Uma saída não limpa
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Milhões |
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Milhões |
| DÍVIDA DAS ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS | 188.681 | 252.914 | 64.233 | 34,0% | 258.391 |
| DÍVIDA DAS EMPRESAS PÚBLICAS | 44.456 | 44.886 | 430 | 1,0% | 44.746 |
| DÍVIDA DAS EMPRESAS PRIVADAS | 305.830 | 306.973 | 1.143 | 0,4% | 306.644 |
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PME (366.000 empresas)
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187.830 | 165.251 | -22.579 | -12,0% | |
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Grandes empresas (1000 empresas)
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71.741 | 89.021 | 17.280 | 24,1% | |
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Sociedades gestoras de Participações Sociais Grupos
económicos (3.000 empresas)
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46.287 | 52.701 | 6.414 | 13,9% | |
| DÍVIDAS DOS PARTICULARES (Famílias) | 178.610 | 159.918 | -18.692 | -10,5% | 158.852 |
| POSIÇÃO DO INVESTIMENTO INTERNACIONAL (saldo devedor do país ao estrangeiro) | 184.008 | 196.642 | 12.634 | 6,9% | |
| EMPREGO (milhares) | 4.866 | 4.561,5 | -305 | -6,3% | |
| Número de trabalhadores com salários declarados à Segurança Social (milhares) | 3.222 | 2.941 | -281 | -8,7% | 2.906 |
| DESEMPREGO OFICIAL (milhares) | 689 | 827 | 138 | 20,0% |
Segundo dados do Banco de Portugal divulgados nos seus Boletins
Estatísticos, após a assinatura do "Memorando" com a
"
"troika"
pelo governo do PS, e pelo PSD e CDS, e com a implementação das
medidas constantes dele pelo governo PSD/CDS, a divida das
Administrações Públicas (Administração
Central, Regional e Local) nunca mais parou de crescer. Assim, entre
Março de 2011 e Dezembro de 2013, ou seja, em apenas 2 anos e 9 meses
passou de 188.681 milhões para 252.944 milhões ,
isto é, aumentou 34% (+64.233 milhões ). Mesmo em 2014, em
apenas dois meses (Dez.2013/Fev.2014) cresceu 5.477 milhões .
Também entre Março de 2011 e Dezembro de 2013, a divida das
empresas públicas aumentou em 430 milhões (passou de
44.456 milhões para 44.886 milhões ), tendo
diminuído 140 milhões nos dois primeiros meses de 2014.
Portanto, a "
saída limpa
" de que tanto fala o governo e os seus defensores na sua propaganda e
campanha de manipulação da opinião pública
não é outra coisa que um Estado (Central, Regional e Local) mais
endividado, mais dependente e amordaçado aos interesses dos credores,
principalmente grandes grupos financeiros. É este o
"excelente" trabalho que fizeram estes "senhores" nos
últimos 3 anos. Alvaro de Santos Pereira e Vitor Gaspar já foram
premiados pelo "bom" trabalho realizado, tendo sido já
contratados para cargos bem remunerados, o primeiro pela OCDE, e o segundo pelo
FMI. E é previsível que suceda o mesmo a muitos mais após
a sua passagem pelo governo.
Mas o gigantesco endividamento do país não se restringe apenas ao
Estado, seja ele Central, Regional e Local. Ele também existe no setor
privado, quer sejam empresas quer particulares (famílias). E durante
estes 3 anos a situação não melhorou significativamente
como também mostram os dados do Banco de Portugal constantes do quadro 1.
Assim, as dividas das empresas privadas que já atingiam um valor
insustentável (pois é um obstáculo ao investimento) em
Março de 2011 305.830 milhões não
diminuiu durante os últimos dois anos e 9 meses, até aumentou em
1.143 milhões , tendo atingido 306.973 milhões em
Dezembro de 2013. No entanto, o que se verificou neste período foi uma
redução do crédito às PME (-22579 milhões
), em benefício das grandes empresas (o crédito a estas
aumentou em 17.280 milhões ) e às SGPS (+6.414
milhões ) que, na sua maioria, são "holdings" de
grupos económicos. O crédito aos particulares (famílias)
e, consequentemente, o seu endividamento diminuiu neste período em
18.692 milhões , tendo-se reduzido também nos dois
primeiros meses de 2014 em 1.066 milhões . Os dados do Banco de
Portugal também constantes do quadro 1, mostram que, entre Março
de 2011 e Dezembro de 2013, foram destruídos em Portugal pela politica
imposta pela
"troika"
e pelo governo PSD/CDS, 305.000 empregos, que o número de
trabalhadores a descontar para a Segurança Social diminuiu em 281.000
(nos dois primeiros meses de 2014, tornaram a diminuir em mais 35.000)
, e que o desemprego oficial aumentou em 138.000.
Eis alguns traços da "saída limpa" que o governo
PSD/CDS e a "troika", e seus defensores tanto se gabam após os
gigantescos sacrifícios que tiveram de suportar os portugueses
(cerca de 30.000 milhões de cortes em despesas essenciais e em
aumento de impostos).
