É "pecado imperdoável" o uso de armas de destruição maciça
- Discurso de Abertura da 16ª. Conferência do Movimento dos Não
Alinhados
por Aiatolá Ali Khamenei
[*]
Em nome de Alá, o Benéfico, o Generoso.
Todas as honras a Alá, Senhor dos Dois Mundos. Que a paz e todas as
bênçãos desçam sobre o maior e mais confiável
Mensageiro, todos seus descendentes, companheiros seletos e todos os seus
profetas e enviados divinos.
Saúdo nossos honrados hóspedes, líderes e
delegações representantes dos estados membros do Movimento dos
Não Alinhados, e todos demais participantes desse grande encontro
internacional.
Reunimo-nos aqui para continuar um movimento, com a ajuda e a
orientação de Deus, para dar-lhe nova vida e energia,
consideradas as atuais condições e necessidades do mundo. O
Movimento dos Não Alinhados foi fundado há quase 60 anos,
graças à inteligência e à coragem de uns poucos
líderes políticos atentos e responsáveis que sabiam das
condições e circunstâncias de seu tempo.
Nossos hóspedes reuniram-se aqui, vindos de diferentes pontos
geográficos, uns mais próximos, outros mais distantes, de
diferentes nacionalidades e povos, com características
ideológicas, culturais e históricas diferentes. Mas, como Ahmad
Sukarno, um dos fundadores desse Movimento, disse na famosa Conferência
de Bandung em 1955, o fundamento do Movimento dos Não Alinhados
não é geográfico ou racial, nem a unidade de
religião; o fundamento do Movimento dos Não Alinhados é a
unidade de carências e necessidades. Naquele momento, os estados membros
do Movimento dos Não Alinhados careciam de um elo que os protegesse
contra as redes autoritárias, arrogantes e insaciáveis; hoje, com
o progresso e a disseminação dos instrumentos de hegemonia, essa
carência ainda existe.
Gostaria de destacar mais uma verdade. O Islã nos ensinou que, apesar
das diferenças raciais, linguísticas e culturais, todos os seres
humanos partilham a mesma natureza, que os encaminha na direção
da pureza, da justiça, da generosidade, da compaixão e da
cooperação. Essa natureza humana universal é que
quando consegue afastar-se com segurança das motivações
enganosas conduz os seres humanos na direção do
monoteísmo e da compreensão da transcendente essência de
Deus.
Essa luminosa verdade tem tal poder, que serve como base para a
fundação de sociedades livres e orgulhosas delas mesmas, e que,
ao mesmo tempo, alcançam progresso e justiça para muitos. Ela
permite que a luz da espiritualidade ilumine todos os projetos materiais da
humanidade e, assim, permite que os homens criem para eles mesmos, sobre a
Terra, paraísos de bem-estar, antecipação do
paraíso que depois virá, prometido por muitas religiões. E
é essa verdade comum e universal que pode oferecer os fundamentos da
irmandade e da cooperação fraterna entre nações e
povos que pouco ou nada tenham de semelhança entre eles, em termos de
estruturas externas, passado histórico ou localização
geográfica.
Sempre que a cooperação internacional for baseada nesse tipo de
fundamento, os governos poderão construir relações entre
eles, não baseadas no medo, nem construídas sob ameaças,
ou por ganância, ou baseadas na disputa entre interesses unilaterais, ou
que brotam da mediação de indivíduos traiçoeiros e
venais, mas baseadas em interesses partilhados entre todos e mais
importante que visam a atender a interesses de toda a humanidade. Assim,
os governantes podem dar paz às próprias consciências
despertas e alargadas e podem garantir paz também à
consciência dos seus povos.
Essa ordem baseada em valores é o exato oposto da ordem baseada na
força hegemônica, que tem sido ostentada, propagandeada e
capitaneada pelas potências ocidentais nos últimos séculos;
e pelo governo agressivo e autoritário dos EUA, hoje.
