O Brasil no rescaldo das manifestações de 13 de março
por Ana Saldanha
Escrito aquando da nomeação de Lula para o cargo de ministro da
Casa Civil de Dilma e antes da sua suspensão por um tribunal, este texto
de Ana Saldanha não só mantém plena actualidade, como nos
diz o quê e porquê da crise política brasileira, e o como da
ascensão e da queda do PT e do chamado "neodesenvolvimentismo"
brasileiro.
"Chamemos ou não à política posta em prática
pelos governos PT de neodesenvolvimentismo, o facto é que se verificou
um poder absoluto dos trusts e das corporações monopolistas, dos
bancos e da oligarquia financeira. O modo de produção capitalista
e suas consequentes relações sociais, a par do travão
à contestação que os governos do PT conseguiram
alcançar, prosseguiu a largos passos. Lula havia servido o grande
capital transnacionalizado, e Dilma prosseguira o empenho lulista".
No domingo, dia 13 de março, não foi o Brasil que saiu à
rua. Foram camadas da população e estratos sociais endinheirados,
foi a burguesia, acompanhada também por setores desfavorecidos da
população, é certo, trabalhadores, é certo, os
quais, no entanto, não eram representativos da maioria daqueles que
trocaram o footing de domingo, na Paulista ou em Copacabana, por uma passeata
que nos remete para tempos obscurantistas recentes, ainda frescos na
memória deste continente.
No domingo, dia 13 de março, os arredores da Av. Paulista regurgitavam
camisas amarelas e verdes, chapéus verdes e amarelos, calças e
calções de marca, cabelos tingidos de amarelo (são as
patrícias, na cultura brasileira, ou as tias, na cultura portuguesa),
ténis Nike, Adidas ou Puma. E botox, silicone, seios desmesurados, risos
plastificados, e tanta, tanta ignorância concentrada nos mais de 2 km de
extensão daquela avenida.
Subir pela Avenida Angélica, em direção à Avenida
Paulista, atravessando Santa Cecília, é o mesmo que subir na
hierarquia social paulista. Iniciando a caminhada no início da Avenida
Angélica, quanto mais avançamos na íngreme escalada,
quanto mais nos acercamos daquela Avenida maior, maior é também o
preço do metro quadrado.
Se o PIB do Brasil fosse medido em silicone, o indicador principal de
medição da produção econômica, no interior de
um país, teria a sua concentração máxima, no caso
brasileiro, nas avenidas de Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Avenida
Paulista, em São Paulo, neste domingo, dia 13 de março.
Corpos estereotipados, caras violentamente agredidas por plásticas,
seios e bundas desmesurados, cada bochecha preenchida de botox corresponde ao
salário mínimo mensal brasileiro - ganho por praticamente metade
da população. Com efeito, 44.8% dos 60.8 milhões de
agregados familiares com rendimento declarado vivem, apenas, com um
salário mínimo (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, IBGE, 2014). Assim sendo, mais de 44% dos lares brasileiros
vive com metade do custo de um par de bochechas ou de nádegas, que no
domingo passeava pelas principais avenidas das grandes cidades brasileiras.
Imagine-se, desta forma, a concentração de capital verificada nos
pares de bochechas, de seios e de bundas que naquele dia se juntaram. Isto sem
falar dos ténis, das calças e das camisas.
Se o sistema monetário parteiro do FMI, o sistema de Bretton Woods
(fruto do acordo homónimo assinado em 1944, extinto de facto em 1971
quando Nixon recusa a convertibilidade dos dólares em ouro) voltasse a
entrar em vigor, não tendo, contudo, como referente o ouro, mas o
silicone, o Banco Central do Brasil teria de construir muralhas na zona oeste
de São Paulo e na zona sul do Rio de Janeiro para proteger as suas
sempre crescentes reservas.
PT: da ascensão à queda
O Partido dos Trabalhadores (PT) e José Inácio Lula da Silva
haviam sido o motor da esperança num Brasil depauperado, num Brasil com
fome, num Brasil cuja taxa de desemprego, em 2002, ascendia a 12%, num Brasil
cuja dívida pública duplicou no governo de Fernando Henriques
Cardoso, num Brasil onde grassava a corrupção, a violência
e a miséria.
Neste quadro, Lula e o PT surgiram como a esperança anunciada de um
Brasil novo.
A esperança, no entanto, seria um logro. O Brasil novo
esperançosamente esperado pela maioria explorada, nunca chegaria.
