Contributos para a luta contra incêndios florestais em Portugal
por Armando José Pereira Marcelino
[*]
Começo por me apresentar: Sou Coronel Engenheiro Aeronáutico
Reformado, de nome Armando Marcelino e de 76 anos de idade. Razão deste
documento: A vaga de incêndios que tem avassalado o país
(com
até mais de 500 frentes activas) e que se tem repetido ao longo deste e
dos últimos anos. levou-me a reflectir em possíveis contributos
que minorassem tais calamidades. Considero que é necessário
mobilizar o país através de grandes projectos capazes de arrastar
as populações para satisfação desses
desígnios. Considero ainda que os nossos líderes máximos
dos últimos tempos não foram capazes de encontrar esses grandes
projectos catalisadores das vontades do país. Para além de todas
as conclusões sobre a gestão florestal e dos seus
princípios orientadores, considero ainda que é necessário:
Desenvolver um plano nacional integrado para a defesa e prevenção
contra incêndios florestais o qual seria um desses grandes
desígnios e capaz de mobilizar o nosso povo. Seria tudo uma
questão de mentalização e propaganda adequada.
Análise sintéctica do problema dos incêndios Interesses em
jogo: Nesta problemática não há só pessoas doentes
(pirómanos),. Há também um grande conjunto de interesses
económicos que é preciso divulgar. É o caso de
-
Horas de voo pagas aos proprietários de aeronaves que combatem os
incêndios (utilização dos meios aéreos)
-
Horas de voo pagas aos pilotos civis (e até militares em
férias) que voam as aeronaves
-
Horas pagas pelo Estado aos próprios profissionais e
voluntários combatentes dos incêndios
-
Venda de madeiras ao desbarato, contribuindo para os interesses dos
madeireiros
-
Interesses da indústria e comércio de materiais, produtos
e artefactos para protecção de incêndios
-
Consumo e respectiva venda de combustíveis de
aviação e terrestres
-
Outros não vislumbrados pelo autor.
Necessidades e atribuição de responsabilidades:
Elaboração de um Plano Nacional Integrado para a
criação de um verdadeiro Sistema Nacional de
Protecção Civil contra incêndios e que cubra pelo menos os
seguintes aspectos:
1. Detecção tão rápida quanto possível dos
focos de incêndio - a cargo dos Bombeiros locais;
2. Planificação, criação e execução
de um plano nacional de acessos aos locais difíceis
coordenação do Estado através de organismo estatal a criar
e a cargo das Autarquias;
3. Reforço de mais meios de intervenção rápida,
nomeadamente aeronaves e carros cisterna - a cargo do Estado;
4. Comunicações operacionais entre entidades envolvidas
coordenação e responsabilidade do Estado;
5. Endurecimento radical da moldura penal - da responsabilidade da Assembleia
da República
Proposta de melhoria. Tendo em atenção as actuais capacidades
tecnológicas propõe-se:
1. Utilização de "drones" os "olhos de
Deus" como há quem lhes chame. Tem a grande capacidade de
voar a várias altitudes de modo controlado, autónomo e coordenado
entre si, transportando câmaras de vídeo, podendo transmitir essas
imagens para centros de controlo operacional e eventualmente uma central
nacional. A empresa INTEL realizou uma demonstração de voo e de
controlo de 500 drones em simultâneo em espaço limitado ver
aqui
https://www.youtube.com/watch?v=aOd4-T_p5fA
. Assim considera-se como de grande vantagem a atribuição a cada
corporação de Bombeiros do país, de um conjunto de
"drones", em quantidade e tipo a estudar, equipados com
máquinas de vídeo de resolução adequada ao
propósito, para serem manipulados pelos operacionais dessas
corporações a tempo inteiro (24 h/dia), permitindo a
detecção quase imediata, no centro de controlo da
corporação, de quaisquer focos de incêndio na sua
área de vigilância e o desencadeamento de acções de
ataque rápidas, adequadas à eliminação desses
focos, evitando o descontrolo tão frequente na situação
actual. Por outro lado, a manutenção dos "drones" no
ar, na ausência dos meios aéreos de ataque, permitiria detectar
pontos de reacendimento e até, eventualmente, identificar
possíveis incendiários. A alegação de que o fumo
poderá fazer desorientar e fazer perder a máquina é falso
porquanto basta carregar num botão e o "drone"
regressará ao ponto de partida;
2. Integração do pessoal militar das Unidades Militares da
quadrícula nacional no esquema do reforço das
corporações dos bombeiros, na fase críticas dos fogos, e
apenas após preparação adequada, e reforço dessas
unidades com viaturas contra incêndio, especialmente autotanques (quase
todas as unidades, ou todas mesmo, as possuem) em quantidade considerada;
3. Transformação dos aviões C130 da Força
Aérea Portuguesa (neste momento em fase de "Phase Out")
exclusivamente para aviões de combate a incêndio. Estes
aviões já em tempos serviram tal propósito mas interesses
externos levaram a que tal actividades fosse terminada e fosse entregue
exclusivamente a empresas civis (ver artigo
www.altamente.org/...