Caros visitantes e hóspedes, hoje, passadas já quase seis
décadas, os principais valores do Movimento dos Não Alinhados
permanecem vivos e firmes: valores como o anticolonialismo, a
independência econômica e política, o não alinhamento
com blocos de poder, e sempre crescentes e aprimoradas solidariedade e
cooperação entre os estados membros. As realidades do mundo
contemporâneo não mostram fartura desses valores. Mas o desejo
coletivo manifestado, somado a esforços amplos e firmes para mudar as
realidades de hoje e realizar aqueles valores, embora carregados de desafios,
são promissores e recompensadores.
No passado recente, assistimos ao fracasso das políticas da era da
Guerra Fria e ao unilateralismo que se seguiu àquelas políticas.
Aprendidas as lições dessa experiência histórica, o
mundo está em transição para uma nova ordem internacional.
E o Movimento dos Não Alinhados pode, aí, desempenhar um novo
papel. A nova ordem terá de ser baseada na participação de
todas as nações e em direitos iguais para todas. Como membros
desse movimento, nossa solidariedade é necessidade óbvia no atual
momento, para estabelecer essa nova ordem.
Felizmente, a visão geral dos desenvolvimentos globais promete um
sistema multifacetado, no qual os tradicionais blocos de poder são
substituídos por grupos de países, culturas e
civilizações de diferentes origens econômicas, sociais e
políticas. Os importantes eventos cuja ocorrência testemunhamos
nas últimas três décadas mostram claramente que a
emergência de novas potências coincidiu com o declínio das
velhas potências. Essa gradual transição de poder oferece
aos países não alinhados importante ocasião para
desempenhar papel significativo no palco mundial e para preparar o terreno para
nova governança global, justa e realmente participativa.
Apesar das muitas perspectivas e orientações, nós, estados
membros desse Movimento de Não Alinhados, conseguimos preservar por
muito tempo nossa solidariedade e os laços que nos ligam, no quadro de
nossos valores partilhados. Não é realização
pequena ou desimportante. Esses laços e nossa solidariedade podem
preparar o terreno para a transição para uma nova ordem humana e
justa.
As atuais condições globais oferecem ao Movimento dos Não
Alinhados uma oportunidade que talvez não volte a aparecer. Nosso
pensamento é que a sala de controle do mundo não deve ser
administrada pelo desejo de poder ditatorial com que a administram os
interesses e desejos de uns poucos países ocidentais.
Tem de ser possível estabelecer e preservar um sistema participativo de
administração dos assuntos internacionais que seja global e
democrático. É o que querem e do que carecem todos os
países que, direta ou indiretamente, foram agredidos por
ações de países tão hegemônicos quanto
violentos e agressivos.
A estrutura e os mecanismos do Conselho de Segurança da ONU são
hoje ilógicos, injustos e absolutamente não democráticos.
Vê-se ali flagrante modalidade de ditadura, antiquada e obsoleta, cujo
prazo de validade já se esgotou. Mediante repetido abuso daqueles
mecanismos impróprios, os EUA e seus cúmplices têm
conseguido mascarar seus atos de injustificável agressão,
travestindo-os com conceitos nobres e impondo-os à força, ao
mundo. Aqueles mecanismos preservam os interesses do ocidente, apresentando-os
como se implicassem "direitos humanos". Os EUA interferem
militarmente em outros países, mascarando a intervenção em
nome de alguma "democracia". Atacam populações
indefesas em vilas e cidades, bombardeando inocentes, como se isso fosse
"combater o terrorismo". Da perspectiva dos EUA, a humanidade
divide-se em cidadãos de primeira e de segunda classe.
