Anticomunismo, uma religião fundamentalista (2)
Agora avancemos para 2019 e 2020 em Hong Kong. Mais uma vez, o que
testemunhamos é um anticomunismo ultrajante e extremista. Manifestantes
fascistas marcham, destruindo edifícios públicos e atacando a
Polícia, sob bandeiras dos EUA, do Reino Unido e da Alemanha, são
aclamados pelos media ocidentais como "ativistas
pró-democracia". Atacam fisicamente os apoiantes de Pequim.
São pagos, são glorificados. Conversei com eles em muitas
ocasiões. Mostram uma total lavagem ao cérebro. Não sabem
nada sobre factos. Negam os crimes cometidos pelos colonialistas
britânicos e norte-americanos. Eles admiram tudo o que é ocidental
e desprezam seu próprio país. O Ocidente promove-os como
"revolucionários", em todo o mundo!
Outro grupo desencadeado contra a China Comunista, são os uigures.
Muitos deles juntaram-se a organizações terroristas em Idlib,
Síria, Indonésia e outros lugares. Ou, mais precisamente, foram
injetados lá. O motivo? Para fortalecê-los nos campos de batalha,
para que um dia possam voltar à China e tentar quebrar o Comunismo, bem
como a "Belt and Road Initiative", o projeto mais internacionalista
da Terra. Cobri as suas atividades na Síria, Indonésia, Turquia e
outros lugares. Escrevi extensivamente sobre as atrocidades que cometeram. Mas
a propaganda anticomunista é massiva e muito "profissional".
Fabrica uma "narrativa à prova de bala". Retrata os uigures
como vítimas!
Pergunte-se aos homens e mulheres comuns em Londres, Paris ou Nova York, o que
sabem sobre a época de Estaline, ou a fome nos primeiros anos da URSS ou
da China Comunista?
99,99% não sabem de nada. Onde essas fomes ocorreram e por quê?
Mas estão absolutamente certos de que ocorreram. Sem dúvidas
sobre o que quer que seja. Não têm dúvidas de que
aconteceram "por causa do Comunismo". Os ocidentais são
intelectualmente obedientes, como ovelhas. A maioria deles não questiona
a propaganda desencadeada pelo seu regime. Serão realmente
"livres"?
A fome na União Soviética realmente ocorreu porque o jovem
país revolucionário foi totalmente devastado pelas
invasões ocidentais e japonesas, que tentaram vergar e saquear o
país. Invasões britânicas, francesas, americanas, checas,
polacas, alemãs e japonesas, para citar apenas algumas.
Pergunte-se, por exemplo, aos checos, o que sabem sobre as suas legiões
que controlavam a ferrovia Transiberiana, da Europa para Vladivostok. Pilhagem,
estupro e matança em massa. Eu tentei. Eu perguntei, em Praga e Pilsen.
Eles pensavam que eu era um lunático. As legiões são
retratadas como heróicas, nos seus livros de História. Uma
narrativa à prova de bala. Não há dúvida.
E "estalinismo"? Este autor planeia escrever muito mais sobre este
assunto. Mas aqui, resumidamente: que tipo de país Estaline realmente
herdou? Um país completamente saqueado por invasores estrangeiros, um
país devastado pela guerra civil. Um país onde as forças
contra-revolucionárias foram, até recentemente, financiadas pelo
Reino Unido, França, EUA e outros. Como resultado dessa brutal guerra
desencadeada do exterior, bandos de criminosos percorreram os vastos campos e
cidades.
Desde o início, os comunistas russos queriam paz, irmandade de
nações e desenvolvimento pacífico para seu povo. Escrevi
em 2017, no meu livro
Great October Socialist Revolution. Impact on the World and Birth of Internationalism
.
"Os revolucionários queriam acabar com todas as guerras
imediatamente. Os soldados russos deixaram as suas trincheiras e
abraçaram seus inimigos. "Somos todos irmãos!",
gritaram. "Fomos obrigados a lutar uns contra os outros por monarcas
cruéis, padres e homens de negócios. Deveríamos combater
inimigos reais, não uns aos outros! Proletariado do mundo,
uni-vos!" Mas os oficiais e comandantes ocidentais estavam determinados:
forçaram seus homens de volta às trincheiras, acusando-os de
traição, empurrando-os para os campos de batalha.
"Mais significativamente, as inúmeras invasões estrangeiras
foram esmagadoras quer para as principais cidades russas e como para as
áreas rurais. Como sempre, ao longo dos séculos anteriores, os
europeus nunca pensaram duas vezes antes de colocarem as suas botas militares
em solo russo. De certa forma, a Rússia foi tratada e percebida como uma
nação "bárbara" que poderia ser atacada,
colonizada e saqueada à vontade e sem muita justificação,
não muito diferente das inúmeras nações infelizes
em todo o mundo: localizadas na América do Sul, Médio Oriente,
África, Ásia e Oceania".