). Os "kits" de extinção de incêndio, ficaram a
apodrecer na Base do Montijo. Os aviões têm uma capacidade de
carga incomparavelmente maior que os "saquitos" dos
helicópteros. De salientar que tal possibilidade de
regeneração é completamente exequível em Alverca
(OGMA) bem como o prolongamento quase ilimitado da sua vida e da utilidade
desses recursos
Ver demonstração aqui
https://www.youtube.com/watch?v=HuF4dKTkCpY
e aqui
https://www.youtube.com/watch?v=qZkvETSCq4Q
. Os pequenos meios aéreos deveriam continuar a ser mantidos, atendendo
às características específicas de cada incêndio e do
território nacional;
4. Criação de um conjunto de embarcações
rápidas apropriadas para colocação sazonal, nos principais
rios nacionais, equipadas com canhões de água, à
semelhança dos que existem nos portos para ataque a incêndios em
navios ('barcos-bombeiros' já existentes e/ou embarcações
adaptadas - de possível manufactura nos estaleiros do Alfeite ou outros
nacionais, através de concurso público) potenciando novos e
fáceis acessos a frentes de prevenção e combate à
progressão dos fogos por saltos dos obstáculos naturais que
são os rios, aproveitando as condições de barreiras
naturais a e disponibilidade de água neles existente.Ver aqui
https://www.youtube.com/watch?v=fgpp-luMBME
e aqui
https://www.youtube.com/watch?v=tXquGMFt_DU 5
. Assumpção por parte do Estado da limpeza nacional das matas,
através de uma empresa, orientada a nível local pelas autarquias
(num sistema a estudar devidamente) com a autoridade indiscutível de
abate, desbaste, limpeza, abertura de estradões e
preparação dos terrenos para tornar os acessos mais fáceis
bem como a realização de outras actividades a serem estudadas e
definidas por entidades conhecedoras do problema. Equipá-las ao
nível autárquico com máquinas de lagartas, capazes de
terraplanagens, abertura de estradões e com máquinas de corte
rápido de madeira. Tal empresa deveria ter a capacidade de vender o
material de restolho recuperado, em proveito da própria empresa ou da
respectiva autarquia, em moldes a definir convenientemente. 6. Por lei a
estabelecer pela Assembleia da Republica, promover a desmatação
de todas as estradas florestais com pelo menos 15 metros para cada lado da via,
à semelhança do que se praticava em África para a
segurança do transito rodoviário. Claro que haveria que
indemnizar os proprietários afectados;
5. Mobilizar as forças militares para, ao longo do ano e na época
sem fogos, contribuírem na desmatação, abertura e
manutenção de acessos e corta-fogos, bem como colaborarem para a
eventual manutenção de equipamentos de combate a incêndios
com as próprias oficina militares, etc., considerando tal como treino
militar em Exercícios de Campo. Naturalmente haveria que ser criado um
corpo de instrutores preparados para o efeito.
Vantagens de tal esquema:
1. Desenvolvimento de um programa integrado de competências nacionais,
associado ao volume de encomendas internas que revitalizaria as diversas
indústrias afectadas, com reflexo significativo no orçamento
nacional;
2. Considero que um "drone" de qualidade adequada, já com
câmara de vídeo, poderá custar apenas 1000 euros. Havendo
468 corporações de bombeiros em Portugal (entre municipais e
voluntários) e nas cidades até seria possível a
coordenação de informações, a verba a despender
seria de 468.000 Euros, ridiculamente pouco face aos prejuízos de um
só incêndio normal. Se considerarmos drones de gama alta, o 2000
Euros, o investimento é inferior a um milhão de euros. O conjunto
de "drones" poderia porém ser adquirido, sempre mediante
concurso público, na condição de ser produzido a
nível nacional sob licença, ou até, completamente
atribuído a uma empresa doméstica capaz do seu desenvolvimento e
produção, porque, felizmente, já as há. Ver aqui
p3.publico.pt/actualidade/ciencia/18312/...