A vida humana na Ásia, África e América Latina vale nada;
só é valiosa e cara nos EUA e na Europa Ocidental. A
segurança de EUA e Europa é artigo importante; a segurança
do resto da humanidade vale nada. Tortura e assassinato são permitidos e
absolutamente inatingíveis pela lei, se o torturador e o assassino
é EUA ou os sionistas ou algum de seus fantoches. Nada agita a
consciência deles: mantêm prisões secretas em várias
partes do mundo, em vários continentes, nos quais prisioneiros aos quais
se nega qualquer defesa ou advogado, nega-se até o direito de ser
julgado em tribunal legal, vivem em condições abjetas,
inadmissíveis. O bem e o mal são valores definidos seletivamente,
viciosamente. Impõem seus próprios interesses a
nações livres, como se alguma "lei internacional"
existisse especialmente para legalizar o que é injusto. Impõe sua
dominação e suas exigências, como se fossem exigência
de alguma "comunidade internacional". Usando sua própria rede
de imprensa, comunicação e mídia, exclusiva e organizada,
conseguem mascarar como verdade a falsidade e suas mentiras; a opressão
que impõem, são apresentadas como esforços para promover
alguma justiça. Ao mesmo tempo, apresentam como se fossem mentiras todas
as declarações e informações verdadeiras que
exponham a falsidade e a simulação; e chamam de "rogue"
toda demanda legítima.
Amigos, essa situação daninha e viciosa não pode
continuar. Todos se cansaram dessa estrutura internacional viciosa. O movimento
dos 99% do povo contra os centros de riqueza e poder nos EUA, e os protestos
populares que se alastram na Europa Ocidental contra as políticas
econômicas dos respectivos governos mostram que o povo começa a
perder a paciência. É necessário remediar essa
situação irracional. Elos de conexão firmes,
lógicos, abrangentes, entre os estados membros do Movimento dos
Não Alinhados, podem ter importante função na
ação de encontrar remédio.
Honrado público presente, a paz e a segurança internacional
estão entre as questões cruciais do mundo contemporâneo;
eliminar as catastróficas armas de destruição em massa
é necessidade urgente e demanda universal. No mundo de hoje, a
segurança é necessidade partilhada e não há
espaço para discriminação.
Ninguém, dos que mantêm armas anti-humanidade em seus arsenais,
pode, de modo algum, declarar-se padrão exemplar de guardião da
segurança global. Sequer são capazes de proteger a própria
segurança e a segurança dos seus cidadãos.
Máxima infelicidade é ver que países que mantêm os
maiores arsenais de bombas nucleares do planeta ainda não deram qualquer
sinal de disposição genuína para desmontar esses arsenais
e apagar essas armas anti-humanidade de suas doutrinas militares. De fato,
aqueles países ainda consideram aquelas armas como instrumento
útil para usar como ameaça e como importante padrão
que define a posição política e internacional, de
força, dos países "atômicos". É
indispensável rejeitar e condenar completamente esse conjunto de ideias.
Armas nucleares nem garantem autoproteção e segurança, nem
são fator que consolide algum poder político. Não passam
de ameaças diretas tanto à segurança quanto a qualquer
poder político. Os eventos dos anos 1990s mostraram que a posse de armas
nucleares sequer conseguiu manter no poder um regime como o da antiga
União Soviética. E hoje se veem alguns países expostos a
trágicas ondas de mortal insegurança, apesar das suas bombas
atômicas.
A República Islâmica do Irã define o use de armas
químicas e similares como pecado grave e imperdoável.
Propusemos a ideia do "Oriente Médio livre de armas nucleares"
e continuamos comprometidos com ela. Não implica abrir mão de
nosso direito de usar a energia atômica para finalidades pacíficas
e para produzir combustível atômico. Em estrito respeito à
legislação internacional, todos os países têm
direito de usar energia nucelar para finalidades pacíficas. Todos os
países devem poder empregar essa importante fonte de energia para
várias finalidades vitais, em benefício do país e de seu
povo, sem ter de depender de fornecedores para exercer esse direito.
