A NEP e o artigo "A inflação e o Federal Reserve"

por Ciro de Oliveira Machado

Ciro de Oliveira Machado. Richard Cook, no artigo "A inflação e o Federal Reserve" [1] , conceitua a atuação do Fed na política econômica norte americana. Sem contrariar os seus conceitos tão brilhantemente expostos, vamos, complementá-los, porque o Modelo Matemático da Nova Economia Política (NEP) reúne um suficiente número de variáveis que explicam com clareza a fixação dos preços e o desenrolar dos fenômenos econômicos, quer seja nos EUA, quer seja em qualquer outro país do mundo. Assim, faremos uma análise da variação de preços (inflação e deflação), da real significação do sistema bancário, do pleno emprego (cuja implementação deveria ser o principal objetivo da política econômica) e da presença dos Estados Unidos como emissores da moeda nacional e internacional dólar, espalhada por todo o mundo.

Na segunda parte do livro "A Nova Economia Política", "O Continuum Político Econômico" [2] , estão lançadas as bases deste Modelo Matemático Geral, que explica a economia e a fixação (ou variação) dos preços. Lá estão expostos modelos representativos desde a época dos homens das cavernas até à Revolução Industrial, desde as Colônias Inglesas da América e da fase do dólar, com a descrição da dramática economia dos EUA, até chegar ao moderno Japão de hoje. No último capítulo desta segunda parte estão os conceitos básicos que constituem nosso Modelo Padrão, quais sejam o Equilíbrio Econômico, o conceito da Moeda Neutra e o conceito da Taxa de Juros de Equilíbrio, fundamentais também para as nossas considerações.

Na descrição dos 20 capítulos que constituem a segunda parte deste livro estão inclusas quase todas as questões aqui analisadas, porém de uma forma dispersa, sem o enfoque deste artigo, que visa analisar a política econômica dos EUA segundo os preceitos do FED.

Vejamos os conceitos relativos à variação de preços dos EUA, especificamente à inflação, segundo a descrição de Richard Cook.

Pela NEP, os conceitos relativos à inflação e à deflação não são excludentes, mas se somam , sinal positivo em relação à inflação, sinal negativo em relação à deflação, ao retratarem a economia de qualquer sistema. Assim, ao ser detectada uma variação de preços, sua medida será a soma dos componentes desta inflação, cada uma das quais tendo sua gênese numa mudança por que passa sua equação-identidade de produção. Eliminar um componente de variações de preços, é eliminar a própria causa desta variação. Isto apenas será possível se o Governo do sistema tiver força política e interesse para tal. Daí chamarmos esta Economia de Economia Política.

Cook, não fala em deflações. Elenca os diversos "tipos" de inflação, ou seja, há subida de preços quando:

1- Se esgotam ou se reduzem a quantidade de matéria prima utilizada.
Esta causa da inflação pode ser sanada pela inovação tecnológica.

2- Há mudanças em relação à procura e à oferta de bens.
Quando determinado bem está na moda ou passa a ser absolutamente necessário, sua compra é a primeira opção. Há, então, aumento de preço ou inflação no preço do bem, que se prolonga até que outras empresas passem a produzi-lo, o que reduziria o seu preço.

3- Há prática predatória no estabelecimentos de preços por monopólios. Por exemplo, o preço do petróleo, hoje na casa dos US$ 80 por barril, tende a aumentar, não só por causa do monopólio, mas pelo câmbio do dólar em relação às principais moedas do mundo, inclusive ao Real brasileiro, ou seja, pela inflação do dólar.

4- O Banco Central – FED emitiu uma grande quantidade de moedas inflacionárias que foram postas em circulação através do financiamento de empresas "dot.com", a maior parte delas sem quaisquer condições para receber esses empréstimos, devido à concorrência entre elas e às poucas oportunidades de crescimento. Esta é a causa da recente bolha da Internet e a causa da queda das ações americanas.

