Alerta Vermelho: A segunda vaga do tsunami financeiro

– A vaga está a ganhar força e pode atacar entre o 1º e o 2º trimestre de 2010

por Matthias Chang

Papel higiénico. Muitos dos meus amigos que têm recebido os meus alertas por email nos últimos dois anos têm-se queixado de que nas últimas semanas não tenho comentado o estado da economia global. Compreendo a ansiedade mas eles esquecem-se de que eu não sou um analista do mercado de acções pago para escrever artigos a fim de atrair os investidores para o mercado. O meu sítio web é gratuito e eu não vendo uma folha informativa financeira portanto não preciso de cozinhar previsões ou análises diárias.

No entanto, quando os dados são convincentes e indicam uma tendência inevitável, chega a altura de mais uma análise. Este Alerta Vermelho pretende capacitar os visitantes do meu website a efectuar as acções adequadas para salvaguardar a sua riqueza e o bem-estar das suas famílias nos próximos meses.

Desde o último trimestre de 2008 as principais economias globais têm vindo a travar uma guerra implacável de divisas e embora até agora esta competição não tenha sido antagónica, em breve será antagónica porque as diferenças inerentes são irreconciliáveis. As consequências para a economia global vão ser devastadoras e para as pessoas vulgares está garantido o desemprego maciço e a intranquilidade social.

Os politólogos desses países, confrontados com o colapso total da arquitectura financeira internacional, chegaram à conclusão de que a solução, a única solução é uma facilidade quantitativa (ou seja, a injecção maciça de liquidez) para salvaguardar os bancos "demasiado grandes para falir" e reflacionar as suas economias em depressão. Isto reflecte-se melhor na cândida observação de Bernanke de que "o governo dos EUA tem uma tecnologia, chamada a impressora (ou actualmente, o seu equivalente electrónico), que lhe permite produzir tantos dólares quantos pretender praticamente sem qualquer custo"

É este o problema crucial!

As diferenças irreconciliáveis

Há cerca de duas décadas, as elites financeiras globais decidiram que o enquadramento da economia global deve consistir em:

1) Um sistema global baseado em derivativos, controlado pelo Federal Reserve Bank dos EUA e os bancos globais seus associados nos países desenvolvidos.

2) A relocalização da produção de bens do ocidente para Leste, principalmente para a China e para a Índia para "alimentar" as economias desenvolvidas.

Todo o sistema foi montado num princípio simples, o de uma divisa de reserva global controlada pelo FED que seria o motor de desenvolvimento para a economia global. É essencialmente um princípio económico imperialista.

Quando tomamos consciência desta verdade fundamental, o facto de Bernanke se gabar de que "os EUA podem produzir tantos dólares quantos quiser sem qualquer custo" assume uma dimensão diferente.

Falei com numerosos economistas e, quando lhes perguntei qual é o cerne do actual problema financeiro, todos eles respondem em uníssono, "são os desequilíbrios globais… o ocidente consome demais enquanto que o Leste poupa demais e não consome o suficiente". Isto é exemplificado pelos enormes défices comerciais dos EUA por um lado e pelos excedentes enormes da China, pelo outro.

Uma sabedoria incrível e quase toda a gente repete esta lenga-lenga. As conclusões da recente Cimeira da APEC [Asia-Pacific Economic Cooperation] não foram diferentes. Repetiu-se esta lenga-lenga assim como o apelo a um comércio mais livre entre as nações comerciantes.

Isto é uma enorme mistificação. Todos os dirigentes actuais na cena mundial estão corrompidos até ao tutano e por isso não estão interessados em chamar as coisas pelos seus nomes e em expor as contradições inerentes no seio do sistema financeiro existente.

O apelo a um mundo multi-polar não tem sentido quando todo o sistema financeiro global se baseia na divisa de reserva do dólar americano. É esta a contradição inerente ao sistema actual e os problemas a ele associados não podem ser resolvidos por outra divisa de reserva global baseada nos Direitos Especiais de Saque [1] do FMI conforme defendido por alguns países. Já estava morto, no momento em que foi concebido!

Os dirigentes da China, do Japão e dos países produtores de petróleo do Médio Oriente estão todos a praguejar e a enfurecer-se com a situação actual, mas não têm a coragem das convicções para dizer abertamente aos seus compatriotas que foram enganados pelos mestres financeiros do Fed que agem segundo as instruções da Goldman Sachs.