Alguns países ocidentais os quais, eles mesmos, mantêm arsenais de
bombas atômicas e são culpados, portanto, dessa prática
ilegal, desejam monopolizar a produção de combustível
nuclear. Movimentos clandestinos estão em processo hoje, para consolidar
um monopólio permanente da produção e venda de
combustível nuclear, em centros que têm uma
autorização internacional, mas que, de fato, são
controlados por uns poucos países ocidentais.
Amarga ironia de nosso tempo é que o governo dos EUA, que comanda o
maior e mais mortal arsenal de bombas atômicas anti-humanidade e de
outras armas de destruição em massa e o único
país, em toda a história do mundo, culpado de ter usado bombas
atômicas em situação de guerra tanto faça
para aparecer como paladino da oposição à
proliferação dessas armas.
Os EUA e seus aliados ocidentais armaram o regime sionista usurpador: deram
armas atômicas àquele regime e, assim, criaram a maior e mais
terrível ameaça que pesa hoje sobre toda essa região
sensível. Mas os mesmos, cínicos, mentirosos, falsos, não
admitem que países independentes usem a energia nuclear para finalidades
pacíficas; de fato, opõem-se furiosamente, com toda sua
força, à produção de combustível nuclear
para emprego em equipamentos usados em pesquisa médica,
farmacológica e outras finalidades pacíficas. Usam, como
pretexto, o medo de que esses países venham a produzir armas
atômicas.
No caso da República Islâmica do Irã, os próprios
mentirosos sabem perfeitamente que mentem, mas as mentiras e os mentirosos
são 'autorizados' pelo tipo de política que praticam,
absolutamente carente de qualquer traço, mínimo que fosse, de
espiritualidade. Estado, governo e governantes que fazem ameaças
nucleares em pleno século 21, sem se envergonharem do que fazem e
dizem... por que se envergonhariam de mentir ao mundo?
Reafirmo que a República Islâmica jamais buscou produzir armas
nucleares. Reafirmo também que jamais desistimos ou desistiremos do
direito, que é do povo do Irã, de usar energia nuclear para
finalidades pacíficas. Nosso motto é e sempre foi: "Energia
nuclear para todos e armas nucleares para ninguém."
Insistiremos sempre em cada um desses dois conceitos. Sabemos que quebrar o
monopólio de alguns países ocidentais produtores de energia
nuclear nos termos definidos pelo Tratado de Não
Proliferação é tarefa que interessa a todos os
países independentes inclusive aos membros do Movimento dos Não
Alinhados.
A bem-sucedida experiência da República Islâmica, na
resistência contra a agressão e as pressões dos EUA e seus
cúmplices, já nos convenceu firmemente de que a resistência
de nação decidida a resistir pode vencer todas as hostilidades,
provocações e desamizades, e abrir caminho para que os
resistentes alcancem seus mais altos objetivos. Os amplos avanços que o
Irã obteve nos últimos 20 anos são fatos bem conhecidos de
muitos e repetidamente atestados por observadores internacionais oficiais. Tudo
o que fizemos aconteceu sob sanções e pressões
econômicas, e contra intensivas campanhas de propaganda, de que
são meios e agentes as redes de imprensa, comunicação e
notícias apadrinhadas pelo sionismo e pelos EUA.
As sanções, definidas como "debilitantes", quando
não como "paralisantes" por comentaristas néscios,
não só não nos paralisaram como, ao contrário, nos
obrigaram a dar passos mais firmes, a firmar nossa vontade, e aprofundaram
nossa convicção de que nossas análises são corretas
e que o Irã é mais forte do que supõem os inimigos. Tantos
de nós viram, com os próprios olhos, o quanto Deus nos ajuda
sempre, para superar esses desafios!
Honrados hóspedes, considero necessário falar aqui sobre
importante questão que, embora seja questão dessa nossa
região, tem dimensões que avançam muito além dos
nossos limites e influenciam políticas globais há, já,
várias décadas. Refiro à gravíssima questão
da Palestina.