5- O Banco Central - FED emitiu uma grande quantidade de moedas inflacionárias que foram postas em circulação através do financiamento para a construção de residências na cidade, no litoral e no campo. Esse financiamentos foram transferidos à consumidores, a maior parte dos quais sem a menor condição de arcar com estes compromissos, mas geraram um grande lucro nas empresas fornecedoras de materiais de construção, construtoras, incorporadoras e corretoras, deixando o compromisso da dívida para os bancos do sistema, que por sua vez venderam esses ativos sub prime a outros bancos nacionais e internacionais, que venderam estes ativos a um sem número de aplicadores, numa autêntica operação CDO – "Collaterized Debt Obligations". Esta é a causa da atual bolha das hipotecas sub prime.

6- O Governo concede ao funcionalismo público aumentos nominais e reais, gerando um componente a mais do déficit público e uma inflação sempre crescente;

7- Há guerra ou há preparação para a guerra, pois os enormes financiamentos para a guerra são extremamente estéreis, não envolvendo qualquer investimento para nenhuma forma de bem estar físico ou psicológico da população.

A Nova Economia Política vai acrescentar outras causas para as variações de preços, quer sejam da inflação, quer sejam da deflação.

Existe inflação, quando:

8- O Banco Central dos EUA – FED, financiou os consumidores, via bancos do sistema, para a venda de produtos com preços superiores aos preços normais máximos que seriam cobrados não fosse a presença do FED, permitindo, assim, que as Corporações tivessem e tenham uma rentabilidade superior à rentabilidade máxima que aconteceria se a oferta fosse igual a demanda. O preço da oferta, com lucro acima do normal, superou o preço normal de demanda do consumidor, que pagou ou está pagando não só o preço normal da demanda, mas também a diferença entre eles, em prestações, acrescida de juros. Esta operação, típica do capitalismo norte-americano, é a própria faceta desse capitalismo. Iniciou-se na década de 1920, em plena Golden Age, gerando as condições econômicas para a eclosão da Grande Depressão, pois os consumidores dos EUA, mercê das dívidas contraídas, deixaram de comprar. O mesmo está acontecendo hoje, com a presença dos EUA nos quatros cantos do mundo, envolvendo todos os consumidores, de qualquer nação, que também estão deixando de comprar. É com esta prática que as lideranças norte-americanas estão de acordo; aceitaram e aceitam que isto aconteça, porque aí esta a fonte de lucro de suas corporações , mesmo com as dívidas impagáveis de seus consumidores. Estas organizações recebem no ato, deixando o compromisso das dívidas para a banca, que fica em segundo plano, como os bois de piranha do sistema econômico. Esta será conhecida como a bolha da "falsa lucratividade".

9- As Corporações dos EUA, juntamente com o seu Governo e os militares vencedores da II Grande Guerra, de 1944 em diante, elegeram o mundo como seu quintal, e passaram a economicamente governá-lo, usando o dólar que tudo comprava, como seu principal embaixador. Ao se tornar o dólar uma moeda internacional, reservas em dólares foram formadas em todo o mundo para o comércio exterior e empréstimos em dólares foram concedidos aos países em desenvolvimento, tanto para a formação de reservas como, principalmente, no início, para compras nos EUA. Foram mais de 63 anos de intensa regalia (agora já em fase terminal), em que tudo o que tivesse valor, quer fossem as empresas lucrativas, quer fossem as mercadorias de consumo mais finas e requisitadas, quer fossem os recursos de produção no exterior (materiais primários e força de trabalho) adquiridos por preços inferiores aos dos EUA , – foram "comprados" pelos EUA em troca de nada ou quase nada (papel verde quase sem valor). Os EUA assim impediram de vez a volta da Grande Depressão e prepararam o futuro para a Grande Inflação, na medida em que a imensa quantidade de dólares emitidos não tinha correspondência na produção norte-americana. O dólar é apenas uma moeda nacional: faz às vezes de moeda internacional, mas só tem um destino: comprar bens produzidos nos EUA, qualquer que seja o nível de inflação. Hoje a contabilidade é completamente diferente. De credor do mundo, os EUA passaram a ser os maiores devedores do mundo. Em que? Em dólares, bilhões de bilhões de dólares virtuais distribuídos às mancheias. Hoje esses dólares não pertencem mais aos EUA e sim aos seus principais parceiros comerciais, ao público em geral, às carteiras de derivativos e aos bancos. Temos um nome para esta bolha: esta será a bolha da "ilusão".

