A Venezuela faria uma guerra primitiva se os Estados Unidos a invadissem

por Miguel Lozano [*]

CARACAS – Se os Estados Unidos atacarem a Venezuela terão de enfrentar a resistência de mais de um milhão de homens e mulheres e teriam que pagar um número de vítimas que não poderão suportar, advertiu o general Alberto Muller em 14/Fevereiro/2006.

Se for necessário o país resistirá a qualquer agressão externa com uma "guerra primitiva", sublinhou aquele alto oficial, recentemente reinserido pelo presidente Hugo Chavéz na Força Armada Nacional (FAN), após 20 anos de retiro.

Em declarações a um grupo de correspondentes estrangeiros em Caracas, Muller – que foi chefe da primeira campanha eleitoral de Chávez – precisou que no entanto vê poucas possibilidade de um ataque iminente dos EUA. Segundo a sua opinião, as forças armadas estadunidenses atravessam uma crise séria quanto a material humano, pois são incapazes de recrutar tropas a fim de substituir seus homens no Iraque e Afeganistão e Bush sofre um grande desprestígio dentro e fora do país.

Interrogado acerca da possível utilização de tropas de algum aliado estratégico de Washington, como a Colômbia, Muller salientou que se esse país se envolvesse numa agressão à Venezuela o poder seria tomado pelas guerrilhas.
O governo da Colômbia está ameaçada pela existência de um inimigo interno que nesse caso tomaria o poder, destacou o general venezuelano

Contudo, aquele alto oficial considerou que a ameaça de um ataque é real, a partir da posição assumida pelo governo de George W. Bush, os princípios da sua chamada guerra preventiva e uma tradição intervencionista. Recordou que os EUA intervieram muitas vezes na América Latina, antes de maneira conjuntural mas agora com a base teórica da "guerra preventiva" a fim de atacar países que potencialmente pudessem ser considerados um perigo para o futuro.

Mas a Venezuela, alertou, não é Panamá, Nicarágua nem Granada e sim um país com quase um milhão de quilómetros quadrados com uma geografia militarmente complicada, com zonas como a selva amazónica, as planícies ou as áreas montanhosas.

Quanto ao contexto internacional, Muller destacou que aquilo que os Estados Unidos fizeram foi acabar com o Direito Internacional e declararem-se em guerra com o mundo. Considerou a respeito que Washington renunciou aos pactos de controle de armamentos, nega-se a assinar acordos como o do Tribunal Penal Internacional e continua a produzir minas, gases e armas biológicas.

Quanto a estas últimos, sublinhou que existem "suspeitas muito bem fundamentadas" de que o vírus da SIDA foi criado num laboratório de guerra estadunidense. Além disso, qualificou de "absoluta imoralidade" o tratamento de Washington para com o Irão, pois o governo norte-americano foi o primeiro a romper o Tratado de Não Proliferação Nuclear.

21/Fevereiro/2006

[*] Jornalista da Prensa Latina.

O original encontra-se em http://www.nodo50.org/resumen/ , nº 709.


Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .
22/Fev/06