Doutoramento de Eugénio Rosa

por Jorge Figueiredo

Eugénio Rosa. No dia 19 de Julho Eugénio Rosa prestou provas de doutoramento no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), tendo sido aprovado com a nota máxima ("Muito bem com distinção"). O Júri foi presidido pelo Prof. Doutor José António Correia Pereirinha e constituído também pelos Prof. Doutores João Ferreira do Amaral, Ilona Kovácks, Manuel Lisboa, Joaquim Ramos Silva e Paula Dias Urze.

A tese "Grupos económicos e desenvolvimento em Portugal" exigiu quatro anos de investigação e é o mais importante estudo sobre o assunto desde o antigo trabalho de Belmira Martins, realizado há 30 anos atrás. O orientador principal foi o Prof. Dr. João Ferreira do Amaral, e a co-orientadora a Professora Ilona Kovácks, ambos do ISEG.

A análise concreta de uma situação concreta é um dos aspectos mais meritórios deste novo trabalho de investigação. Estamos longe, aqui, do esoterismo que caracteriza certos economistas assumidamente neoliberais (e outros que são neoliberais encapotados). Eugénio Rosa trata daquilo que é realmente importante.

Este trabalho contém um conjunto de dados que dão uma ideia clara do domínio da economia, da sociedade portuguesa e do poder político em Portugal por 44 grandes grupos económicos – grande parte deles em estreita associação com o capital estrangeiro. Verifica-se também o condicionamento do desenvolvimento do país pelos grupos oligopolistas. Eles falam sempre em defesa "concorrência", mas isso é mera conversa ideológica para disfarçar a sua dominação onde não há concorrência nenhuma.

Convém recordar a propósito a tese de Paul Sweezy de que o capitalismo na sua fase monopolista tende para a estagnação da economia real. A situação portuguesa confirma-o. A recuperação de posições pelo capital oligopolista e financeiro, a partir de 1976, destruiu sectores inteiros da economia real do país – e a trágica adesão ao euro há dez anos atrás foi a pá de cal.

Dentre as conclusões finais que resultam da investigação, nas palavras do autor, destacam-se:

1- A lógica de funcionamento dos grupos económicos é global e orientada pelo objectivo de criação de valor para os accionistas, o que determina que os objectivos de crescimento económico e de desenvolvimento equilibrado e sustentado do país são inevitavelmente secundarizados (os efeitos positivos são colaterais).

2- O Estado só tem possibilidades de ter um papel activo na promoção do crescimento económico e do desenvolvimento se tiver nos sectores estratégicos – financeiro, energia, comunicações, etc. – empresas públicas importantes e com capacidade para terem uma acção determinante, e integradas num plano de desenvolvimento com objectivos claros e metas que responsabilizem os seus gestores, o que nunca aconteceu.

3- Um Estado fraco, que resulta do seu afastamento da economia, gera necessariamente organismos regulatórios fracos que ficam rapidamente reféns dos grupos económicos.

4- Entidades internacionais com poderes regulatórios são complementares mas nunca poderão substituir os Estados nacionais na função de promover o crescimento e o desenvolvimento equilibrado e sustentado do país.

É urgente que este importante trabalho, com 521 pgs., seja publicado em Portugal. Enquanto isso não acontece, os leitores interessados podem descarregar o ficheiro com o seu resumo:

grupos_economicos_provas_doutoramento.pdf
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22/Jul/12
act. 28/Jul/12