10- O Banco Central – FED, ao se deparar com uma bolha (seja a bolha da Internet, das hipotecas sub prime e outras que virão) continua a emitir moedas inflacionárias Seu objetivo, conforme muito bem analisado por Cook, é preservar a riqueza dos bancos que nunca pode ficar comprometida, porque assim, preservam a lucratividade virtual das corporações. Assim vai ser até o dia (que se aproxima rapidamente) em que o dólar não mais terá qualquer valor. Esta seria a bolha "das bolhas".

O que vimos é que os EUA tem uma imensa quantidade de dólares redundantes, sem qualquer correspondência em termos de bens e serviços internamente produzidos e que ainda não foram incorporados em sua economia completamente desequilibrada. Ao serem incorporados, basicamente pelo retorno da moeda redundante, provocarão uma grande inflação.

São as inflações não declaradas da economia que provocam as deflações. O maior problema dos EUA, se é que todos os seus problemas não são grandes problemas, é o da deflação, presente em todas as operações externas e internas em que os EUA tem deficites. Assim como superávites na balança de pagamentos (e também os raros, se é que existentes, superávites na balança pública), produzem inflação (porque toda a moeda corrente será distribuída na demanda por um número menor de bens do que o produzido pelo sistema, provocando assim um aumento de seus preços), deficites nesta balança produzem deflação, devido ao efeito contrário: toda a moeda corrente será distribuída na demanda por um número maior de bens do que o produto produzido pelo sistema, provocando, assim, uma diminuição dos seus preços.

A economia norte-americana apresenta hoje um déficit acumulado de centenas de milhões de milhões de dólares, num número bastante difícil de ser calculado. O dólar é fundamentalmente uma dívida, emitida inicialmente pelo FED e depois por uma série muito grande de bancos internos aos EUA e que portanto, são regulados em termos do que emitir, e uma série também muito grande de bancos em "paraísos fiscais", sem regras para a emissão ou podendo emitir continuamente. Comecemos pelos deficites oficiais, seja os US$10 x 10 12 nas contas comerciais externas e os US$10 x 10 12 nas contas públicas internas, sejam os US$80 x 10 12 de deficites internos somando-se os débitos do público com cartões de crédito, financiamentos de autos, hipotecas, empréstimos pessoais, empréstimos às corporações como capital de giro, investimentos, aquisições etc., US$ 30 x 10 12 colocados (ou US$ 340 x 10 12 de movimentação) nos mercados de derivativos, a presença mundial dos EUA nas guerras (Iraque, Afeganistão, Irão (?), no crédito a favor e contra (muito mais contra do que a favor), nas multinacionais (quase todas, literalmente falidas, se mudarem os conceitos dos créditos e financiamentos), – esses débitos se tornam cada vez mais problemáticos porque para uma dívida de três dígitos de milhões de milhões de dólares, os EUA dependem fundamentalmente de créditos em milhares de milhões de dólares, postos diariamente no Tesouro Americano por países entre os quais China, Japão e outros países asiáticos, simplesmente para fechar os juros dessas contas.

Esta é uma situação absolutamente desequilibrada e tende a desaparecer. Acresça-se a isto que a divisa dólar será substituída no comércio de petróleo, como fez o Iraque antes da invasão, como está fazendo o Irão e Rússia nos dias que correm, como irá fazer México, Venezuela etc, em pouco tempo.

A NEP calcula que o dólar, em pouco tempo irá valer menos de 5% do que vale hoje, mesmo com o desvalorizado câmbio atual. A menos que venha a ser declarada uma guerra pelos EUA, quando então tudo não passará de suposições, porém sem a presença do dólar como moeda internacional.