PORTUGAL COM UMA DIVIDA INSUSTENTÁVEL ACORRENTADO A UM PACTO
ORÇAMENTAL EUROPEU QUE O IMPEDE DE CRESCER E DESENVOLVER
Mesmo que consideremos a divida pública na ótica de
Maastritch
(a divida considerada pela "troika"), que não inclui a
totalidade das dividas das Administrações Públicas
(Central que é o Estado, Regional e Local), mesmo assim o aumento da
divida durante estes três anos de "
troika"
e de governo PSD/CDS não deixa de ser significativo e preocupante como
mostram os dados divulgados pelo Banco de Portugal constantes do quadro 2
Quadro 2 Divida Pública na ótica de
Maastritch
e empréstimos obtidos pelo Estado que não foram utilizados
constituindo uma reserva cara para os portugueses
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Milhões |
Milhões |
Milhões |
% |
Milhões |
| DÍVIDA DAS ADMINISTRAÇÕES PÚBLICA | 188.681 | 252.914 | 64.233 | 34,0% | 258.391 |
| Dívida na ótica de Maastricht | 163.356 | 213.631 | 50.275 | 30,8% | 220.591 |
| Dívida na ótica de Maastricht deduzida dos depósitos da Administração Central | 159.616 | 196.302 | 36.686 | 23,0% | 196.920 |
| Depósitos da Administração Central (Estado) na maioria obtida através de empréstimos | 3.740 | 17.329 | 13.589 | 363,3% | 23.671 |
| Dívida na ótica de Maastricht em % do PIB do ano (*) | 95,5% | 129,0% |
Segundo dados do Banco de Portugal (quadro 2), entre Março-2011 e
Dezembro-2013, a divida pública, na ótica de
Maastritch
(o valor considerado pela "troika") aumentou em 50.275
milhões , pois passou de 163.336 milhões para
213.631 milhões (30,8% em apenas 2 anos e 9 meses). Em
percentagem do PIB, subiu de 95,5% para 129% do PIB.
No quadro 2 existe um outro dado divulgado também pelo Banco de Portugal
sobre o qual interessa refletir pois ele mostra bem o carater deste governo.
São os depósitos que o Estado tem em bancos, sendo a sua
esmagadora maioria financiados com empréstimos obtidos junto de grandes
grupos financeiros pelos quais paga juros elevados. Em Março de 2011
somavam 3.740 milhões e em Fevereiro de 2014 já
totalizavam 23.671 milhões . Admitindo que o Estado pague uma taxa
de 3,5%, que é a taxa mais baixa obtida até esta data, isso
determina uma despesa em juros por esta almofada financeira que não
está a ser utilizada (serve de reserva de segurança) de 828
milhões por ano, um montante que é pouco inferior ao
rendimento dos pensionistas de que este governo se apropria através da
chamada Contribuição Extraordinária de Solidariedade
(CES). Os comentários são inúteis para um governo em que
as pessoas não contam nada e que se dá ao luxo de pagar um
montante tão elevado de juros por dinheiro que não utiliza.
A divida pública na ótica de
Maastritch
que cresceu 30,8% em apenas 2 anos e 9 meses, atingindo no fim do ano de 2013
o correspondente a 129,4% do PIB terá de ser reduzida para apenas 60%
num período de 20 anos como consta do artº 4º do "
Tratado sobre a estabilidade, coordenação e
governação da União Económica e
Monetária",
mais conhecido por Pacto Orçamental aprovado pelo PS, PSD e CDS na
Assembleia da República por imposição da Alemanha. Isto
significa que Portugal após a saída da "troika"
está obrigado não só a pagar os juros da divida que
correspondem a acerca de 4,5% do PIB por ano
(cerca de 7.500 milhões por ano, ou seja quase tanto quanto o
Orçamento do Estado transfere para o SNS),
mas também a reduzir a divida pública em cerca de 3 pontos
percentuais por ano, o que corresponde a mais 5.000 milhões por
ano. Para além disso, está também obrigado, de acordo com
a alínea b) do artº 3º do mesmo Pacto Orçamental, a
reduzir o "
défice estrutural a 0,5 % do produto interno bruto a preços de
mercado
". E se não cumprir as obrigações do Tratado fica
sujeito a penalizações, incluindo pecuniárias que podem
atingir 0,1% do PIB (no caso português corresponde a 169 milhões
) conforme está estabelecido no artº 8º do mesmo
Tratado. É evidente que estas imposições do Tratado
Orçamental são um obstáculo que impedirão um
crescimento não anémico da economia e o desenvolvimento do
país durante dezenas de anos. Afirmar que Portugal fará uma
"saída limpa", procurando assim criar a ideia que a
situação futura será muito diferente da atual é
mentir e manipular a opinião pública, se aquele garrote se
mantiver,
A ARROGÂNCIA DO FMI E O SERVILISMO DO GOVERNO PSD/CDS
Quem se dê ao trabalho de ler as 75 páginas em inglês do
relatório do FMI referente à 11ª avaliação
PORTUGAL: eleven review under the extended arrangement
" não poderá deixar de ficar chocado, se tiver
um mínimo de dignidade nacional, com a forma como estes
"senhores" tratam Portugal e os portugueses, comportando-se como
"autênticos donos do país" com o poder para imporem o
que quiserem, não estando perante um Estado independente e soberano, e
não existindo para eles nem Constituição, nem pessoas;
tudo se deve sujeitar aos seus ditames. E a forma como se referem ao governo,
transformado por eles em simples serventuários, a quem cabe apenas a
tarefa de preparar, de acordo com as suas orientações, medidas
para eles apreciarem e aprovarem. E dentro dessas medidas, que segundo os
"senhores" do FMI o governo estaria a preparar para depois FMI
aprovar, selecionamos as seguintes para reflexão dos leitores:
Os comentários parecem desnecessários perante a arrogância
destas exigências do FMI e face ao servilismo do governo PSD/CDS que se
prepara para as aceitar se não existir uma firme oposição
dos trabalhadores portugueses.