Digam-me, que dirigente é capaz de reconhecer que trocou a riqueza da nação por papel higiénico?

A pantomima da divisa de papel higiénico continua.

Chegámos agora a um beco sem saída na actual guerra de divisas, não muito diferente da situação da Guerra Fria entre os países do pacto da NATO e os países do pacto de Varsóvia. Ambos os lados foram dissuadidos pela doutrina das guerras nucleares do MAD (Destruição Mútua Assegurada). Os custos para os dois lados foram tremendos e só quando a União Soviética não pôde continuar com o ritmo e com o custo de manter um dissuasor nuclear e foi forçada a declarar falência é que o equilíbrio pendeu a favor da aliança da NATO.

Mas foi uma vitória de Pirro para os EUA e seus aliados. O que sustentava a capacidade dos EUA de manter o seu poder militar e sobrepor-se à União Soviética era o direito de imprimir divisas de papel higiénico e a aceitação do dólar americano pelos seus aliados como divisa de reserva mundial.

Mas porque é que os países aliados dos EUA durante a Guerra Fria aceitaram esse status quo?

Muito simples! Todos foram levados a crer que, sem a protecção do Big Brother e da sua sombra militar, seriam engolidos pela ameaça comunista. Concordaram em marchar ao som do Flautista Mágico americano.

A grande questão seguinte – porque é que os antigos aliados comunistas chamados "libertados" do bloco soviético se juntaram à maioria?

Muito simples! Todos acreditaram na ilusão, que foi alimentada pelos bancos globais liderados pela Goldman Sachs, de que o comércio e a venda dos seus bens e serviços em divisas de reserva de papel higiénico americano lhes garantiria uma riqueza e prosperidade nunca vistas.

Mas o maior jogo da cidade foi o gambito na Ásia. O Japão, após uma década de recessão na sequência do rebentamento da sua bolha imobiliária não tinha meios nem capacidade para passar para o nível seguinte do jogo, conforme planeado pelos arquitectos financeiros da Goldman Sachs.

E a China foi o maior beneficiário. A gestão sénior da Goldman Sachs firmou um pacto secreto com os dirigentes da China que, em troca de orquestrar a enorme injecção de capital em dólares americanos e a relocalização por atacado da capacidade manufactureira, as maiores da história da economia global, a China reciclaria a sua riqueza de divisas de reserva de papel higiénico americano, duramente arrebanhada, em títulos do tesouro americanos e outros instrumentos de dívida americana.

Foi a condição necessária, o pré-requisito para o casino financeiro global passar para o nível seguinte do jogo.

Porquê?

O novo jogo

Os arquitectos financeiros da Goldman Sachs tinham um plano de mestre – dominar o sistema financeiro global. Os meios para conseguir este poder financeiro eram o Sistema Bancário Sombra, em que a cavilha era o mercado de derivativos e a titularização de valores, reais e sintéticos. As apostas seriam elevadas, na ordem das centenas de milhões de milhões de dólares americanos e a forma de transformar o mercado seria através duma alavancagem maciça a todos os níveis do jogo financeiro.

Mas havia uma fraqueza inerente no esquema geral – a ameaça da inflação, mais precisamente a hiperinflação. Tais quantidades enormes de liquidez no sistema iriam inevitavelmente provocar a depreciação da divisa de reserva e a confiança no sistema.

Daí a necessidade de um sistema para manter controlada a inflação dos preços e a ilusão de que se podia manter o poder de compra da divisa de reserva de papel higiénico.

É aqui que entra a China. Quando a China passasse a ser a fábrica do mundo, o problema ficaria resolvido. Quando um fato que custava anteriormente 600 dólares pudesse ser adquirido por menos de 100 dólares e um par de sapatos por menos de 5 dólares, os cérebros vigaristas chegaram à conclusão de que não haveria nenhuma ameaça previsível para a maior operação de casino da história.