Certo: o programa Bolsa Família chega a 45,8 milhões de
brasileiros (ou seja, um em cada quatro brasileiros é
beneficiário do programa instituído pelo governo de Lula, em
2003), enquanto o coeficiente de Gini, que em 2003 era de 0,59, passou, em
2012, para 0,519
[1]
(apesar dos avanços, o índice de Gini do Brasil é um dos
piores do mundo. Entre os 127 países analisados, em 2012, o Brasil
encontrava-se na 120ª posição). Se em 2004, os 10% mais
ricos concentravam 45,3% da renda, e os 10% mais pobres se contentavam com
0.9%, em 2012, os 10% mais ricos controlavam 41,9% da renda nacional e os 10%
mais pobres possuíam 1,1% da renda nacional (dados do IBGE, 2013). A
diferença é pequena, mas representa uma ligeira melhoria da
distribuição da renda. Tudo isto é certo. E merece ser
dito, louvado e não esquecido.
Mas também é certo que a esta política de
redistribuição esteve subjacente uma perspetiva ideológica
de conciliação de classes, que permitiu travar as
manifestações de descontentamento das camadas mais empobrecidas
da população, num momento muito particular da vida
latino-americana.
Num contexto socio-histórico e econômico da América latina
marcado pela vitória de Hugo Chavez, nas eleições
presidenciais de 2002, pela vitória de Evo Morales, nas
eleições presidenciais de 2005, pela vitória de Rafael
Correa, nas eleições presidenciais de 2007, quando forças
progressistas avançavam no plano eleitoral e alcançavam, no
quadro da democracia burguesa, vitórias eleitorais históricas,
quando um ciclo de alta dos preços internacionais das commodities e do
barril de petróleo se iniciava (em dezembro de 2002 o preço do
barril de petróleo bruto era de 27,89 dólares e em junho de 2008
atingia os 132,55 dólares) ou seja, num momento em que o
capitalismo permitia o crescimento dos índices econômicos dos
países latino-americanos , a burguesia brasileira decide fazer um
pacto com o Partido dos Trabalhadores.
A política de uma melhor redistribuição da riqueza e de
alguns avanços no plano social seria, contudo, concomitante com uma
política de aprofundamento do capitalismo.
PT, Lula e capitalismo
A essa política redistribuidora, na qual o Estado se assume como o
promotor da economia, alguns economistas e cientistas sociais tendo como
ponto de partida as teorias cepalinas (Comissão Econômica para a
América Latina e o Caribe, CEPAL) dos anos 60 e uma perspetiva
neokeynesiana designam de neodesenvolvimentista.
À política posta em prática pelos governos de Lula e de
Dilma não correspondeu, no entanto, o anunciado fim do neoliberalismo
(conceito que, na realidade, corresponde ao aprofundamento do capitalismo
monopolista de Estado) no Brasil. Chamemos ou não à
política posta em prática pelos governos PT de
neodesenvolvimentismo, o facto é que se verificou um poder absoluto dos
trusts e das corporações monopolistas, dos bancos e da oligarquia
financeira. O modo de produção capitalista e suas consequentes
relações sociais, a par do travão à
contestação que os governos do PT conseguiram alcançar,
prosseguiu a largos passos. Lula havia servido o grande capital
transnacionalizado, e Dilma prosseguira o empenho lulista. Como nos diz Maria
Orlanda Pinassi ((Neo)desenvolvimentismo ou luta de classes?, 2013):
Segundo consta, o Estado procuraria, então [no neodesenvolvimentismo],
recompor sua função (de "alívio") social
através da criação de empregos (quase sempre
precários e temporários), políticas de
recuperação do salário mínimo e
redistribuição de renda (Bolsas Família, Escola,
Desemprego etc.) , enquanto a economia se renacionalizaria por meio de
financiamentos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social] à reindustrialização pautada na
substituição de importações. Argumentos fortemente
questionáveis visto que as empresas públicas privatizadas hoje
são fortemente controladas por capitais externos (vide Vale), numa
lógica em que a economia transnacionalizada do sistema reconduz o Brasil
ao papel produtor de bens primários para exportação.
(
) O capital, em processo de crise generalizada, tem pouco a lamentar e
muito a comemorar por aqui: veja-se a estratosférica lucratividade
bancária e o enorme crescimento da indústria da
construção civil. Mais impressionante ainda é o desempenho
da mineração, do agronegócio, do setor energético e
dos números que apontam para o grande aumento de áreas
agricultáveis, de florestas, de rios e outras tantas de
proteção ambiental, invadidas e destruídas por pasto,
monocultivo de cana, de soja, de celulose, de laranja, por
extração mineral, por barragens.
No entanto, hoje, à grande burguesia detentora dos meios de
produção, ao grande capital nacional em associação
com o grande capital estrangeiro, o governo do PT já não é
necessário. A grande burguesia, depois de 14 anos de governo PT, logrou
alcançar uma vitória ideológica, apenas possível
após a passagem do PT pelas altas esferas das instituições
burguesas: a ideia de que a política posta em prática pelo PT
é uma política progressista, até mesmo socialista. O que
é falso. Redondamente falso.
