A ilusão da redução do desemprego em Portugal
509.400 desempregados não são considerados no desemprego
oficial divulgado pelo INE
No
estudo anterior
, utilizando os dados oficiais do desemprego registado
divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional
(IEFP) na sua publicação "
Informação mensal do mercado de emprego"
, mostramos que esses dados não dão, contrariamente ao que o
governo e os seus defensores nos media pretendem fazer crer, uma
informação rigorosa sobre a dimensão do desemprego e sobre
a redução do desemprego.
Em 1 de Janeiro de 2015, de acordo com a
"Informação mensal do mercado de emprego"
do IEFP, estavam inscritos nos Centros de Emprego de todo o país
598.581 desempregados. Entre 1 de Janeiro e 30 de Junho de 2015, inscreveram
nos Centros de Emprego mais 340.733 novos desempregados, e durante este mesmo
período (6 meses) os Centro de Emprego arranjaram trabalho (colocaram)
apenas 64.565 desempregados. Fazendo as contas deviam existir, no fim do
mês de Junho de 2015, 874.749 desempregados (598.581 + 340.733
64.565 = 874.749) inscritos nos Centros de Emprego. No entanto, segundo a
"Informação mensal do mercado de emprego" de Junho de
2015, estavam inscritos nos Centros de Emprego, no fim de Junho de 2015, apenas
536.656 desempregados. Isto significa que desapareceram dos ficheiros dos
Centros de Emprego 338.093 desempregados durante o 1º semestre de 2015. E
nem o IEFP nem o Ministério da Solidariedade e da Segurança
Social, que tutela aquele Instituto, deram qualquer explicação
para a limpeza de 338.093 desempregados (apagão) dos ficheiros dos
Centros de Emprego. É evidente que os dados do chamado desemprego
registado do IEFP, utilizados pelo governo para enganar a opinião
pública fazendo crer que o desemprego está a diminuir, não
traduzem com rigor a realidade do desemprego.
509 MIL DESEMPREGADOS NÃO SÃO CONSIDERADOS NO DESEMPREGO OFICIAL
Analisemos agora as limitações dos dados sobre o desemprego
divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Estes já
não se limitam ao desemprego registado, ou seja, não estão
dependentes do facto do desempregado se ter inscrito nos Centros de Emprego e,
consequentemente, se não se inscrever não é considerado. O
desemprego do INE é já estimado com base num inquérito
feito a uma amostra que se pretende que seja representativa da
população portuguesa e, por isso, que dê uma
informação rigorosa sobre o desemprego total em Portugal. Mas
como vamos provar, utilizando dados do próprio INE, isso não
corresponde à verdade. Para isso observe-se o quadro 1.
Quadro 1- Desemprego oficial e desempregados não considerados nos
números do desemprego oficial
do INE (em milhares) no governo de Passos Coelho e Portas
Como revelam os dados do quadro anterior, o desemprego oficial divulgado pelo
INE que, no 2º Trimestre de 2011 data em que o governo PSD/CDS entrou em
funções, era de 675.000 cresceu rapidamente tendo atingido
952.200 no 1º Trim.2013, registando uma diminuição a partir
desse data, sendo 688.900 no 3º Trimestre de 2013, para novamente
aumentar, invertendo a descida que se estava a verificar, alcançando, no
final do 1º Trimestre de 2011, 970.600. No entanto, esta
redução no desemprego oficial é ilusória.
Para concluir basta ter presente a evolução verificada, entre
2011 e 2015, no numero de "Inativos disponíveis" e no chamado
"Subemprego a tempo parcial". Mas antes interessa esclarecer o que se
entende por um e outro.
"Inativos disponíveis
" são desempregados que, pelo facto, de não terem procurado
emprego no período em que foi feito o inquérito não foram,
por esse motivo, considerados nos números do desemprego oficial do INE.
"
Subemprego a tempo parcial
" é constituído por desempregados que pretendiam arranjar
trabalho a tempo completo, mas como o não conseguem, aceitaram trabalho
a tempo parcial (os biscates para sobreviver).
Os números de "Inativos disponíveis" e de no
"Subemprego a tempo parcial", entre 2011 e 2015, ou seja com a
"troika e com o governo PSD/CDS dispararam. Entre 2011 e 2015, os
"inativos disponíveis" aumentaram de 143,8 mil para 257,7 mil
(+ 79,2%) e o Subemprego atempo parcial cresceu de 147,7 mil para 251,7 mil (
+70,4%). No 2º Trimestre de 2011, os "Inativos
disponíveis" mais o "Subemprego a tempo parcial"
totalizava 291.500, enquanto no 1º Trimestre de 2015 já somava
509.400 (74,8%).
Assim, a "redução" do desemprego oficial tem sido
conseguida através do aumento significativo do número de
desempregados que não são considerados nos números oficias
de desemprego (os chamados Inativos disponíveis e subemprego a tempo
parcial). Por essa razão, quem olhe apenas para os dados oficiais sobre
desemprego oficial é ludibriado pois existem muitos mais desempregados,
como revelam os dados do INE, que não são considerados no
desemprego oficial, sendo "empurrados" administrativamente para fora,
através de uma definição metodológica
"adequada" que serve o poder dominante para fora do desemprego
oficial, ficando assim uma parte do desemprego escondido. Tal permite a Passos
Coelho e a Portas dizerem que o desemprego tem diminuído em Portugal. Se
somarmos os desempregados que não são considerados nas
estatísticas oficiais de desemprego ao desemprego oficial, no fim do
1º Trim.2015, o desemprego total passa de 712.900, que é o oficial,
para 1.222.300 desempregados, e a taxa de desemprego oficial sobe de 13,7% para
22,4%. Números muito diferentes dos oficiais que merecem uma grande
atenção e uma profunda reflexão pois eles revelam uma
realidade que é dramática, que não devemos permitir que a
manipulação das estatísticas a oculte até porque a
maioria é já atingida pela pobreza.
E toda esta situação é ainda mais dramática se se
tiver presente que o numero de portugueses a receber os apoios sociais feitos
através das prestações sociais subsidio de
desemprego, subsidio social de emprego, rendimento social de
inserção continua a diminuir em Portugal. O quadro 2
mostra a quebra verificada na prestação mais importante de apoio
aos desempregados que é o subsídio de desemprego.
Em apenas seis meses (Jan. a Jun. de 2015), o número de desempregados a
receber o subsídio de desemprego diminuiu em 14,5% (-45.363
desempregados. Em como revelam os últimos dados divulgados no portal da
Segurança social (quadro 2). E no fim do 1º Trimestre de 2015 o
numero verdadeiro de desempregados era superior a 1.200.000, enquanto o numero
de desempregados a receber subsidio correspondia apenas 25%, e esta percentagem
diminui continuamente como mostram os dados do quadro. Como sobreviverão
sem emprego e sem subsidio? Deixo a pergunta para que não sejam
esquecidos.
30/Julho/2015
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edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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