A natureza do monstro
|
|
Foram dados como desaparecidos dois discos de computador que continham detalhes
pessoais de todas as famílias do Reino Unido com filhos menores de 16
anos.
Os dados do Child Benefit ['Abono de Família'] incluem nome, morada,
data de nascimento, número da Segurança Social e, quando
relevante, detalhes bancários de 25 milhões de pessoas.
Alistair Darling, o director, instou as pessoas a vigiarem as suas contas
bancárias. Página da BBC News 20/11/2007
[1]
|
De vez em quando recebo uma carta a perguntar-me porque é que eu
faço isto? Quer dizer, isto não gera nenhum dinheiro que valha a
pena contar, consome uma enorme quantidade de tempo, mas também tempo
é a única coisa que eu realmente tenho, assim, como eu o uso
é apenas uma questão em parte por escolha e em parte porque
é muito difícil para mim ignorar aquilo que sei e sinto sobre os
acontecimentos e sobre os outros seres humanos e sobre o planeta que habitamos.
Como disse Engels, "Liberdade é o reconhecimento da
necessidade", por isso eu escolho livremente fazer isto.
Claro que não sou o único nisto, há muitas centenas, se
não milhares de pessoas por todo o planeta empenhadas em fazer
praticamente a mesma coisa. Foi sugerido pelos grandes meios de
comunicação que nós somos guiados apenas pelos nossos
egos, mas como o que serve para o galo também serve para a galinha e,
dada a vasta disparidade na exposição (para não mencionar
os rendimentos) em relação aos que escrevem nos grandes meios de
comunicação, trata-se mesmo de um roto a chamar esfarrapado ao
outro.
Mas chega destas homilias já gastas, voltemos ao ponto essencial, ou
quase, pois realmente não é uma questão de porque o
fazemos, afinal pouco importa a razão, o que conta é o produto
final e ainda mais importante, as circunstâncias e as ferramentas
à nossa disposição, que deram voz a milhares, que de outra
forma a não teriam. Cabe ao leitor decidir o que vale a pena ler e que
não vale.
O problema é que muitos de nós tivemos uma dieta forçada
de consumismo acrítico e passivo, de facto, estamos agarrados a isso;
romper hábitos tão fortes é do que se trata; trata-se de
por as pessoas a pensarem outra vez de forma crítica sobre o que se
passa e como e o que, se alguma coisa, podemos nós fazer sobre isso.
Claro que o inimigo tem gozado de um monopólio incomparável sobre
o discurso público desde sempre, por isso, quando um bando de 'jovens
pretensiosos' se aventura no 'seu' território (e ainda por cima sem
terem licenciaturas em jornalismo), eles ficam compreensivelmente irritados,
até ao ponto de criminalizarem certos tipos de discurso, e ainda pior,
criminalizando 'opiniões', como no 'delito de opinião', numa
vã tentativa de reverterem as coisas.
Assim, podemos ver o último acontecimento nesta chamada sociedade livre,
a rotulagem de uma jovem e da sua poesia como nada mais nada menos que
terrorista e terrorífica, respectivamente. Mas o que quer que pensem
sobre os seus pontos de vista e sob a forma de os exprimir, quando o
país onde vivem começa a criminalizar poesia (está bem,
não é uma poesia muito boa, mas será crime?) vocês
sabem que estão em sarilhos. Gordon Brown é Oliver Cromwell
reencarnado, empenhando uma cara de perdigueiro e roupas a condizer que seriam
aprovadas pelos fanáticos de cilício do século XVII, os
puritanos, na sua 'missão' de nos salvar de nós próprios.
É a treta do costume, toda ela indicadora de quão realmente fraca
é a sua alegada moralidade, actos desesperados feitos para nos manterem
afastados de coisas mais importantes, como quem criou esta confusão,
para começar.
Mas reparem que actualmente os poderes instalados se restringem a reprimir
áreas de expressão muito limitadas, por exemplo, o chamado
fundamentalismo extremista de índole muçulmano. Não
é como nos 'bons velhos tempos', quando havia milhares de esquerdistas
em quem bater e até um 'império do mal' em quem deitar as culpas
por tudo o resto. Assim, a sua rede não pode ser lançada
tão longe como já foi no passado, pelo menos por enquanto. Por
quanto tempo iremos gozar da liberdade de difundir as nossas ideias, isso
depende em parte da sua capacidade de o impedir (por exemplo, eu reparei que no
meu histórico de visitantes apareceram leitores da Birmânia, ou
Mianmar para usar o seu nome oficial, mesmo no pico da recente
repressão).
