A Venezuela faria uma guerra primitiva se os Estados Unidos a invadissem
CARACAS Se os Estados Unidos atacarem a Venezuela terão de
enfrentar a resistência de mais de um milhão de homens e mulheres
e teriam que pagar um número de vítimas que não
poderão suportar, advertiu o general Alberto Muller em 14/Fevereiro/2006.
Se for necessário o país resistirá a qualquer
agressão externa com uma "guerra primitiva", sublinhou aquele
alto oficial, recentemente reinserido pelo presidente Hugo Chavéz na
Força Armada Nacional (FAN), após 20 anos de retiro.
Em declarações a um grupo de correspondentes estrangeiros em
Caracas, Muller que foi chefe da primeira campanha eleitoral de
Chávez precisou que no entanto vê poucas possibilidade de
um ataque iminente dos EUA. Segundo a sua opinião, as forças
armadas estadunidenses atravessam uma crise séria quanto a material
humano, pois são incapazes de recrutar tropas a fim de substituir seus
homens no Iraque e Afeganistão e Bush sofre um grande
desprestígio dentro e fora do país.
Interrogado acerca da possível utilização de tropas de
algum aliado estratégico de Washington, como a Colômbia, Muller
salientou que se esse país se envolvesse numa agressão à
Venezuela o poder seria tomado pelas guerrilhas.
O governo da Colômbia está ameaçada pela existência
de um inimigo interno que nesse caso tomaria o poder, destacou o general
venezuelano
Contudo, aquele alto oficial considerou que a ameaça de um ataque
é real, a partir da posição assumida pelo governo de
George W. Bush, os princípios da sua chamada guerra preventiva e uma
tradição intervencionista. Recordou que os EUA intervieram
muitas vezes na América Latina, antes de maneira conjuntural mas agora
com a base teórica da "guerra preventiva" a fim de atacar
países que potencialmente pudessem ser considerados um perigo para o
futuro.
Mas a Venezuela, alertou, não é Panamá, Nicarágua
nem Granada e sim um país com quase um milhão de
quilómetros quadrados com uma geografia militarmente complicada, com
zonas como a selva amazónica, as planícies ou as áreas
montanhosas.
Quanto ao contexto internacional, Muller destacou que aquilo que os Estados
Unidos fizeram foi acabar com o Direito Internacional e declararem-se em guerra
com o mundo. Considerou a respeito que Washington renunciou aos pactos de
controle de armamentos, nega-se a assinar acordos como o do Tribunal Penal
Internacional e continua a produzir minas, gases e armas biológicas.
Quanto a estas últimos, sublinhou que existem "suspeitas muito bem
fundamentadas" de que o vírus da SIDA foi criado num
laboratório de guerra estadunidense. Além disso, qualificou de
"absoluta imoralidade" o tratamento de Washington para com o
Irão, pois o governo norte-americano foi o primeiro a romper o Tratado
de Não Proliferação Nuclear.
21/Fevereiro/2006
[*]
Jornalista da Prensa Latina.
O original encontra-se em
http://www.nodo50.org/resumen/
, nº 709.
Esta notícia encontra-se em
http://resistir.info/
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