"Muitos russos pareciam brancos, europeus, mas para os ocidentais nunca
eram "brancos o suficiente", nunca realmente faziam parte da cultura
dos conquistadores e saqueadores. A Rússia sempre teve sua
própria alma, sua maneira de pensar e sentir, sua maneira distinta de
agir e reagir".
No meu livro, revisitei as táticas de subversão do imperialismo
ocidental e do anticomunismo militante:
"A estratégia da subversão imperialista ocidental é
essencialmente muito simples: identificar todos os pontos fortes e fracos do
país que se tenta liquidar e tentar compreender sua ideologia. Estudar e
aprender tudo sobre a sua liderança progressista: os seus planos e o que
a revolução está a fazer pelo povo: como dar-lhes
liberdade, direitos iguais, maior expectativa de vida, altos padrões de
educação, assistência médica,
habitação, infraestruturas, artes e, em geral, uma qualidade de
vida decente. Em seguida, atacar onde mais dói:
intervenções diretas, sabotagem, ataques terroristas ou
patrocínio de grupos extremistas e mesmo fundamentalistas religiosos, a
fim de espalhar o medo e a insegurança para retardar o processo de
mudança social e crescimento económico.
"Aplicar golpes tão fortes que, a certa altura, o sistema
democrático revolucionário terá que reagir, seja para
proteger o seu povo, as suas realizações e até as
próprias vidas. Onde quer que o Ocidente tente destruir um país
socialista, seja na Nicarágua ou no Afeganistão nos anos 80, tem
como alvo hospitais e escolas, destruindo as grandes realizações
sociais do governo, espalhando a desesperança entre a
população. Então, desencadeiam-se ataques ainda mais
fortes, obrigando o governo a reagir. Imediatamente declara-se: "Vejam,
esta é a verdadeira face do socialismo e do comunismo! Querem uma
revolução? Tudo bem: o que se obtém é isto:
opressão, julgamentos políticos,
gulags,
falta de liberdade e mesmo algumas execuções brutais!"
"As armas da desinformação e propaganda negativa são
amplamente usadas, para que a revolução num país
progressista, cruelmente sujeito ao terrorismo, nunca tenha hipóteses de
influenciar o resto do mundo- E mesmo o país começar a sofrer
demasiada pressão.
... Estas táticas hediondas do Ocidente feriram profundamente a
União Soviética antes da Segunda Guerra Mundial, mas falharam em
destruir o país."
A fome chinesa ocorreu em parte porque durante a ocupação
japonesa, o Exército Imperial interrompeu o fornecimento da cadeia
alimentar, bem como o sistema agrícola, que havia sido formado e
desenvolvido ao longo de milhares de anos. O Japão estava interessado
apenas numa coisa: alimentar as suas tropas que ocupavam grande parte da
Ásia.
Nos dois casos, a propaganda ocidental fez as pessoas acreditarem que a
verdadeira causa da perda de vidas na Rússia e na China era o comunismo!
A lavagem cerebral foi tão bem-sucedida que, mesmo na Rússia e na
China, milhões de pessoas foram totalmente doutrinadas por essas
incontáveis e repetidas mentiras vindas do Ocidente.
Mas pergunte-se em Londres, se as pessoas sabem alguma coisa sobre o facto de
que, sob a ocupação britânica da Índia, dezenas de
milhões de pessoas morreram de fome; vitimas da
fome provocada por Londres
, por muitas razões, uma delas a tentativa de diminuir a
população. Mais de 50 milhões de indianos,
cumulativamente, morreram nessas fomes, entre 1769 e 1943, na Índia
administrada pelos britânicos.
Como resultado, devemos proibir o sistema político britânico?
Estou convencido de que deveríamos! Mas isso geralmente não
é o que as pessoas do mundo, incluindo as vítimas da
barbárie colonialista britânica, exigem.
Voltando ao público britânico ou francês. O que sabem sobre
o seu passado e até sobre o seu presente neocolonialista? Sabem apenas o
que tiveram ordem para acreditar. Em resumo: não sabem nada. Zero.
Apenas contos de fadas. Mas estão convencidos de estar bem informados e
que têm o direito de ensinar o mundo inteiro.
Eles não sabem absolutamente nada sobre a URSS e a China. Não
têm ideia da razão pela qual a Coreia do Norte e Cuba são
continuamente demonizados (como dissemos, os dois, de mãos dadas,
libertaram a África do colonialismo ocidental).