A China concordou com a troca porque tem mais de mil milhões de bocas para alimentar e precisava de garantir centenas de milhões de empregos, sem o que o sistema não podia ser mantido. Mas a China foi suficientemente pragmática para ter dois "sistemas económicos" – uma economia interna baseada no yuan e uma economia de exportação baseada no dólar americano, na esperança de que os lucros e os benefícios da economia de exportação possibilitassem que a China transformasse e instaurasse um mercado interno viável e dinâmico que com o tempo substituísse a economia dependente das exportações. Foi um negócio feito com o diabo, mas não havia opções alternativas viáveis na altura, principalmente após o colapso da União Soviética.

O nível seguinte do jogo

Chegou-se ao nível seguinte do jogo quando a divisa de reserva de papel higiénico passou a virtual – através da simples operação de um clique do rato nos computadores dos bancos globais.

Os figurões da Goldman Sachs e de outros bancos globais ficaram delirantes por entregar à mafia Las Vegas e os seus miseráveis milhares de milhões em troca. Os lucros foram considerados trocos em comparação com as centenas de milhões de milhões gerados pelo casino virtual. Foi uma conquista financeira para além dos sonhos mais delirantes. Até se intitularam "Mestres do Universo". O novo jogo era criar dívidas maciças, e os figurões até podiam alavancar mais de 40 vezes o capital! Os valores dos activos dispararam com tanta liquidez perseguindo tão poucos activos de valor real.

Mas os feiticeiros financeiros falharam ao apreciar e/ou subestimar a quantidade de produtos financeiros necessários para manter o andamento do jogo. Recorreram à engenharia financeira – a titularização de valores. E quando os valores reais se revelaram insuficientes para a titularização, criaram-se valores sintéticos. Em breve, o lixo tóxico passou a ser considerado como um instrumento legítimo para o jogo desde que pudesse ser alijado para idiotas gananciosos sem apelo aos criadores desses supostos investimentos.

Durante algum tempo, pareceu que os bruxos financeiros tinham resolvido o problema de como alimentar o monstro do casino global.

Infelizmente, a música parou e a bolha rebentou! E como eles dizem, o resto passou à história.

O remédio da Goldman Sachs

Quando as perdas são de milhões de milhões de dólares e os valores/capital remanescente são de milhões de milhões de dólares, temos um problema gigantesco – um buraco negro financeiro.

O remédio preferido pelos génios financeiros da Goldman Sachs foi criar outra ilusão – a de que, se os grandes bancos globais falissem provocando um colapso sistémico, haveria um Armagedão. Estes bancos "demasiado grandes para falir" tinham que ser injectados com uma quantidade enorme de dinheiro virtual para se recapitalizarem e se verem livres dos activos tóxicos dos seus balanços. Os principais bancos centrais nos países desenvolvidos, de mãos dadas com a Goldman Sachs, cantaram a mesma melodia. Foram conjurados todos os tipos de esquemas para legitimar esta operação de salvamento.

Em essência, o que transpirou foi a simples transferência de dinheiro da algibeira esquerda para a algibeira direita, com a ideia enganadora de que eram de facto os bancos que estavam a ajudar o governo a ultrapassar a crise financeira.

O Fed e os principais bancos centrais acordaram em emprestar "dinheiro virtual" aos bancos globais "demasiado grandes para falir" a uma taxa de juro zero ou quase zero e esses bancos, por sua vez, "depositariam" esse dinheiro no Fed e noutros bancos centrais com taxas de juro acordadas. Estas transacções eram todas elas simples lançamentos nos livros. Usam-se outros "empréstimos" do Fed e dos bancos centrais (mais uma vez a taxas de juro zero ou quase zero) para compra de dívidas do governo, em que essas dívidas são o dinheiro de estímulo necessário para revitalizar a economia real e criar empregos para os desempregados em número cada vez maior. Portanto, em essência, dá-se a esses bancos "dinheiro de graça" para emprestar ao governo a taxas de juro previamente estabelecidas sem qualquer risco. Isto é uma vigarice!

Estes "dinheiros" nem sequer são notas de dólar, mas apenas lançamentos em livros criados a partir do nada.

Por isso quando o Fed injecta milhões de milhões de dólares no sistema bancário, está apenas a creditar essa quantia nas contas dos bancos "demasiado grandes para falir" no Fed.

Quando o sistema é aplicado ao comércio internacional, utiliza-se o mesmo modus operandi para pagar os bens importados da China, do Japão, etc.

