O salto em frente é o Poder Popular
por Movimento de Bases Populares da Venezuela
Assistimos ao encerramento de um período de ofensiva
contra-revolucionária, onde o povo venezuelano, sectores
patrióticos das forças armadas e o governo derrotaram a dita
ofensiva estratégica da direita interna, representada pelos grupos
económicos, partidos políticos (Acção
Democrática, COPEI, Bandeira Vermelha, Primeiro Justiça, MAS e
Cúpulas Sindicais) e externa, o império
norte-americano. Esse
período decorre desde a promulgação das leis
habilitantes (10/12/2000), quando teve lugar a primeira greve decretado
pelos sindicatos amarelos até ao referendo, passando pelo Golpe de
Estado (11/05/2001) e
lock-out
petrolífero.
Neste período valorizamos as ajudas do Companheiro Presidente à
Revolução Bolivariana:
1- Desenvolvimento da consciência popular do Pensamento Bolivariano,
pensamento que foi assumido pelo povo como parte da sua identidade e
alternativa transformadora.
2- Desenvolvimento, também da consciência do povo, de um sentimento
anti-imperialista, com que o povo precise e identifique o inimigo principal.
3- Promulgação do texto constitucional. O incremento dos
níveis de organização do povo, os nove processos
eleitorais, sendo o mais importante o ratificador. A promulgação
das leis habilitantes. O avanço na abertura de espaços
internacionais permeáveis e favoráveis aos êxitos do
projecto bolivariano, a proposta política do salto em frente, como um
segundo fôlego de transformações politico-sociais e
económicas.
A implementação nacional das Missões
[1]
permitiu
incorporar o povo, maciçamente, nas políticas sociais e,
fundamentalmente, a ser participante directo de uma das formas de
distribuição da renda petrolífera, mas também
reconfigurou uma nova institucionalidade, contraposta ao velho estado
puntofijista. Um desafio que a partir daqui se coloca é
precisamente a superação desse velho estado e a
configuração de um estado de transição,
democrático, nacional e popular, expressão da nova realidade
nacional; para a revolução é imprescindível
construir uma nova institucionalidade, um novo estado e novas
relações de poder, onde o horizonte seja a
socialização-democratização do poder
político.
A elaboração de uma política energética
multilateral permitiu dar um preço mais justo ao petróleo,
reactivar a OPEP e, nessa direcção, valorizamos os
esforços por uma política petrolífera e energética
continental e subordinada às necessidades de desenvolvimento nacional
dos nossos países.
Encerra-se um ciclo da luta de classes, a contra-revolução foi
tacticamente derrotada e abre-se um novo período de
confrontação, onde emergem novos actores e novos cenários.
Aqui, queremos destacar a situação provocada pelo sequestro do
dirigente revolucionário Rodrigo Granda, em flagrante
violação da soberania nacional e um claro exemplo da
expansão e aprofundamento do Plano Colômbia II, que expressa os
verdadeiros planos do império para desestabilizar a
Revolução Bolivariana e regionalizar o conflito colombiano,
cenário ideal para dividir os nossos povos e aí colocar as suas
forças militares recolonizadoras. Perante isto, repudiamos firmemente
as provocações fascistas do lacaio Alvaro Uribe, títere do
império norte-americano, que está a converter a república
irmã da Colômbia num porta aviões ianque, a partir da qual
se deslocariam as forças intervencionistas contra a nossa
revolução e todos os povos latino-americanos em luta.
Por isso pensamos que a estratégia imperial para derrotar a
revolução bolivariana está numa fase de
reelaboração e procura descobrir um novo actor que conduza a
contra-revolução. E aqui está, a nosso ver, problema
central: neste novo período, o aprofundamento ou a derrota da
revolução passa por o povo organizado e as suas diversas formas
de organização política na rua, elevando o seu
nível de consciência e organização, impedir que a
direita enquistada no processo, empenhe os nossos sonhos e esperanças ao
império, sob a fórmula de institucionalização da
revolução, canalizando o processo dentro dos parâmetros de
um novo estado capitalista modernizado.
Assim, neste novo ciclo histórico, os inimigos principais continuam a
ser o imperialismo norte-americano e a direita, disfarçada de
bolivariana, infiltrada no processo; daí ser fundamental mobilizarmo-nos
e lutar para que o salto em frente da revolução seja,
efectivamente, o aprofundamento das transformações sociais,
políticas e económicas, isto é, que se constitua num
instrumento de efectiva e real transparência do poder perante o povo
organizado.