. Tal beneficiaria a tecnologia nacional, permitiria eventuais
exportações e criaria emprego altamente qualificado. Todo este
esforço poderia ser atribuído, realizado e monitorizado pelo
"Cluster Aeronáutico Português";
3. A formação adequada à manipulação dos
"drones" podia ser realizada pelo Instituto de Formação
Profissional Nacional, devidamente preparado para o efeito que deslocaria
equipas itinerantes por todo o país para dar formação aos
Bombeiros, uma vez que haveria necessidade de formação permanente
em função da renovação dos quadros. Considera-se
que uma semana de preparação seria suficiente;
4. Criação de pequenos centros de controlo a distribuir pelas
corporações de Bombeiros, para monitorização das
informações dos respectivos "drones" e desencadeamento
das acções de combate adequadas e o seu entrosamento com o
sistema de segurança nacional (SIRESP ou outro que o substitua). O
número de corporações existentes (489) permitiria uma
encomenda global que justificaria um concurso público para a
atribuição da manufactura a nível nacional com a
consequente geração de riqueza e produção de
emprego. De considerar ainda os proventos gerados por todos os serviços
a desenvolver para a melhoria dos sistemas, suas adaptações e
manutenção desses equipamentos;
5. Fabrico a nível nacional de carros cisterna atribuíveis aos
Bombeiros e aos quarteis militares para reforço, com
tracção todo terreno e uma motobomba acumulada. Mais. Uma
encomenda que, pela sua dimensão reforçaria o desenvolvimento da
indústria metalo-mecânica nacional, seria originadora de emprego e
potencial geradora de exportações;
6. Dotação por parte do Governo, a cada autarquia, de um
número de máquinas de lagartas e eventualmente de rodas, em
quantidade adequada à área florestal, de modo a reforçar a
capacidade dessas entidades para intervenção florestal. As
máquinas poderiam ser construídas a nível nacional sob
licença, pelo complexo metalo-mecânico nacional, (recordamos as
Berliet Tramagal) gerando
mais-valias para eventuais exportações, através de um
concurso nacional em tudo semelhante ao definido anteriormente;
7. Finalmente o número de postos de trabalho qualificados que seria
gerado por tal projecto integrado, é incalculável pelo proponente
mas considera-se que seria altamente significativo. Por outro lado, a riqueza
gerada internamente pelas encomendas colocadas e os conhecimentos acumulados
pelo "Know-How" da sua execução, associado à
capacidade de competir no campo internacional, introduziriam uma vitalidade na
economia nacional que não seria de modo nenhum despicienda.
Orçamento O prejuízo provocado pelos incêndios, para
não falar nas vidas perdidas, mesmo que involuntariamente, quer em horas
de trabalhos despendias pelos bombeiros e pelas populações que
tentam proteger os seus bens, quer ainda pelos bens materiais
destruídos, justificaria perfeitamente os investimentos a fazer.
Moldura legal para os incendiários; O crime de fogo posto, parece-me um
crime de lesa-pátria por várias razões:
-
possibilidades de mortes mesmo que involuntárias (vejam-se os
últimos registos);
-
desflorestação do país com consequente aquecimento
ambiental;
-
agravamento na produção de anidrido carbónico;
-
alteração do clima a curto prazo a curto médio
prazo. Justificar-se-ia, em minha opinião, uma pena muito pesada por ser
um crime contra a humanidade, mas esse é um assunto da competência
da Assembleia da República.
Divulgação. Este documento já foi enviado, na sua primeira
versão, ao sr. Presidente da Republica em 28-08-2017, quando ainda
decorria a primeira vaga de incêndios. É minha
intenção divulga-lo o mais possível e vou procurar os
meios mais adequados a fazê-lo. Intento divulga-lo a um
responsável pelo Cluster Aeronáutico Português e
eventualmente fazê-lo chegar aos responsáveis pelos partidos
políticos portugueses de modo a não privilegiar nenhum em
particular e para que todos possam fiscalizar o sistema de encomendas a
lançar a nível nacional, se tal se vier a concretizar. Irei
utilizar, também a rede, do Facebook por ser de utilização
alargada e de fácil manuseamento. Leva-se o assunto ao conhecimento dos
Portugueses. Façamos deste programa ou de outro melhor, um
desígnio nacional pelo qual valha a pena lutar.
Salvemos Portugal enquanto é tempo.
Original, Baltar 28-08-2017 Revisão, Póvoa de Santa Iria
16-10-2017 Armando Marcelino
[*]
Coronel Engenheiro Aeronáutico Reformado
Ver també:m:
Como evitar incêndios florestais e produzir energia
, António João Lopes, 13/Set/2005
Pedrógão, uma raiva sem fim...
, Agostinho Lopes, 20/Jun/2017
A ignorância, a preguiça e o preconceito
, Agostinho Lopes, 26/Jul/2017
PSD e CDS-PP cortaram mais de 20 milhões na defesa da floresta
, 18/Out/17
O original encontra-se em
www.aofa.pt/artigos/Coronel_Marcelino_Contributo_Combate_Incendios.pdf
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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