Quanto ao resto do mundo, esses países, quando compram bens denominados em dólares americanos, têm que produzir bens e serviços, e vendê-los em dólares a fim de comprar os bens necessários ao seu país. Posto de forma simples, têm que ganhar uma receita para comprar quaisquer bens e serviços que precisarem. Em contraste, tudo o que os EUA precisam fazer é criar dinheiro a partir do ar e usá-lo para pagar as suas importações!

Os EUA podem continuar com esta vigarice porque tem o músculo militar para impor e impingir esta fraude. Conforme se afirmou anteriormente, este status quo foi aceite principalmente durante a Guerra Fria e, com alguma relutância, após o colapso da União Soviética, mas com uma condição prévia – de que os EUA concordassem em ser o consumidor de último recurso. Esta disposição proporcionou algum conforto porque os países que venderam os seus bens aos EUA, podem agora utilizar os dólares para comprar bens a outros países já que mais de 80 por cento do comércio mundial está denominado em dólares, especialmente o petróleo, a linha da vida da economia global.

Mas com os EUA em plena bancarrota e os seus cidadãos (os maiores consumidores do mundo) sem capacidade para pedir emprestado mais dinheiro para comprar extravagâncias à China, ao Japão e ao resto do mundo, a procura do dólar evaporou-se. A situação do dólar como divisa de reserva e a sua utilidade está a ser posta em causa mais abertamente.

O fim do jogo

A situação actual pode ser resumida em termos simples:

Deveria ser permitido a um país em bancarrota (os EUA) utilizar dinheiro criado a partir do nada para pagar bens produzidos com o suor e lágrimas de cidadãos esforçados dos países exportadores? A acrescentar o insulto à injúria, esses mesmos dólares estão actualmente a comprar muito menos do que dantes. Então, para que serve ser pago numa divisa que está rapidamente a perder o seu valor?

Por outro lado, os EUA estão a dizer a todo o mundo, em especial aos chineses que, se não estiverem satisfeitos com o status quo, não há nada que os impeça de vender a outros países e de aceitar as divisas deles. Mas se quiserem vender aos poderosos EUA, têm que aceitar a divisa de reserva de papel higiénico americana e o seu direito de criar dinheiro a partir do nada!

Este é o jogo de póquer final e quem pestanejar primeiro perde e sofrerá consequências financeiras irreparáveis. Mas quem é que tem a mão vencedora?

Os EUA não têm a mão vencedora. A China também não tem a mão vencedora.

Este estado de coisas não pode continuar por muito tempo pois, quaisquer que sejam as cartas que os EUA ou a China possam estar a pensar atirar para cima da mesa para conquistar uma vantagem estratégica, os ganhos a curto prazo serão ganhos de Pirro, pois não conseguirão resolver as contradições antagónicas subjacentes.

Quando a sobrevivência do sistema está dependente da disponibilidade de crédito (ou seja, da acumulação de mais dívidas) trata-se apenas de uma questão de tempo antes de que, tanto o devedor como o credor, cheguem à conclusão inevitável de que a dívida nunca irá ser paga. E, a não ser que o credor esteja disposto a renunciar à sua dívida, é inevitável que recorra a meios drásticos para cobrar a dívida considerável.

Seria ingénuo pensar que os EUA permitirão calmamente serem penhorados! Quando chegarmos a essa situação, será inevitável a guerra. Será o eixo EUA-Reino Unido-Israel contra o resto do mundo.

O prelúdio para o fim do jogo

A economia dos EUA irá entrar numa espiral vertiginosa nos próximos meses e atingirá o seu ponto crítico no fim do primeiro trimestre de 2010 e explodirá no segundo trimestre.

Os maciços milhões de milhões de dólares de estímulo não conseguiram dar a volta à economia. A gigantesca transfusão de sangue pode ter mantido o paciente vivo, mas há numerosos sinais de falência de muitos órgãos.

Vai haver outra vaga de penhoras de propriedades residenciais e, mais importante ainda, de propriedades comerciais no final de Dezembro e inícios de 2010. E as propriedades penhoradas em 2009 vão levar a preços rebaixados quando chegarem ao mercado. Os valores das habitações e estabelecimentos comerciais vão cair a pique. Os balanços dos bancos vão ficar feios e quaisquer que sejam os "lucros registados" nos últimos dois trimestres de 2009 não serão suficientes para cobrir a tinta vermelha adicional.