Em versão resumida, começou por um terrível complô
ocidental, dirigido pela Inglaterra nos anos 1940s. Um país
independente, com clara e conhecida identidade histórica, chamado
"Palestina", foi roubado do povo que ali vivia e, mediante
invasão, guerra, matança, massacres, foi entregue a um grupo de
pessoas das quais a maioria eram imigrantes de países europeus.
Essa quase inacreditável usurpação que, nos
primeiros anos, foi acompanhada de massacres de aldeãos que viviam
indefesos em cidades e vilas palestinas, e que foram ou assassinados ou
expulsos de suas casas e cidades e vilas e terras e empurrados para
países vizinhos, como párias continuou por mais de 60
anos; praticamente os mesmos crimes repetem-se até hoje. Essa é
uma das questões mais importantes a exigir ação firme de
toda a comunidade humana.
Durante todos esses anos, líderes políticos e militares do regime
sionista ocupante não negaram a prática de seus crimes:
assassinatos, destruição de casas e propriedades, prisão e
tortura de homens, mulheres e até de crianças,
humilhação e insultos contra a nação palestina,
tentativas que o regime sionista sempre fez, na intenção de
destruí-la, atacando até os campos de refugiados palestinos em
países vizinhos, nos quais vivem milhões de palestinos. Os nomes
de Sabra e Shatila, Qana e Deir Yasin estão gravados fundo na
história de nossa região, marcados pelo sangue do povo oprimido
da Palestina.
Mesmo hoje, 65 anos depois, o mesmo tipo de crimes marca o tratamento que
recebem os Palestinos que restam nos territórios ocupados pelos ferozes
lobos sionistas. Cometem crime após crime, e criam novas crises para
toda a região. Raramente se passa um dia sem notícias de
assassinatos, ferimentos, prisão de jovens que avançam para
defender a própria terra e a própria honra e protestam contra a
destruição de suas casas e pomares.
E o regime sionista, que ainda não foi punido por seus crimes e causa
conflitos, há décadas, e faz guerras desastrosas, mata, ocupa
territórios árabes e organiza o estado de terror na região
e no mundo... é ele, o próprio regime sionista, quem rotula de
"terroristas" o povo palestino que, ainda e sempre, defende os
próprios direitos usurpados. E as redes de imprensa,
comunicações e mídia, que são propriedade do
sionismo, muitos dos veículos da mercenária imprensa-empresa
ocidental só fazem repetir a grande mentira que os sionistas inventam e
divulgam; e violam, assim valores éticos e morais sem
consideração aos quais o compromisso jornalístico nada
é. E líderes políticos que se dizem defensores de direitos
humanos, mantêm os olhos fechados para os crimes dos sionistas e
apóiam esse regime criminoso e, desavergonhadamente, assumem o papel de
defensores dos sionistas.
Nossa posição é que a Palestina pertence aos palestinos e
que a ocupação continuada é injustiça enorme e
intolerável, além de grave ameaça à paz e à
segurança globais. Todas as soluções sugeridas e adotadas
pelos ocidentais e aliados para "resolver o problema da Palestina"
deram em nada, e continuarão a dar em nada também para o futuro.
Oferecemos proposta para solução justa e inteiramente
democrática. Todos os palestinos os atuais cidadãos e os
que foram forçados a emigrar, mas preservaram a identidade palestina,
inclusive muçulmanos, cristãos e judeus devem votar num
referendum cuidadosamente organizado e supervisionado para ser plenamente
transparente e confiável, mediante o qual escolherão o sistema
político que desejam para seu país; e todos os palestinos que
há anos padecem os sofrimentos do exílio devem voltar ao
país para também votar nesse referendum; isso feito, os
palestinos redigirão uma Constituição; e, então,
haverá eleições. A paz estará, afinal, estabelecida.