A confrontação política de classes agudizar-se-á e
passará para outras instâncias e planos, onde um deles é a
resistência-boicote às mudanças do velho estado para a
construção de uma nova institucionalidade revolucionária.
Por isso, nós, homens e mulheres do campo e da cidade, organizados no
Movimento de Bases Populares, 13 anos antes da insurreição
cívico-militar bolivariana, queremos retomar esse mesmo espírito
rebelde e heróico dos nossos militares patriotas, para novamente colocar
a necessidade histórica da unidade entre o povo e as Forças
Armadas, para fazer frente ao inimigo que espreita a nossa Pátria, e
isso não é outra coisa senão a defesa integral da
Nação. Propomos ao povo e às organizações
populares a seguinte plataforma de luta que, na prática concreta, nos
vá articulando e unificando, sem sectarismos, nem cálculos de
grupo, pois o nosso único guia de acção deve ser a defesa
e aprofundamento da revolução. Não podemos abandonar o
companheiro Presidente neste novo ciclo histórico de
confrontação de classes. De nós depende, pois, que a
espada de Bolívar prossiga cavalgando pela América Latina.
PLATAFORMA DE LUTA DO POVO BOLIVARIANO
-
Assumir a Defesa Integral da Pátria no campo e na cidade.
-
Construir Brigadas de Segurança Camponesa e Comités de Defesa
Popular, conjuntamente com as nossas forças armadas, sob o lema de
guerra de todo o povo.
-
Frente à agressão do império, massificar a reserva e
elevar o seu nível de preparação.
-
Construir um espaço de convergência do anti-imperialismo
latino-americano e global.
-
Nacionalizar a banca.
-
Democratizar o Banco Central. As reservas económicas são do povo
e devem financiar o desenvolvimento nacional.
-
Revolução Agrária. Avançar com as cartas
agrárias da propriedade social da terra e a sua conformidade com
circuitos produtivos regionais.
-
Impulsionar a reforma e aprofundar a Lei das Terras, com a
participação directa dos camponeses.
-
Desenvolver a níveis superiores as Cooperativas e outras forma
associativas, como alternativa de novas relações sociais.
-
Participação directa do campesinato e pequenos produtores nas
decisões do Plano Sementeira.
-
Fim da impunidade e do assassinato por encomenda. Fim dos despejos e
violações dos direitos humanos nos campos.
-
Construir um espaço de encontro do movimento camponês
revolucionário, assumindo a mobilização como um terreno de
luta.
-
Titulação colectiva da terra, créditos e sementes sem
sabotagem e apoio técnico para todo o processo produtivo.
-
Nova cultura produtiva e implementação de novos modelos
educativos nas cooperativas, adaptados à realidade do campo.
-
Transformar do Estado e da Administração Pública.
Avancemos para um novo Estado Nacional e Popular.
-
Simplificar os trâmites e processos administrativos dos organismos
estatais a que povo tem acesso.
-
Reforma Universitária, por uma Universidade democrática, nacional
e popular, promotora dum desenvolvimento endógeno.
-
Construir e desenvolver um movimento estudantil adequado à nova
realidade histórica do país: amplo, unitário e
revolucionário.
-
Retomar o impulso e o debate sobre a transformação
universitária, assumindo a participação concreta na nova
Lei da Universidade.
-
Implementar e aprofundar as Leis de Participação Popular e
ampliar os mecanismos democratizadores do poder, em todas as suas esferas: O
Poder Popular constrói-se aqui e agora.
-
Municipalizar o Poder Popular na nova Lei das Municipalidades, com a
incorporação, em todos os níveis de decisão, do
povo organizado: co-governo e democracia directa. O novo estado deve
construir-se desde baixo.
-
Reforma da Lei FIDES, ampliação até 50% da inversão
directa das comunidades
-
Construção concreta da Frente Revolucionária de Massas,
como instância de unidade e articulação programática
dos movimentos sociais e políticos, revolucionários do processo.
-
Discussão e desenvolvimento, desde baixo, dos 10 pontos do novo mapa
estratégico da revolução.
-
Assumir as Assembleias Populares como veículo para a discussão e
implementação da presente plataforma de luta.
[1]
N. do T.: Refere-se, entre outras, à Missão Barrio Adentro e
à Missão Robinson que, com ajuda cubana, levaram cuidados de
saúde a milhões que deles estavam privados e trabalham para a
extinção do analfabetismo na Venezuela.
O original encontra-se em
http://www.apiavirtual.com/modules.php?name=News&file=article&sid=4942
.
Tradução de JPG.
Este documento encontra-se em
http://resistir.info/
.
|