A deriva da terceira via bolivariana
O assalto do TSJ contra o PPT
A Comissão Política do Comité Central do Partido Comunista
da Venezuela (PCV) manifesta sua enérgica recusa,
condenação e repúdio ao assalto que através do
Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) foi consumado contra a
organização Patria para Todos (PPT).
A decisão judicial que suspende a Direcção Nacional
legítima do PPT e designa uma junta interventora representante de uma
fracção interna minoritária afina a política do
PSUV-Governo, representa uma aberta e flagrante violação dos
direitos de associação política, estabelecidos na
Constituição da República Bolivariana da Venezuela, na Lei
de Partidos Políticos e nas regulamentações
correspondentes; ao mesmo tempo violenta a soberania da militância sobre
sua organização e desconhece o exercício da democracia na
vida interna dos Partidos.
Denunciamos que o atropelo judicial ilegal e anti-democrático executado
contra o Patria para Todos (PPT) se soma aos já consumados contra o
Movimiento Revolucionario Tupamaro (MRT) e a Unión Popular Venezolana
(UPV), configurando um exercício abusivo das prerrogativas e
competências que a Constituição da República
Bolivariana da Venezuela confere ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).
Enquanto a "celeridade processual" da Sala Constitucional do TSJ
é aplicada preferencialmente conforme o interesse político em
menos de 48 horas, no caso da Alcaldía do Município Libertador
(Estado de Monagas), arrebatada ilegalmente a Régulo Reina e ao PCV pela
direcção do PSUV com manobras administrativas no CNE e judiciais,
o TSJ não se pronuncia, apesar de a acção interposta
perante a Sala Eleitoral ter-se realizado nos primeiros meses de 2018.
É evidente que estas decisões judiciais não se
circunscrevem à esfera do direito e à
"aplicação da justiça" e sim que são
acções de carácter meramente político destinadas a
favorecer as orientações traçadas pelo binómio
PSUV-Governo, que pretende concretizar uma fictícia "unidade"
imposta e subordinada dos Partidos de esquerda com vista às
eleições parlamentares vindouras.
Uma suposta "aliança perfeita", que não foram capazes
de construir mediante o debate franco e colectivo, o respeito às
opiniões críticas das organizações à
gestão do governo no contexto da agressão imperialista e a
adopção de acordos programáticos a fim de mudar o curso
inconsequente da actual política económica de corte anti-popular
e anti-operário, que fazem recair com mais forças os efeitos da
crise capitalista e as "sanções" imperialistas sobre as
famílias trabalhadoras venezuelanas.
Não temos dúvidas de que com este atropelo do TSJ o que se
persegue é impedir que se configure a
Alternativa Popular Revolucionária (APR),
como uma opção autenticamente revolucionária das
forças do movimento operário, camponês, comunitário
e popular, frente ao aprofundamento da agressão imperialista, do
fascismo e das inconsequências do reformismo entreguista que se
entronizou na gestão do Executivo Nacional.
O Partido Comunista da Venezuela (PCV) mantém-se firme na sua
decisão e vontade política orgânica de construir, em
conjunto com as diversas correntes populares revolucionárias, a mais
ampla unidade operário, camponesa, comunitária e popular que se
exprime na
Alternativa Popular Revolucionaria (APR).
Nesse sentido, convocamos as bases e direcções das
organizações e correntes políticas, sociais, culturais,
intelectuais e populares, patrióticas, anti-imperialistas e
revolucionárias do país a incorporar-se maciçamente a este
esforços de construção colectiva que representa
Alternativa Popular Revolucionaria (APR).
Os abusos e investidas não debilitarão a decisão e vontade
do PCV, nem destruirão a Alternativa Popular Revolucionária,
porque esta é resultado das genuínas necessidades e
aspirações da classe operária, do campesinato, das
correntes comunitárias e das forças populares em geral de se
organizar e lutar para reverter as políticas anti-populares e
entreguistas como condição para poder fortalecer as capacidades
do povo trabalhador para fazer frente e derrotar a multifacética
agressão do imperialismo estado-unidense e dos seus aliados europeus.
Alertamos aos Partidos Comunistas e Operários do mundo, às
organizações revolucionárias e anti-imperialistas, frente
a esta perigosa tendência para o exercício autoritário do
poder que se está a instaurar em sectores do governo nacional, com seu
efeito negativo no exercício das liberdades democráticas, que
afectam fundamentalmente os direitos da classe trabalhadora e das forças
populares venezuelanas.
Finalmente, o Partido Comunista da Venezuela (PCV) reitera sua firme
solidariedade e compromisso de luta com a militância e
direcções legítimas dos Partidos Patria Para Todos (PPT),
do Movimiento Revolucionario Tupamaro (MRT) e da Unidad Popular Venezolana
(UPV) que foram vítimas do despojo arbitrário de suas
organizações.
RESISTIR, LUTAR, VENCER!
CONFRONTAR, RESPONSABILIZAR, REAGRUPAR E ACUMULAR FUERZAS PARA AVANÇAR E
TRIUNFAR FRENTE AO IMPERIALISMO E AO REFORMISMO ENTREGUISTA!
Comissão Política do Comité Central
Partido Comunista da Venezuela
Caracas, 21 de Agosto de 2020.
O original encontra-se em
prensapcv.wordpress.com/
Esta declaração encontra-se em
https://resistir.info/
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