Quero agora dar um bem-intencionado conselho aos políticos dos EUA que
sempre aparecem para defender e apoiar o regime sionista. Até o
presente, esse regime só criou incontáveis problemas
também para vocês. Apresentou aos povos dessa região uma
imagem de intolerância e ódio, que se agrega à
própria imagem de vocês; mostra-os ao mundo como cúmplices
dos crimes de ocupação e usurpação praticados pelos
sionistas. O custo material e moral que pesa sobre o governo e o povo dos EUA,
pelo apoio que alguns políticos norte-americanos dão aos
sionistas, é espantosamente alto, e muito mais alto ainda poderá
ser, no futuro.
Considerem, portanto, a proposta de um referendum palestino, que lhes foi
encaminhada pela República Islâmica. Em seguida, em decisão
corajosa, salvem-se vocês mesmos dessa situação
impossível, sem saída, na qual se veem hoje, aliados ao regime
sionista ocupante e usurpador. Não há dúvidas que o povo
dessa região e os homens e mulheres de pensamento justo e livre em todo
o mundo acolherão com satisfação a notícia.
Distintos hóspedes, gostaria agora de voltar ao meu ponto inicial. As
condições globais são sensíveis; o mundo passa por
conjuntura histórica crucial. Pode-se prever que logo nascerá uma
nova ordem mundial. O Movimento dos Não Alinhados, no qual se incluem
quase dois terços da comunidade mundial, pode desempenhar papel
importante na modelagem desse futuro.
A realização dessa grande conferência em Teerã
é, por si mesma, evento importante, a ser levado em
consideração. Ao unirmos nossos recursos e nossas
competências e capacidades, os membros do Movimento dos Não
Alinhados podemos criar novo e duradouro papel histórico, na
direção de salvar o mundo da falta de segurança; dos
perigos das guerras; e das ameaças da hegemonia.
Esse objetivo só é alcançável mediante a
cooperação abrangente entre todos nós. Há entre
nós alguns países muito ricos; há países que gozam
de importante influência internacional. É absolutamente
possível encontrar soluções para muitos problemas mediante
cooperação econômica e no campo da
informação, das comunicações e da mídia, e
mediante a troca de experiências que nos ajudem a melhorar e
avançar. Precisamos fortalecer nossa determinação Temos de
nos manter fieis aos nossos objetivos.
Não temos o que temer das potências provocadoras e arrogantes,
cada vez que nos fazem caretas e gritam, supondo que nos metam medo; nem temos
de sorrir em resposta, cada vez que nos sorriem. Temos, para nosso apoio e
suporte, o desejo de Deus e suas leis.
Temos muito a aprender do que se viu acontecer ao campo comunista, há
duas décadas. E também temos a aprender do fracasso das
políticas da assim chamada "democracia liberal ocidental",
hoje. Os sinais do fracasso daquelas políticas são hoje bem
visíveis nas ruas da Europa e dos EUA e nos problemas econômicos
insolúveis nos quais se debatem aqueles países.
Por fim, temos de considerar como grande oportunidade o Despertar
Islâmico na região e o fim dos governos ditatoriais no Norte da
África, que sempre foram governos dependentes dos EUA e cúmplices
do regime sionista. Podemos ajudar a aumentar a "produtividade
política" do Movimento dos Não Alinhados na
governança global. Podemos preparar um documento histórico, que
vise a provocar mudança nessa governança e contribua como
ferramenta de governo e administração. Podemos construir planos
para efetiva cooperação econômica e definir paradigmas de
relacionamento cultural entre nós. E criar um secretariado ativo e
mobilizado para o Movimento dos Não Alinhados será ajuda
significativa, importante para que se alcancem os outros objetivos. Muito
obrigado.
30/Agosto/2012
[*]
Líder Supremo da República Islâmica do Irão
O original encontra-se em
http://www.presstv.ir/detail/2012/08/30/259025/leaders-inaugural-speech-at-nam-summit/
Tradução de
vila.vudu@gmail.com
Este discurso encontra-se em
http://resistir.info/
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