por Strategic Culture Foundation
A ilegalidade do governo dos EUA, ou mais precisamente "regime",
não tem limites, como se pode ver mais do que nunca na fracassada
tentativa de golpe na Venezuela nesta semana.
O chamado "levantamento" inicial de um minúsculo grupo de
militares venezuelanos confirmadamente armados com fuzis de assalto dos
EUA ao invés das armas de fogo padrão foi flagrantemente
incitada por altos funcionários da Casa Branca nos media durante o
horário nobre. O mau comportamento abertamente empenhado dos EUA
está em total violação do direito internacional e dos
princípios da Carta das Nações Unidas de defender a
soberania das nações.
Como se revelou, o lance do golpe foi um fracasso absoluto, degradando-se em
farsa. Não foi a primeira vez nos últimos três meses que
Washington tentou descaradamente instigar o caos na Venezuela e
fracassou.
No entanto, após a flagrante tentativa de Washington de desestabilizar
aquele país sul-americano, o secretário de Estado dos EUA, Mike
Pompeo, teve a audácia de acusar a Rússia de interferência
"ultrajante" na Venezuela. A administração Trump
está temerariamente a escalar o conflito ao internacionalizar o que
é um assunto político interno. Washington passou anos a fomentar
dissensões na Venezuela a fim de derrubar o governo socialista
legitimamente eleito de Caracas. Agora, os EUA tentam transformar a Venezuela
num sítio para conflitos geopolíticos, com
acusações ridículas contra a Rússia e Cuba por
ousarem aliar-se ao presidente Nicolas Maduro e sua administração
socialista naquele país rico em petróleo.
A política e a diplomacia americanas foram substituídas sem
rodeios pelo gangsterismo, pela propaganda e pela desinformação.
A Casa Branca já declarou aberta e audaciosamente que está em
busca de uma mudança de regime na Venezuela a fim de por as mãos
na imensa riqueza petrolífera do país. Há motivos legais
mais do que suficientes em termos legais para um processo a altos
funcionários dos EUA, incluindo o presidente Trump, por crimes de
agressão e guerra no estrangeiro.
A assim chamada oposição venezuelana, liderada por figuras
apoiadas e orientadas pelos EUA como o auto-declarado "presidente
interino", Juan Guaido, não tem mandato legal ou popular para
exigir que Maduro se retire. Washington está a promover uma guerra civil
no país pela sua imposição de sanções
económicas para estrangular a economia dependente do petróleo.
Altos funcionários dos EUA, como Pompeo e o conselheiro de
segurança nacional de Trump, John Bolton, pediram repetidamente aos
ministros e militares venezuelanos para actuar de forma traidora. Todos estes
movimentos ultrajantes dos EUA exacerbaram as condições e
tensões sociais na Venezuela, levando a violentos confrontos de rua,
como se viu mais uma vez esta semana.
Como se a ilegalidade de Washington não fosse suficiente, nesta semana
ela foi ainda mais longe na sua conduta ensandecida caluniando abertamente a
Rússia e Cuba ao alegar estarem a apoiar a "ditadura de
Maduro".
A Rússia e a maior parte (75%) dos estados membros da ONU continuam a
reconhecer o governo venezuelano como autoridade legítima.
Rússia, China, Cuba, México, Bolívia, Turquia,
Irão, entre muitos outros, estão incontestavelmente do lado do
direito internacional. São os EUA e certos estados latino-americanos
pró-Washington, bem como estados europeus, que estão fora da lei,
com seus esforços sem base para minar o governo venezuelano e ungir
alguma figura menor de oposição como líder.
A mentira das afirmações de Washington quanto ao apoio
à democracia na Venezuela é demonstrada pelo repetido
fracasso em alcançar a mudança de regime. A maioria do povo
venezuelano continua a apoiar o governo de Maduro, ou pelo menos é
indiferente à solicitação de Washington de um
levantamento. Crucialmente, os militares venezuelanos permanecem solidamente
leais ao governo e à constituição do país. A farsa
da tentativa de golpe esta semana é mais uma prova de que Washington
está a tentar impor sua agenda ilegal ao país. Evidentemente, a
administração Trump não está a ter êxito
neste caminho vil o que revela os limites do poder imperial americano no
mundo de hoje. Mas na sua petulância sobre este fracasso
embaraçoso, Washington parece estar a ultrapassar o limite da legalidade
e a razão ao tentar envolver a Rússia, Cuba e outros aliados da
Venezuela num conflito internacional.
Pompeo reiterou esta semana que os EUA estão preparados para utilizar a
força militar contra a Venezuela. Tal retórica é um acto
de agressão de tirar o fôlego numa longa linha de
agressões. Não há absolutamente nenhum simulacro de os EUA
terem qualquer desculpa de segurança nacional para
lançar uma intervenção militar na Venezuela. Isto equivale
a declarar terrorismo de estado, a par dos crimes condenados em Nuremberg pelos
quais os líderes nazis foram enforcados.
Os EUA não têm o direito legal ou moral de ameaçar a
Venezuela e intensificar a crise naquele país com a perda de vidas
decorrente da violência e de privações. Certamente, nesta
altura, os estados europeus devem perceber como erraram em grande estilo no seu
apoio primitivo às exigências de Washington quanto à
Venezuela.
O caminho americano é uma estrada para a perdição e os
membros da União Europeia devem reverter sua cumplicidade nas criminosas
maquinações de Washington de mudança de regime. O caminho
americano para o desastre sobre a Venezuela emergiu à plena vista esta
semana com o golpe fracassado, os confrontos mortais que provocou e,
além disso, o modo pelo qual a administração Trump
está a tentar orquestrar um conflito internacional com a Rússia
que cumpre lei apoiando a Venezuela.
Após o fracasso da Baía dos Porcos em 1961, quando um golpe
encoberto dos EUA em Cuba se transformou em desastre e ignomínia, pelo
menos Washington teve por vergonha de demitir altos funcionários
responsáveis por aquele desastre. Hoje, um fracasso semelhante na
Venezuela resulta em funcionários dos EUA a redobrar a guerra.
Washington é, portanto, um regime que está absolutamente fora de
controle e para além de qualquer restrição.
03/Maio/2019
Ver também:
EE.UU. Pompeo y Bolton se reunieron en el Pentágono para estudiar opciones militares contra Venezuela
, 03/Maio/19
Maduro instructs military to prepare to repel US attack on Venezuela
, 04/Maio/19
O original encontra-se em
www.strategic-culture.org/...
Este editorial encontra-se em
http://resistir.info/
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