Romper a opressão do poder ocidental

por Ismail Salami [*]

Já é tempo de os EUA cessarem de desempenhar o papel de guia, pensando e tomando decisões para outros países. Como um primeiro passo, os estados membro do Movimento dos Não Alinhados (MNA) deveriam fazer esforços para libertar o Conselho de Segurança da ONU do seu cativeiro servil aos EUA e seus aliados.

Apesar da deliberada desatenção do ocidente e do desprezo para com a Cimeira do Movimento dos Não Alinhados, em Teerão, não se pode negar o facto de que o evento provocou extremo desgosto em Washington e Israel e que o diálogo entre civilizações para alcançar a paz global ainda é uma poderosa factibilidade.

Exactamente na véspera da inauguração da cimeira do MNA, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu manifestou o seu cinismo típico e condenou o comparecimento de representantes de alto nível de mais de 120 países ao evento dizendo que este era "uma mancha sobre a humanidade". A causa da raiva desesperada de Netanyahu é contudo bem perceptível.

A 16ª Cimeira do MNA que foi oficialmente encerrada em Teerão na sexta-feira acabou com uma resolução que incluía mais de 700 cláusulas. A resolução final que foi lida pelo presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad manifestou apoio ao programa de energia nuclear do Irão, rejeitou as sanções unilaterais dos EUA contra a República Islâmica e apelou a maiores esforços para defender a causa palestina e cessar a discriminação racial por todo o mundo.

A cimeira do MNA tratou um certo número de questões espinhosas que o ocidente deturpa, tal como o programa de energia nuclear do Irão, ou menospreza, tal como a questão palestina e os não autorizados ataques com drones dos EUA que ceifaram as vidas de muitos civis no Paquistão, Afeganistão, Somália e Iémen.

Foi uma oportunidade para os participantes que já têm seus países agarrados pelo pescoço manifestarem as suas queixas. O ministro dos Estrangeiros paquistanês, Hina Rabbani Khar, exprimiu a preocupação do seu país para com os ataques ilegais de drones no Paquistão e instou Washington a por um fim imediato à sua máquina da morte no Paquistão.

"A posição do Paquistão é clara hoje e tem sido clara no passada. Nossa posição é que isto é algo contra-producente. É ilegítimo. É ilegal e portanto deve cessar. Foi isto que o parlamento do Paquistão declarou claramente", disse Rabbani Khar na quarta-feira.

Entretanto, central à cimeira foi o vigoroso discurso do Aiatola Seyyen Ali Khamenei , o líder a Revolução Islâmica que reiterou claramente a posição oficial da República Islâmica sobre algumas questões chave, incluindo armas nucleares, e clarificou que o Irão nunca pretendeu produzi-las, nunca avançará num caminho tão horrendo e que a execução, utilização e produção de tais armas é um pecado imperdoável. A sua análise profunda da política paradoxal de Washington merece a devida atenção. Apontando para "uma amarga ironia da nossa era", o Aiatola Khamenei reforçou o facto de que o governo dos EUA "possui a maior e mais mortal acumulação de armas nucleares e outras armas de destruição em massa, e o único país culpado pela sua utilização, está hoje ansioso por conduzir a bandeira de oposição à proliferação nuclear" e que o mesmo regime armou o regime usurpador sionista com armas nucleares e criou uma grande ameaça para esta região sensível".

De facto, Washington e Tel Aviv estão a jogar nas mãos do diabo nos seus esforços para dividir nações e colonizar seus países pela criação de "inimigos globais" e brutalmente mobilizar outros contra eles.

Em relação a isso, a Cimeira MNA pode desempenhar um papel vital desviando o papel destrutivo do governo dos EUA e outras potências ameaçadoras ao avançar com suas agendas globalistas para um papel construtivo sob a égide dos membros do MNA. Reagindo aos efeitos de uma cimeira com significado tão substancial, os media ocidentais censuraram a venda e coibiram-se de relatar os factos, o que de um modo ou de outro mostrou a sua agenda oculta. O blackout dos media no ocidente em relação à Cimeira de Teerão é o equivalente ao blackout da verdade e da fidedignidade, um sinal mórbido que indica claramente que esforços globais para alcançar a paz e a harmonia são afinal de contas empurrados para o abismo do fracasso. A fim de destruir o poderio da máfia dos media, o responsável da Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB), Ezzatollah Zarghami, sugeriu que o Movimento dos Não Alinhados estabelecesse um bloco alternativo de media. Tal iniciativa é na verdade louvável e deve ser considerada um meio eficaz para contrabalançar a cegueira enviesada dos media.

Com plena convicção, pode-se tristemente dizer que há mãos sabotadoras em acção para frustrar os esforços na luta pela paz global à luz de uma liderança unida. O que realmente deveria ser prioridade em futura cimeira do MNA é formular uma abordagem efectiva para resolver a crise global e lutar para conseguir um consenso internacional para reduzir a influência política de Washington e a sua auto-proclamada liderança ditatorial. Já é tempo de os EUA cessarem de desempenhar o papel de guru e de pensarem e tomarem decisões para outros países. Como primeiro passo, os estados membro do MNA deveria fazer esforços para libertar o Conselho de Segurança da ONU do seu cativeiro servil aos EUA e seus aliados.

Uma nova ordem mundial está a tomar forma. Nesta nova ordem mundial, o imperialismo começa a esvair-se e a ideia de crescentes expedições militares sob a bandeira de combater ao terrorismo ou ditar a democracia ocidental em breve evaporar-se-á. Esta ideia pode estar a grande distância da realidade mas não é uma impossibilidade. Ela pode ser transformada em realidade graças ao poder emanado dos esforços colectivos de todas as nações. É exactamente isto que o ocidente conduzido pelos EUA mais teme e o que o mundo mais precisa: uma vontade unida de nações a impor-se claramente face à injustiça e de acordo com o direito.

01/Setembro/2012

Ver também:
  • Why The Western Media Are Angry At Tehran NAM Summit
  • NAM summit set back U.S.-Israeli campaign to isolate Iran

    [*] Autor de vários livros e centenas de artigos, PhD em Estudos Shakespereanos, iranologista e lexicógrafo. Suas obras foram traduzidas em numerosas línguas. Antigo editor-chefe do Tehran Times, autor de Human Rights in Islam e Iran, Cradle of Civilization.

    O original encontra-se em www.presstv.ir/detail/2012/09/01/259325/nam-towards-breaking-western-monopoly/


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
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