O PT pôs em prática uma política ao serviço dos
grandes grupos econômicos brasileiros (os quais se encontram associados
ao capital estrangeiro), entregou setores da economia brasileira ao capital
externo (concessão de mais de 2,5 mil km de rodovias ao grupo espanhol
OHL, privatização do Banco do Estado do Pará,
privatização do Banco do Estado do Maranhão,
privatização da hidroelétrica de Santo Antônio,
privatização da hidroelétrica Jirau
consórcio Suez Energy South América (50,1%), Camargo Corrêa
(9,9%), Eletrosul (20%) e Companhia Hidro Elétrica do São
Francisco (20%) , entrega de alguns campos da bacia de petróleo do
pré-sal, continuação das concessões para
exploração da transmissão de energia, venda de
participações minoritárias em empresas que tinham sido
privatizadas), enquanto impulsionou a expansão do agronegócio e
fez do Brasil um dos maiores produtores e exportadores do planeta (em 2013,
este setor foi responsável por 41,28% das exportações
brasileiras)
[2]
. Segundo dados do IBGE para 2012, o contingente de 1% dos brasileiros mais
ricos ganhava quase cem vezes mais do que o contingente dos 10% mais pobres.
O PT, aplicando uma política ao serviço dos grandes grupos
econômicos, não apenas traiu a sua base social e eleitoral, mas
demonstrou ser um partido com o qual a classe dominante brasileira
poderá sempre contar, contra os interesses da classe operária,
contra os interesses dos trabalhadores. Um partido corrupto e
corruptível, que demonstrou que o exercício do poder numa
democracia burguesa não apenas confirma que "o partido dominante de
uma democracia burguesa só garante a protecção da
minoria" (V.I. Lénine, A Revolução Proletária
e o Renegado Kautsky), como que a própria democracia burguesa, apesar de
representar um progresso histórico relativamente aos modos de
produção precedentes, "continua a ser sempre (
)
estreita, amputada, falsa, hipócrita, paraíso para os ricos, uma
armadilha e um engano para os explorados, para os pobres" (V. I.
Lénine, A Revolução Proletária e o Renegado
Kautsky).
O PT não foi, nem será nunca, o partido dos trabalhadores. A sua
ação sempre se pautará pela defesa da minoria exploradora,
pelo aprofundamento do capitalismo, pela defesa das instituições
que garantem o exercício de poder por essa mesma minoria, afastando
"as massas da administração, da liberdade de reunião
e de imprensa, etc" (V. I. Lénine, A Revolução
Proletária e o Renegado Kautsky), tentando escamotear o facto de que, na
realidade, "mil barreiras fecham às massas trabalhadoras a
participação no parlamento burguês (que nunca resolve as
questões mais importantes na democracia burguesa: estas são
resolvidas pela Bolsa e pelos bancos)" (V. I. Lénine, A
Revolução Proletária e o Renegado Kautsky). Sem nunca se
posicionar ideologicamente do ponto de vista das classes oprimidas, o PT,
através da corrupção, da mentira, do engano, tentou sempre
fazer crer às massas exploradas que a ordem capitalista, e as
desigualdades que lhe são inerentes, são uma inevitabilidade
histórica.
Lutar pelo Trabalho, contra o Capital
A classe operária, as diferentes camadas de trabalhadores, os estratos
mais empobrecidos da população têm razões para sair
à rua.
No quadro atual da luta entre Trabalho e Capital, a maioria explorada deve
abrir caminho para lutas maiores e obrigar o capital a retroceder: combater o
plano de privatizações impulsionado por Fernando Henrique Cardoso
e prosseguido por Lula e por Dilma, exigir a prometida e traída Reforma
Agrária, lutar contra a precariedade laboral, contra o trabalho escravo
que subsiste em muitos setores, pela dignidade no trabalho, por
condições de habitação dignas, pela
reposição dos cortes nos programas sociais, contra a
promiscuidade entre o Estado e os interesses econômicos de uma minoria,
por uma educação e por um serviço de saúde
públicos, universais e de qualidade, contra a exclusão e
marginalização social de camadas da população
pertencentes à maioria explorada, contra os megaprojetos do
agronegócio e da agroindústria, contra a entrega da Natureza
à iniciativa privada, pela salvaguarda do direito à terra dos
povos ameríndios, contra o assassinato e a perseguição a
líderes e militantes de movimentos sociais e políticos.
Estas não são, no entanto, as bandeiras de luta da burguesia e
seus acólitos endinheirados que no domingo saíram à rua.