Os EUA, via Wall Street passaram a inventar uma série de estratagemas econômicos para gerir essa moeda redundante, tais como bancos "off shore" (para depósitos dos saldos de eurodólares, petrodólares e outros dólares virtuais); "finanças estruturadas" ou seja o mercado de opções, futuros e derivativos produtor do nada moderno, responsável pelos lucros e prejuízos dessa moeda redundante; " collaterized debt obligation " ou CDO, responsáveis por espalhar prejuízos para aplicadores de todo o mundo, e outros que tais.

A faceta principal do capitalismo norte-americano foi sempre colocar o FED no negócios, inclusive nas antevésperas da Grande Recessão, financiando bens e serviços vendidos acima do preço normal, gerando lucros extras para as corporações e recessão no comércio, provocando uma inflação real porém datada para ocorrer no futuro.

Os EUA, após 1944, tornou-se internacional. Inicialmente procurou evitar a continuidade da Grande Depressão. Se antes de 1944 o público interno dos EUA não bastava para evitar a depressão, o público do mundo era o suficiente.

A Grande Depressão ocorreu após 30 anos do início da Golden Age, numa época em que os EUA tinham comércio normal com o mundo.

Já se passaram 63 anos desde 1944, agora com os EUA totalmente voltados para o mundo. Nesse período de 63 anos as corporações dos EUA não mudaram suas artimanhas e prepararam, de novo, com esmero, a depressão dos próximos tempos, que chamaríamos de Depressão Máxima.

Uma igualdade entre a oferta e a demanda de bens e serviços é sempre recomendada como regra geral em todas os compêndios de economia que tratam de equilíbrio, inclusive na NEP.

A NEP procurou ir à fundo na análise do processo econômico, destacando uma variável fundamental nestes processos de venda e compra: a moeda.

Richard Cook e a NEP não concordam que a moeda seja algo de valor intrínseco, criado pelas "forças do mercado", sendo, pois, um "dado adquirido". Também não concordam que a "política monetária é um assunto técnico só compreensível para os especialistas, e portanto deve estar fora da discussão política".

A NEP considera a moeda como sendo uma variável técnica do sistema econômico em foco e que pode ser determinada pela análise do quanto de capital de giro é necessário ao setor produtivo: uma empresa produtora de jornais, por exemplo, vendidos e recebidos diariamente, irá precisar de 1/365 do capital de giro de um, por exemplo, fabricante de navios, que leva um ano para a entrega de um navio, admitindo-se que não haja pagamentos antecipados e que a empresa de jornais e de navios têm o mesmo faturamento. A NEP considera que a política monetária pode ser determinada em função do crescimento pretendido ou projetado para um sistema.

Seja um sistema político-econômico com preços estáveis, em equilíbrio (não importa qual seja o equilíbrio), crescendo em 3% ao ano, sem qualquer tipo de progresso tecnológico ou seja, mantendo os mesmos coeficientes técnicos de produção. Este sistema terá no segundo ano, 3% a mais de moeda, senão não haveria este crescimento, pois cada setor produtivo necessitará de 3% a mais de moeda para comprar seus produtos intermediários, pagar seus salários, pagar seus impostos, investir e ter rendas. A forma pela qual esses 3% a mais de moeda entrará no sistema será através das empresas, que receberão do Banco Central ou de um de seus representantes, 3% a mais de moeda ou capital de giro (além dos 100% que já deverão ter) para crescer esses 3%. Suponhamos que a empresa considere que deva crescer 5%. Ela irá receber 5% a mais de capital de giro do Banco Central (sempre mediante um seguro para esta moeda adicional, que será coberto pela venda efetiva dos produtos adicionais...).

Se tivermos neste sistema a invenção de uma mercadoria com uma lucratividade esperada superior à das demais empresas, é de se esperar que os investimentos sejam canalizados para esta empresa, sejam os investimentos da empresa inventora, sejam os investimentos das demais empresas do sistema, uma vez que todos os empresários são livres, desejam satisfazer os desejos do consumidor e querem ter o maior lucro possível.

