Camuflagem e encobrimento:
O relatório da comissão holandesa sobre o crash do MH17 malaio "não vale o papel em que está escrito"

por Peter Haisenko [*]

"Fraseado weasel " consiste em utilizar "palavras e frases destinada a criar impressão de que foi feita uma declaração específica e/ou significativa, quando de facto apenas uma afirmação vaga ou ambígua foi comunicada, permitindo que o significado específico seja negado se a declaração for contestada". ... "Algumas frases weasel podem também ter o efeito de suavizar a força de uma declaração potencialmente forte ou controversa em outro contexto através de alguma forma de atenuação da verdade". (Gary Jason, 1988).

Há uma coisa que deve ser declarada sem rodeios: Este relatório não mente.

Ele simplesmente não pode mentir uma vez que nele não há nada de novo. Eu próprio nunca tinha visto um relatório de desastre aéreo tão destituído de significado. O que surge como uma surpresa, contudo, é a escolha diplomática e refinada das palavras, as quais perdem-se em terminologias ambíguas.

Ele provavelmente foi planeado deste modo, de modo a que cada parte possa continuar a defender a sua versão do que aconteceu com todo o zelo.

Vamos examinar mais de perto este relatório.

No início encontramos, como é habitual, declarações pormenorizadas acerca do avião, a quem pertencia, que estava em perfeitas condições e pormenores acerca da tripulação.

Questões técnicas ou condições meteorológicas são excluídas como causas para o crash.

A seguir, ele confirma que os registos de voo estavam virtualmente não danificados e que não foram manipulados.

O relatório continua com a descrição dos destroços espalhados sobre uma área vasta e desta observação é retirada a admirável conclusão de que este avião havia explodido no ar.

Peço desculpas pelo ligeiro sarcasmo, mas não terei escolha senão continua a fazer algumas observações sarcásticas acerca deste "relatório".

14 minutos de silêncio no cockpit é absolutamente impossível

É relatado que a secção do cockpit provavelmente fora completamente desligada do avião porque ela caiu quase verticalmente do ponto de bombardeio para o chão e fora encontrada a alguma distância do resto dos destroços.

O relatório indica que os danos feitos por forças externas foram registados quase exclusivamente na frente do avião, nomeadamente no cockpit, e isto levou à desintegração (breakup) do avião.

Até aqui tudo bem, nada de novo. A seguir há uma transcrição da comunicação rádio entre o MH017 e o controle de tráfego aéreo retirada do gravador de voz.

Neste ponto o perito começa a colocar-se algumas questões.

A transcrição da comunicação rádio começa às 13:08:00 e acaba às 13:22:02, um período de tempo de 14 minutos.

De acordo com a minha experiência como comandante de avião não posso imaginar que durante 14 nenhuns outros diálogos ou sons fossem apanhados no cockpit pelo gravador de voz.

Quando o cockpit recebe transmissões de rádio de outro avião, estas também são registadas pelo dispositivo. Como eu disse, não há mentiras mas, com toda a probabilidade, nem tudo está a ser dito. A conclusão publicada destaca que:

"A comunicação da tripulação não deu indicação de que houvesse qualquer coisa anormal com o voo".

Tudo estava normal, mas a possível (e muito provável) conversação no cockpit é ocultada, bem como transmissões de rádio de outros aviões.

Objectos de alta energia – e outras formulações nebulosas


A conclusão deste relatório é um exemplo cabal de uma situação na qual sabe-se alguma coisa com certeza, mas os factos são apresentados de um modo tal que nada é revelado.

O dano observado na secção frontal do avião surge para indicar que o avião foi penetrado por um grande número de objectos com alta energia a partir do lado de fora do avião. É provável que este dano resultasse numa perda de integridade estrutural do avião, levando a uma ruptura em voo".

Ah! diz o leitor espantado. Nós já sabíamos isso. Devemos examinar mais atentamente esta conclusão. De facto, ela não é uma conclusão.

O relatório fala de possibilidade e probabilidade: "parece indicar", "é provável". Mas isto é a parte menos enigmática.

Os fraseados "penetrou" e especialmente "objectos de alta energia" são interessantes. Permanece obscuro quão longe estes "objectos" entraram, ou mesmo se eles cruzaram todo o cockpit e saíram do outro lado do mesmo, portanto "penetrando" completamente o cockpit. A fotografia da secção do cockpit mostrada neste relatório é de qualidade mais baixa e em escala mais pequena do que aquela que eu próprio apresentei e publiquei na minha análise.

"Fraseados weasel" [1]

Mais uma vez deve-se notar: O relatório não mente, mas a Comissão mostra menos informação do que a que tem à sua disposição.

A expressão "objectos de alta energia" é totalmente "original". O que é isto?

Eu próprio conheço esta expressão da astrofísica ou da física quântica. Em outros âmbitos, habitualmente não a tenho visto no contexto da aviação ou de acidentes de avião. Assim, como deveria isto ser entendido? Perguntei a falantes do inglês acerca disto. Eles espontaneamente responderam balas, projécteis de um canhão ou comboios de carga em movimento rápido. Eles também observaram que esta expressão é inabitual em termos coloquiais "normais", excepto em astrofísica ou física quântica. Este estranho fraseado deixa tudo em aberto.

Licença para interpretações – A explicação mostra-se diferente

Aqueles que pretendem seguir a descrição ocidental podem concluir que um míssil terra-ar descarrega "objectos de alta energia". É precisamente esta a interpretação que observei hoje nos media alemães.

Nossos jornais estão a recitar como um credo a versão americana da causa do desastre, emitida imediatamente após o crash do MH017, afirmando que o presente relatório confirma que o Boeing 777 foi derrubado por um míssil terra-ar.

Isso não é exactamente o que o relatório declara, mas permite esta interpretação – e este é provavelmente o interesse desta muito flexível escolha de palavras. Todos podem interpretar o que quiserem acreditar de acordo com o seu próprio gosto. Especialmente se não forem falantes nativos do inglês que espontaneamente pensam em balas.

Este relatório não vale o papel em que está escrito.

Isto não é surpreendente, porque o governo de Kiev Maidan tinha de dar o seu OK para o que podia ser publicado.

O relatório deixa aberto tudo o que pudesse realmente contribuir para uma explicação. O MH017 podia ter sido atingido por um míssil, seja terra-ar ou ar-ar. Podia ter sido derrubado por um caça a jacto ou, sarcasticamente, de acordo as expressões da astrofísica ou física quântica, por um grande número de "objectos de alta energia" que chovessem sobre o cockpit a partir dos confins remotos do universo.

[1] Weasel wording: en.wikipedia.org/wiki/Weasel_word

Pode descarregar aqui o relatório no PDF original para formar o seu próprio juízo.

Do mesmo autor em resistir.info:
  • O MH17 malaio foi abatido por caças do regime de Kiev (com imagem em alta resolução da secção do cockpit)

    [*] Comandante da aviação com 30 anos de experiência. Trabalhou com o B727, DC8, B747, B737, DC10 e A340. Desde 2004 trabalha como escritor e jornalista. Resumo biográfico .

    O original em alemão encontra-se em www.anderweltonline.com/... e a tradução para inglês em www.globalresearch.ca/...


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • 15/Set/14