O que significa a vitória do chavismo na Constituinte?
por Victor Hugo Majano
O processo eleitoral vivido domingo na Venezuela e seus resultados
quantitativos mostram claramente um triunfo do chavismo, que além disso
tem uma poderosa correlação no político e no
simbólico.
A "batalha final" nem foi em Miraflores nem se decidiu com balas: foi
com votos e o resultado foi contundente. O chavismo agora tem toda a
legitimidade e o suporte legal para avançar sem vacilações
numa profunda modificação do quadro constitucional para assegurar
a paz, fortalecer a institucionalidade e recuperar o equilíbrio da
economia.
Uma análise preliminar permite identificar um conjunto de pontos chave
sobre as consequências dos factos:
1) Fica demonstrado que a oposição associada à MUD
[coligação da direita] não é maioria.
2) Tão pouco é a expressão das expectativas e necessidades
da maioria ou dos principais sectores do país. Nem sequer dos sectores
dominantes.
3) Não estão ao serviço dos interesses nacionais e sim de
factores externos bem identificados, o que nem sequer tentam disfarçar
ou dissimular.
4) Demonstraram seu carácter violento e sua irresponsabilidade no uso da
violência.
5) Pela sua parte, o chavismo demonstrou que é o único bloco
político capaz de propor e impulsionar um projecto nacional inclusivo,
que incorpore os principais factores sociais, institucionais, económicos
e políticos do país, entre os quais não estão
excluídos os vinculados organicamente com a oposição
agrupada na MUD.
6) A MUD, em contrapartida, deixou para a história sua não
pertinência política que a converteu numa ameaça para a
independência, a paz, a estabilidade institucional e o equilíbrio
económico da Venezuela. O bloco opositor não pode superar a
simples pretensão de tomar o poder e, em vez de desenvolver uma proposta
política, ficou preso numa dinâmica absolutamente destrutiva.
7) A origem e desenvolvimento do conflito agudizado desde 2012 é de
carácter económico e é determinado pelo acesso e a
distribuição da renda petrolífera. Em consequência,
a Venezuela não pode continuar a evadir o debate sobre a
superação do modelo do rentismo petrolífero assim como de
todos os elementos simbólicos derivados. Isto exige aproveitar a
posição vantajosa da Constituinte para tomar decisões
radicais que desmontem as estruturas produtivas altamente dependentes do sector
externo.
8) As condições de violência de rua e o contexto de
ameaças em que se deu a votação obrigou o chavismo a
assumir um compromisso maior. Paradoxalmente essas condições
podem ter funcionado como um estímulo à
participação. Assim se verificou em 2002-2003 após a
sabotagem petrolífera, em 2004, antes do revogatório, dentre
outras datas. Hoje o chavismo descontente e uma parte dos nem-nem (se se pode
falar de tal categoria) foram votar. O melhor que poderia esperar a MUD era a
indiferença.
9) O chavismo agora converte-se no principal moderador e impulsionador da
conversação política, mas isso o obriga a ser mais
inclusivo (no militante) e mais amplo no temático, no momento que se
envolve no concreto de cada factor social.
10) Uma boa parte das obrigações do chavismo implica a
construção de uma cosmogonia e de uma teleologia do povo
venezuelano que seja capaz de ser uma alternativa aos valores culturais do
capital. Isso inclui aspectos relacionados com o transcendental e a
religiosidade.
31/Julho/2017
O original encontra-se em
www.albatv.org/En-claves-Que-significa-la.html
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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