Mas com o sistema em Equilíbrio Econômico, o maior lucro possível é sempre menor do que o do período anterior pois a mais alta lucratividade diminui e a mais baixa, aumenta, período após período produtivo. Haverá sempre um recorde no crescimento e desenvolvimento econômico, mas, havendo uma correspondência entre moeda e mercadorias produzidas, o sistema terá como limite de lucro a taxa de rendimento relativa ao seu crescimento. Esses conceitos foram analisados no artigo "O pleno emprego" [3] .

Estão aí os primeiros princípios daquilo que a NEP chama de Equilíbrio Econômico: valor da oferta de bens e serviços sempre tendendo ao valor da demanda de bens e serviços (incluso despesas iguais às receitas governamentais, e, exportações de bens e valores iguais às importações de bens e valores), e, x% a mais de moeda para o setor que se propuser crescer x% (mediante um seguro...) e assim para os demais. À este último princípio, a NEP chama de emissão de moeda neutra.

O outro princípio fundamental que deverá ser seguido está ligado à fixação das taxas de juros presentes nas transações monetárias entre empresas. Cada setor do sistema auferirá lucros que deverão ser superiores, iguais ou inferiores aos investimentos projetados deste setor. Os setores que auferirem lucros superiores aos investimentos programados, deverão emprestar, via bancos, que cobrariam um spread, o saldo para os setores que auferirem lucros inferiores ao investimentos programados, e o valor do juro deverá ser inferior à taxa de rendimento sobre o capital investido deste setor tomador de empréstimos. (Ou então qualquer setor com lucratividade superior, passará a contar com os lucros de outros setores, não suficientemente rentáveis, o que irá fazer com que diminua a taxa de monopólio da economia e baixem os preços dos itens mais caros.)

São estas as condições do Equilíbrio Econômico presentes na NEP. São formalmente simples, porém politicamente de dificílima execução.

No "Equilíbrio Econômico" não se aceitam o monopólio da banca em relação aos produtores, pois a banca nada produz. Não se aceitam a banca e suas reservas bancárias divisionárias pois a banca será eminentemente técnica, com emissões apropriadas ao momento econômico. Não se aceitam que os créditos sejam considerados como dívidas, mas sim como concessão, enquanto durar a produção desta ou de qualquer outra mercadoria. Não se aceitam, nos dizeres de Cook, que "hoje em dia é o poder político da banca e dos financeiros que impede que as questões monetárias sejam examinadas e debatidas como deveriam ser".

O "Equilíbrio Econômico" oferece as condições ideais para os produtores de bens e serviços" úteis, dando a eles toda a liberdade de ação criativa quanto ao que fazer, ao que inventar, em que investir , se no próprio negócio, se em negócio de terceiros. No "Equilíbrio Econômico" estão resolvidas as questões do pleno emprego e do crescimento e do desenvolvimento máximos.

Concordamos com Cook na conceituação do pleno emprego. O obsoletismo de um emprego pelo fato da mercadoria se tornar não comercialisável impõe um certo desemprego estrutural, passando, assim, o pleno emprego a levar em consideração este componente. Não concordamos, contudo, nas afirmativas de que os objetivos da política econômica não devem ser a estabilidade de preços e o pleno emprego. Segundo Cook, os preços tendem a subir continuamente, a não ser que sejam reprimidos por forças anti-naturais. A análise matemática da NEP não pensa assim.

No Equilíbrio Econômico proposto pela NEP, a forma pela qual aumentam os salários reais da população é pelo rebaixamento dos preços das mercadorias, que passam a ser produzidas com técnicas cada vez mais sofisticadas e preços mais baixos, tanto na parte dos bens intermediários, como na parte produtiva da mercadoria em si, quer seja quanto aos processos de fabricação quer seja quanto a evolução dos produtos. Se tivermos um ambiente que ofereça estas condições ideais de produção, será o pleno emprego que irá maximizar esta produção. Está é a única definição daquilo que chamamos "concorrência perfeita", que deve ser sempre, ainda que não a alcancemos, o objetivo principal da economia.

