Comunicação ao Presidente Maduro
por PCV
No passado dia 10 de Maio o PCV protocolou no Palácio de Miraflores,
sede do Governo venezuelano, uma comunicação dirigida ao chefe de
Estado venezuelano e presidente do PSUV com um conjunto de abordagens e apelos
urgentes. Devido à transcendência das preocupações
manifestadas neste momento em que se acelera a escalada das
agressões imperialistas o jornal
Tribuna Popular
publicou na íntegra a comunicação aqui transcrita:
Compatriota
NICOLÁS MADURO MOROS
Presidente da República Bolivariana da Venezuela
Presente.
Receba uma cordial, patriótica e revolucionária
saudação em nome da Comissão Política do
Comité Central do Partido Comunista da Venezuela (PCV).
Decidimos dirigir-nos a V. Exa. em momentos de grandes ameaças para a
pátria, perante a criminosa escalada agressiva, ingerencista e golpista
que desenvolve o imperialismo estado-unidense-europeu e seus
sócios-súbditos com a finalidade de liquidar a soberania
nacional, apropriar-se dos nossos recursos e forçar nosso alinhamento
com o bloco hegemónico dominante, no contexto da
agudização das contradições inter-imperialistas e
inter-capitalistas que dominam o cenário global.
Quanto a isso, nosso Partido tem sido reiterativo acerca da necessidade de
dotar o processo bolivariano de uma direcção colectiva,
unitária e revolucionária, onde as diferentes forças
políticas e sociais que integram a aliança patriótica se
vejam efectivamente expressas, que conduza o impulso da dinâmica
política, económica e social do nosso país, para a
elaboração colectiva das políticas e que, junto ao
Presidente da República e seu governo, avaliemos a gestão
governamental com critérios críticos e autocríticos,
realizando as correcções e rectificações que se
considerem necessárias em favor da classe operária e do povo
trabalhador da cidade e do campo. Além disso, sendo uma
direcção colectiva e unitária do processo e não
apenas do Governo, teria a seu cargo a condução geral coesa do
processo de mudanças e da sua defesa nacional e internacional, perante
arremetida do inimigo imperialista.
Entretanto, até o momento, tal colocação não foi
tomada em consideração pela direcção do Governo nem
do PSUV. Mas, ainda mais, é surpreendente que, apesar da
agudização da crise do capitalismo dependente e rentista
venezuelano, com o brutal cerca económico e as acções
golpistas do imperialismo e seus operadores nacionais, em geral afirmam-se as
tendências sectárias e excludentes a partir de instâncias do
governo e de sectores dirigentes do PSUV, a nível nacional e em muitas
regiões, apesar da assinatura do Acordo Unitário Marco PSUV-PCV.
Neste sentido chamamos a atenção, mais uma vez, de que os
compromissos contidos no "Acordo Unitário Marco" subscrito por
V. Exa. na sua condição de presidente do PSUV em 26 de Fevereiro
de 2018, não foram cumpridos. Até o presente, apesar da nossa
insistência, temos constatado a ausência total de interesse por
parte da direcção nacional do Governo-PSUV em criar
condições e espaços de trabalho para abordar em conjunto o
desenvolvimento e instrumentação deste importante Acordo.
Isto é particularmente grave quando pioram ao extremo as
condições das e dos trabalhadores, do campesinato pobre e do povo
em geral, enquanto produzem-se facto que indicam uma tendência marcada
para reverter realidades progressistas e conquistas populares estabelecidas
durante a gestão do presidente Chávez, como a
deterioração e a reprivatização de empresas
estatais, o retorno de fundos recuperados para mãos
latifundiárias, as crescentes violações dos direitos
trabalhistas, a desmontagem das convenções colectivas mediante a
imposição unilateral de tabelas salariais que pioram o
conquistado, a complacência sistemática para com os capitalistas
nas controvérsias operário-patronais, a
administração da crise a aplicar medidas que favorecem o capital
em detrimento dos interesses do povo trabalhador, entre outras
situações altamente preocupantes na medida em que minam a
fortaleza do processo bolivariano entre as massas trabalhadoras da cidade e do
campo.
A escalada agressiva do governo imperialistas dos EUA, acompanhada da sua
política de isolamento internacional do nosso país, somada ao
boicote empresarial, a actuação impune de grupos monopolistas,
máfias das comercialização e burocratas corruptos e
insensíveis, são factores que geram um colapso geral da economia
e uma queda imparável no nível de vida do nosso povo,
experimentando-se uma sensação de vulnerabilidade popular e uma
inacção inexplicável das autoridades. Tudo o que foi dito
exige do Governo venezuelano e das forças do processo uma resposta
enérgica, extraordinária e eficaz que, na nossa opinião,
deve ser necessária e resolutamente uma resposta revolucionária.
Referimo-nos, no essencial, a uma
nova concepção de governo, verdadeiramente democrático
popular revolucionário
, com novas políticas económicas, agrárias e laborais.
No imediato, consideramos uma necessidade imperiosa para a defesa da
pátria e para a geração da força unitária
operária, camponesa, comunal e popular que nos permita enfrentar a crise
com êxito, a activação imediata da
unidade de acção patriótica, anti-imperialista e
popular-revolucionária
, convocando todos os factores que estejam dispostos a defender nossa soberania
e as conquistas democráticas do povo, estabelecendo como núcleo
forte dessa ampla unidade de acção a direcção
colectiva e unitária integrada pelos partidos do processos e as
organizações operárias, camponesas, comunais e populares,
de alcance nacional, assim como todas as organizações que se
reivindicam revolucionárias, classistas, patrióticas e
progressistas.
Se bem que saudemos as intenções positivas que contém o
apelo presidencial, do último 1º de Maio, de abrir um processo de
consulta para a "rectificação" na gestão do
Governo, consideramos que é preciso ir mais além pois não
se trata simplesmente de buscar rectificações nos métodos
e procedimentos na gestão governamental e sim que, como
assinalámos anteriormente, exige-se uma nova concepção de
Governo, uma nova direcção política do processo
(direcção colectiva, unitária e consequentemente
revolucionária do processo) e novas políticas destinadas a
refundar e reconstruir o modelo económico venezuelano sob a
condução da classe operária e do povo trabalhador da
cidade e do campo, desmontando o poder dos monopólios e das
máfias, deslocando a burguesia no controle da economia nacional.
Para abordar estas propostas com maior amplitude e pormenores, assim como para
trocar ideias em torno de outras situações complexas e
necessárias para a defesa e aprofundamento do processo de
mudanças, propomos novamente, compatriota presidente, efectuar uma
reunião de trabalho entre V. Exa. e nossa Comissão
Política.
Sem mais no momento, reiteramos nossa saudação cordial,
patriótica e revolucionária.
Comissão Política do Comité Central do
Partido Comunista da Venezuela
10/Maio/2019
O original encontra-se em
prensapcv.wordpress.com/...
Esta declaração encontra-se em
http://resistir.info/
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