Vivi e trabalhei por toda a África, durante anos, fiz filmes e escrevi
incontáveis ensaios. O envolvimento cubano e norte-coreano, enormemente
positivo, internacionalista e indubitavelmente Comunista, na Namíbia e
Angola, do Egito à Maurícia, foi muito bem documentado. Mas
diga-o num café parisiense ou em um bar de Londres, e os queixos caem.
Olhares em branco, vazios.
Até mesmo a "esquerda anticomunista", composta por
anarco-sindicalistas e trotskistas (na realidade, principalmente produtos
pseudo-revolucionários dos EUA e britânicos), não sabe
nada, ou não quer saber nada, sobre o verdadeiro Comunismo
revolucionário.
Em 23 de abril de 2020, o jornal
Brasil de Fato
citou o vice-ministro venezuelano Carlos Ron:
"É muito interessante a cultura norte-americana acreditar num
"destino revelado", pensar que têm uma missão
messiânica. Acreditam que a sua missão é acabar com o
comunismo na América Latina, e para isso têm de derrubar a
Venezuela, Cuba e tudo o que é vermelho, porque tudo o que é
vermelho é comunista."
Na Indonésia, um Estado religioso completamente fracassado,
miserável e deprimente é baseado em dogmas anticomunistas.
Ninguém entende claramente por que são anticomunistas, mas quanto
mais ignoram o assunto, mais agressivamente agem; banindo todos os conceitos e
léxico Comunistas, construindo "museus" anticomunistas e
produzindo filmes anticomunistas. Depois de matar milhões de Comunistas
em nome do Ocidente, o anticomunismo tornou-se a essência da sua
existência. No passado, baniram as línguas chinesa e russa. Tudo
apenas para silenciar o passado, quando o presidente Sukarno e o PKI (Partido
Comunista da Indonésia), antes do golpe de 1965 apoiado pelos EUA,
estavam construindo uma grande nação progressista, socialista e
não alinhada.
De facto, em grande parte do sudeste da Ásia, talvez a parte mais
grotescamente turbo-capitalista do mundo, o Comunismo foi banido ou pelo menos
demonizado. Eis o resultado: nações confusas, consumistas,
religiosas e sombrias. O Vietname Comunista é uma estrela brilhante, mas
nunca é retratado como tal, definitivamente não é no
exterior.
Vamos celebrar o 150º aniversário de Vladimir Ilyich Lenin! Vamos
celebrá-lo revisitando a História e o presente.
O sistema político mais brutal é o imperialismo ocidental e o
colonialismo. Já matou centenas de milhões de pessoas em todo o
mundo. Este facto deve ser repetidamente divulgado.
O objetivo da propaganda ocidental sempre foi igualar o Comunismo ao fascismo,
os dois sistemas mais antagónicos da História do mundo. Foi o
sistema Comunista soviético, que quebrou o nazismo em pedaços,
salvando o mundo, a um custo enorme de aproximadamente 25 milhões de
vidas humanas.
Somente o imperialismo ocidental pode ser comparado ao nazismo alemão.
Os dois são feitos da mesma massa.
Para mim, para muitos de nós, o Comunismo significa a luta
perpétua contra o intervencionismo ocidental, o colonialismo. Nesse
momento terrível da história da humanidade, é importante
entender claramente essa realidade.
Se o Comunismo fosse derrotado, seria o fim da luta pela liberdade. Somente o
sistema Comunista poderoso, centralizado e ideologicamente consistente pode
combater e libertar a raça humana das correntes colonialistas, do
capitalismo selvagem e de uma existência vazia, niilista.
Os propagandistas dizem mentiras insanas, que o Comunismo é ultrapassado
e chato. Não se acredite neles: o Comunismo é o sistema, ainda
jovem, mais esperançoso e otimista do mundo. E, ao contrário do
imperialismo e do capitalismo, o Comunismo está em constante
evolução. Não na Europa ou na América do Norte, mas
no resto do mundo.
Basta olhar para o Ocidente e suas colónias. Veja-se a miséria e
a privação trazidas à humanidade pelo regime ditatorial
opressivo ocidental.
Feliz aniversário, camarada Lenine! A luta continua!
A primeira parte deste artigo encontra-se
aqui
.
[*]
Filósofo, romancista, cineasta e jornalista de
investigação, tendo coberto guerras e conflitos em dezenas de
países. É o criador de
Vltchek's World in Word and Images
. Alguns dos seus livros:
China's Belt and Road Initiative: Connecting Countries Saving Millions of Lives
. Escreve regularmente para
"New Eastern Outlook"
.
O original encontra-se em
journal-neo.org/...
Este artigo encontra-se em
https://resistir.info/
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