Não concordamos com a afirmativa de que a inflação é um facto da vida que é impossível de controlar.

Ao nosso ver, a Décima Terceira emenda, que afirma que "Nem a escravidão nem a servidão involuntária existirão dentro dos Estado Unidos" precisaria ser estendida a todos os países do mundo. As lideranças dos EUA não acreditam nisso e assim não o praticam, nem com relação a própria população obreira dos EUA, nem com relação à população obreira dos demais países do mundo.

Não basta as lideranças norte americanas terem escrito que o primeiro dever do FED é "orientar a política monetária do país influenciando a moeda e as condições de crédito na economia na prossecução do pleno emprego e da estabilidade de preços". Richard Cook e a NEP desmentem de forma cabal essa missão, que nunca foi o objetivo do Fed. Cook opina que o "Fed não sabe o que anda a fazer"; a NEP opina que neste 63 anos o Fed vêm agindo rigorosamente dentro dos princípios que o criou, na defesa do lucro das corporações norte americanas, sem levar em consideração o que aconteceu e o que no acontece no resto do mundo.

Richard Cook, diante de uma constatação por demais óbvia que os "Estados Unidos cambaleiam agora à beira do maior colapso financeiro" não tem outra visão senão apelar para os documentos dos fundadores da cultura americana, que afirmavam que "todos os homens nascem iguais, portanto, a todos deve ser dada igual possibilidade de viver, crescer e adaptar-se à mudança, sem que haja colisão com os outros a fazer o mesmo" e, no preâmbulo da Constituição, onde se estabelece "o princípio do bem estar geral, não só para a sociedade existente, mas para a posteridade". Só que os fundadores e seus correligionários seguidores não exerceram a vigilância necessária sobe a política econômica adotada.

Cook faz algumas considerações sobre a Física. Qual é o objetivo da Ciência Física de hoje? Afirmamos que seja reunir, num só sistema, a explicação da origem de todas as forças, inclusive, das forças gravitacionais, estas ainda fora da Grande Explicação. E da Economia Política? Afirmamos que seja reunir num sistema ou num modelo, a explicação de todas as forças econômicas detectadas na Economia Política. A NEP foi formulada com esta pretensão e está sempre aberta às críticas e sugestões daqueles que procuram um mundo bem melhor

Lembremo-nos das palavras atribuídas a Saint Germain: "Todo o postulado – seja de índole social, econômica ou científica – deverá inspirar, a todo o homem, a liberdade que permite o seu progresso. Todo o postulado que trate de conduzir progressivamente a humanidade nestes campos, deverá admitir a possibilidade de mudanças sem comprometer de maneira alguma essas asas infalíveis do espírito humano que se denominam – vida, liberdade e busca da felicidade. É certo que a oportunidade para o progresso e a liberdade para a inovação não poderão afetar a imutabilidade da verdade divina nem a integridade do Logos, cujo poder emite sua palavra desde as infinitas alturas a que conjuntamente aspiramos." [4] Tal prática foi, é e será feita por Homens de boa vontade, após, talvez, os efeitos terríveis da Depressão Máxima.

[1] Richard C. Cook, Richard C. - "A inflação e o Federal Reserve", resistir.info, http://resistir.info/eua/cook_02out07_p.html , 08/Out/2007.
[2] Machado, Ciro de Oliveira, "A Nova Economia Política", OM Editora Ltda, 2003. Este livro, em sua tradução para o inglês, está para ser editado no site da NEP, www.nep2000.ecn.br .
[3] Machado, Ciro de Oliveira - "Notas Acerca de Dois Artigos Sobre a Crise Financeira e Monetária – O Pleno Emprego", resistir.info, http://resistir.info/brasil/pleno_emprego.html , 12/Set/2007.
[4] La ciencia de la Auto-Transformación, pg 33, Editorial Humanitas, 1966.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
21/Out/07