No atual contexto de retrocesso civilizacional e ideológico na
América Latina, em que a correlação de forças
parece ser mais favorável ao Capital, num quadro da luta de classes em
que as forças mais reacionárias, guiadas pelas grandes burguesias
nacionais associadas ao capital estrangeiro, buscam impor-se sem travões
nem amarras, destruindo as conquistas alcançadas pelo Trabalho nos
últimos 15 anos no continente, a classe dominante brasileira, apoiada
pelas suas congéneres exteriores, não precisa do PT.
A burguesia brasileira já não precisa da política de
conciliação classista impulsionada pelo governo Lula. Já
não precisa de travar o movimento popular emancipatório e de
reivindicação do início do milénio. Já
conseguiu expandir a falsa ideia de que a política do PT é uma
política progressista. Sabe que a correlação de
forças lhe é, neste momento, favorável, manipulando a seu
favor as instituições do Estado por ela criadas, e para ela
criadas.
Lula, o ex-presidente que se havia tornado o palestrante mais caro do Brasil,
cobrando cachets que variavam entre os 200 mil reais e os 790 mil reais, que
deu palestras para multinacionais como a LG, a Telefônica, a Microsoft, a
Acapulco, a Associação dos Bancos do México, o Bank of
América Merril Lynch, este Lula e o seu governo criaram, como afirma o
Partido Comunista Brasileiro (PCB), na sua
nota política de 6 de março de 2016
, "o terreno pantanoso em que agora se afunda[m]".
Abandonado pela classe dominante que havia servido, Lula volta-se, hoje, de
novo, para a base social e eleitoral que o levara ao poder em outubro de 2002.
Essa mesma base social e eleitoral que, no terreno da luta de classes, se viu
traída e defraudada por aquele Presidente que, antes de ser o
palestrante mais caro do Brasil, havia sido o sindicalista torneiro
mecânico que afirmava, caso um dia fosse eleito Presidente da
República, que iria "provar que você pode tranquilamente
botar corrupto na cadeia. (
) O grande rouba sem-vergonha e, esse,
nós precisamos de colocar na cadeia" (vide
https://www.youtube.com/watch?v=TBwvT5nTUEo
).
Ao assumir, hoje, dia 16 de março, a Casa Civil (ministério mais
importante no Brasil, correspondendo ao de Primeiro-Ministro, em outros regimes
parlamentares burgueses), as investigações de
corrupção que, atualmente, sobre ele pesam, deixam de estar sob a
alçada do juiz de Primeira Instância e passam a estar sob a
jurisdição do Supremo Tribunal Federal (STF). Esta
nomeação ministerial vem confirmar a corruptibilidade e
perversão ideológica de Lula, descredibilizando-o,
descredibilizando o PT, demonstrando o quanto a corrupção
constitui um comportamento intrinsecamente ligado ao exercício do poder,
num Estado ao serviço de uma minoria exploradora. Esta
nomeação demonstra, ainda, quer o facto de nem Lula, nem o PT
serem passíveis de defender os interesses da maioria explorada (que,
hipocritamente, e por razões de sobrevivência, dizem proteger),
quer o facto de o PT (assim como Lula e Dilma) terem sido um mero instrumento
do capital, num período preciso da história brasileira.
Outros serventuários do capital sucederão aos eleitos petistas,
sob os aplausos do imperialismo norte-americano, provavelmente ainda mais
retrógrados e dóceis ao capital; este facto, contudo, não
anula nem as responsabilidades do PT, nem as responsabilidades de Lula e de
Dilma no processo de aprofundamento do capitalismo e de suas consequentes
desigualdades gritantes.
A luta de classes agudiza-se. Mas no terreno concreto desta Luta, a maioria
daqueles que, no domingo, dia 13 de março, saíram à rua,
defende acerrimamente a classe dominante do atual modo de
produção. Lula, antes por aquela acarinhado, hoje é por
ela espezinhado.
Uma coisa é certa: Lula não está na luta pelo pão,
pelo trabalho, pela dignidade da classe operária e de todos os
trabalhadores, aquela mesma que, desde 2002, Lula tem continuamente
atraiçoado.
18/Março/2016
[1] O coeficiente de Gini é um parâmetro internacional usado para
medir a desigualdade de distribuição de renda entre os
países. Varia entre 0 e 1, sendo que mais próximo estiver do
zero, menor é a desigualdade de renda num país.
[2] Como exemplo do aprofundamento do capitalismo e da deferência perante
o capital estrangeiro, observem-se os números do Banco Central do
Brasil, referentes ao primeiro mandato do presidente Lula (2003-2006). Com
efeito, por cada dez reais investidos por empresas multinacionais no Brasil,
seis reais foram enviados para as suas matrizes no exterior. Os bancos foram,
aliás, em 2006, as entidades que mais enviaram recursos brasileiros para
fora do Brasil.
Da mesma autora em resistir.info:
Quando o velho se esconde por detrás do novo
O original encontra-se em
www.odiario.info/?p=3955
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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