Perante esta situação, será que o Fed vai continuar a comprar garantias apoiadas em hipotecas para estimular os mercados? O Fed já gastou milhões de milhões a comprar as hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac sem qualquer possível comprador substituto à vista. Por isso, o balanço do Fed é tão tóxico como o dos bancos "demasiado grandes para falir" que socorreu.

Nestas circunstâncias, não faz sentido que haja quem afirme que o pior já passou e que a economia global está a caminho da recuperação.

E o sinal mais seguro de que nada está bem com os grandes bancos, é o recente discurso do presidente do Federal Reserve Bank of New York, William Dudley, em Princeton, New Jersey, quando disse que o Fed vai reduzir o risco duma futura crise de liquidez concedendo um "escudo" a firmas solventes com colaterais suficientes.

Este aviso e garantia merece uma análise mais aprofundada. Primeiro, é uma contradição afirmar que uma firma solvente com colaterais suficientes poderá de facto deparar-se com uma crise de liquidez para justificar a necessidade de um pedido de ajuda ao Fed. Na verdade é o reconhecimento de que os bancos não estão suficientemente capitalizados e que, quando forem atingidos de novo pela segunda vaga do tsunami, não haverá confiança nenhuma.

Dudley disse mesmo que, "o banco central pode funcionar como o prestamista de último recurso… [e isso reduzirá] o risco do pânico estimulado pela incerteza entre os prestamistas quanto ao que outros credores possam pensar".

Para pôr as coisas cruamente, o que ele está a dizer é que o Fed se vai esforçar por evitar a repetição do colapso do Bear Stearns, da Lehman Bros e da AIG. É também uma indicação de que os restantes grandes bancos estão em dificuldades.

É interessante notar que um relatório da Bloomberg no início de Novembro revelou que o Citigroup Inc e o JP Morgan Chase têm vindo a acumular dinheiro líquido. O primeiro quase duplicou o seu stock de dinheiro para 244,2 mil milhões de dólares. No caso do segundo, o amontoar de dinheiro atingiu os 453,6 mil milhões de dólares. Contudo, perante esta acumulação nos principais bancos, o New York Federal Reserve Bank teve que tranquilizar a comunidade financeira de que está pronto a injectar uma liquidez maciça para escorar o sistema.

Não deve surpreender ninguém que o valor do dólar esteja a apontar para o Sul.

Quando as divisas se degradam, aumenta a volatilidade no mercado de acções. Mas os ganhos não compensam os riscos e se ainda existir alguém no mercado, serão varridos no 1º trimestre de 2010. O S&P [2] pode ter aumentado desde o início do ano em mais de 25 por cento mas foi ultrapassado pelo ouro. Os ganhos também ficaram atrás da taxa de inflação oficial dos EUA. Na verdade constituíram um retorno total após inflação de aproximadamente menos de 25 por cento. Quando Meredith Whitney observou que "Não sei o que é que se passa no mercado neste momento, porque para mim não faz sentido", é altura de sair do mercado rapidamente.

Num relatório para os seus clientes a Société Générale [3] avisou que a dívida pública seria enorme nos dois anos seguintes – 105 por cento do PIB no Reino Unido, 125 por cento nos EUA e na Europa e 270 por cento no Japão. A dívida global deveria atingir os 45 milhões de milhões de dólares.

Estas dívidas vão ter que ser pagas um dia. Como é que vão ser pagas?

Se formos atrás do que Bernanke tem andado a pregar e a praticar, significa que será criada mais divisa de papel higiénico para pagar as dívidas.

Em consequência disso, a desvalorização das divisas vai continuar o que agravará ainda mais as tensões existentes entre as economias em competição. E quando os credores se fartarem desta vigarice do papel higiénico, podem esperar reacções violentas!

22/Novembro/2009

[1] DES – método de liquidação de dívidas internacionais através do FMI [N.T.]
[2] S&P – Standard & Poor's – divisão da McGraw-Hill que publica investigação e análises financeiras sobre acções e títulos [N.T.]
[3] Société Générale – uma das principais companhias de serviços financeiros da Europa [N.T.]


O original encontra-se em http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=16218 e em http://futurefastforward.com/feature-articles/2820 . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
29/Nov/09