Felizmente tudo vai bem
Sexta avaliação da troika ao cumprimento do programa. Pela sexta
vez troika e Governo exultam com o sucesso da execução do
memorando. É certo que pela sexta vez as perspectivas de crescimento
económico, do investimento e do emprego são revistas em baixa, e
as do desemprego e do empobrecimento em alta. Mas, felizmente, tudo continua
bem.
Bem se pode dizer que vamos de vitória em vitória, até
à derrota final. Mas para o Governo e seus parceiros da troika a
prioridade do seu programa não é a recuperação da
economia e do emprego. As suas prioridades primeiras são a
regressão dos direitos do trabalho (a
"agilização" do mercado de trabalho nas palavras de
Vítor Gaspar), a redução generalizada do nível de
vida, a contracção das funções sociais do Estado
apenas para os pobrezinhos e excluídos deixando os restantes
cidadãos sujeitos à lógica do lucro privado, a
privatização ao desbarato de tudo o que é público.
Por isso o Governo teima na cegueira e surdez a tudo e a todos.
Podem os chefes de Estado dos países latino-americanos dizer-lhe que
este não é o caminho, pois a sua experiência mostra a
correcção da ciência económica ao mostrar que a
redução rápida e forte do défice público
através do aumento da carga fiscal e da redução da despesa
pública tem enorme efeito negativo sobre a economia, gera
recessão e impede o equilíbrio orçamental
sustentável. Ao Governo isso entra por um ouvido e sai pelo outro,
porque não é aí que residem as suas
preocupações nem os seus objectivos prioritários. Mas
são essas as prioridades do País e dos cidadãos.
Esta sexta avaliação comprova que o Governo se mantém fiel
à máxima que diz "toda a situação por mais
desesperada e sem saída que possa parecer é sempre
susceptível de piorar".
20/Novembro/2012
Do mesmo autor:
Sair do euro é preciso
[*]
Economista
O original encontra-se em
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=591335&pn=1
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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