel em 2036. A industria
aeronáutica terá uns tempos difíceis para
substituí-lo com combustível de outras fontes, mesmo que o
tráfego aéreo permaneça aos níveis actuais.
A Airbus e a Boeing assumem que o tráfego aéreo crescerá
5% ao ano. Se continuarem a aumentar a eficiência como o fizeram nos
últimos anos, então isto significará um acréscimo
de 3% ao ano na necessidade de combustível. Não é
fácil aumentar significativamente a proporção de
combustível de aviação produzida pelas refinarias a partir
do petróleo bruto. Se a proporção de combustível de
aviação continuar nos 6,3% do petróleo bruto então
nenhum dos cenários de hoje poderá satisfazer a sede da
aviação, nem mesmo o cenário de oferta 1 que é o
prognóstico optimista da IEA. O cenário de oferta 3 é o
"Uppsala Giant Oilfield Model" e, de acordo com ele, haverá
uma considerável escassez de combustível de aviação
no futuro.
É interessante que o Cenário de Oferta 2, a curva verde (em
baixo), coincide
com o desejo dos políticos de reduzidas emissões de CO2.
Não acredito que muitas pessoas estejam conscientes de que as
decisões em Copenhagen em 2009 significam que actualmente já
estamos no "Pico da Aviação".
Os interessados podem ler mais em
Global Energy Systems
.
03/Maio/2009
[*]
Professor de física da Universidade de Uppsala, Suécia. Presidente da ASPO.
O original encontra-se em
aleklett.wordpress.com
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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