Não será uma novidade dizer que o mundo mudou tanto nas duas
últimas décadas que quase ficou irreconhecível, parece que
reentrámos no tempo dos dinossauros, criaturas gigantes calcorreando o
planeta, 'guiadas' por cérebros minúsculos. Temos então,
por um lado, uma concentração dos poderosos meios de
comunicação meios que são afinal uma pilha de
processos fundamentais para a sobrevivência do capitalismo ou nas
mãos de grandes corporações ou nas mãos do Estado
(que de qualquer forma está agora abertamente na cama com as grandes
corporações) e por outro lado, milhares de 'melgas', nós,
zumbindo sobre a carcaça podre do capitalismo.
Há algo de muito tentador na forma como o Estado e o capital se
relacionam com o mundo de pesadelo que criaram para nós. É quase
como se as tecnologias de repressão fossem uma espécie de
religião para as elites dominantes, inspiradas por superpoderes naturais
místicos que enfeitiçaram os seus detentores. Teoricamente
capazes do controlo total, na realidade, mostrou-se ser virtualmente
impossível para eles, conseguirem que algum dos seus mais ambiciosos
projectos funcione como pretendido (ou que simplesmente funcione), não
que isto os impeça de gastarem o nosso dinheiro e a usar os nossos
talentos nessa tentativa.
Pouco alivia, eu sei, mas mostra quão frágil é realmente o
seu controlo. Mantê-lo depende de não percebermos a mensagem e de
não recusarmos fazer o trabalho sujo por eles.
Teve como resultado um fascinante choque de culturas: a máquina do
Estado, delineada à imagem de Maquiavel, onde se controla a
informação e como ela é usada, era um mundo de papel e de
milhares de burocratas treinados durante séculos para gerirem a
máquina do estado de uma determinada forma.
Entram no computador, a última arma de controlo social, assumindo claro,
que sabem implementar o seu poder. O problema é que como
seguramente teria reconhecido Maquiavel deixar a gestão da
máquina do Estado a um bando de totós semi-instruídos,
cromos e videirinhos, pretendendo virem a ser o próximo Bill Gates, fica
a milhas de administrar realmente a máquina do Estado.
Foram gastas milhares de milhões de libras no equivalente à
construção das Pirâmides, e até agora, nem um
único projecto atingiu os seus objectivos, muitos foram anulados por
serem inerentemente impraticáveis ainda antes de terem sido terminados.
Mas não se preocupem, a natureza dos contratos significa que estes
pregadores da nova religião do Estado podem simplesmente recolher os
seus lucros sujos, safarem-se do fiasco total e deixar para outra pessoa
qualquer a organização do caos e da confusão que eles
deixaram para trás.
Isto é corrupção em grande escala. Vejam por exemplo o
projecto de 'computorizar' o Serviço Nacional de Saúde, o maior
projecto de computorização que alguma vez foi levado a cabo e que
está a custar milhares de milhões (e sem dúvida mais
milhares de milhões para tentar consertá-lo), é um total e
completo falhanço.
Demonstra quão ignorantes são estes novos mandarins do
silício, não apenas porque eles são tecnicamente
incompetentes (apesar de indubitavelmente isto jogar um papel importante) mas
porque as redes de computadores transformam a forma como funciona a burocracia.
As burocracias existem para gerir a complexidade, compartimentando escolhas. O
aumento de escolhas aumenta a complexidade e logo a
compartimentação. As redes de computadores funcionam de uma forma
completamente diferente; elas procuram manter tudo ligado. Quanto mais
complexidade há, mais ligações são precisas. Isto
é bom para produzir automóveis ou arrumar latas num supermercado,
onde se sabe o que entra e o que sai e há resultados fixos.
A palavra-chave é governo 'conjunto' (se for a fabricar um
automóvel chama-se 'cadeia de abastecimento'). Os parvos em Witehall
foram levados a pensar, pelos totós, que ao ligarem 'simplesmente' os
ministérios e as suas várias funções, a
complexidade poderia ser gerida pela rede.
Mas há um ditado que diz 'se entra lixo, sai lixo' (uma frase com
certeza não mencionada em toda aquela porcaria paga pelos impostos), que
mesmo assim não serve para descrever o potencial para a
catástrofe inerente no processo de tentar fazer uma rede da burocracia
do estado. Por comparação, fazer com que cada peça usada
para fabricar um automóvel esteja no local certo, no momento certo (e ao
preço certo) é uma brincadeira de criança; há um
número finito de componentes envolvidos, todos eles são
monitorizados, em tempo real, enquanto percorrem a cadeia de abastecimento.
Gerir uma rede social (que em termos informais é o que o Serviço
Nacional de Saúde no fundo é) é um bicho completamente
diferente. As pessoas não adoecem por ordem nem o fazem em locais
próprios e em alturas conveniente, e o seu tratamento depende de uma
rede complexa de relações, do paciente ao médico, do
médico ao especialista e depois ao hospital (onde realmente
começa a 'brincadeira').
Somado a isto está a necessidade do Estado de obter
informação sobre nós cidadãos (ou não
cidadãos conforme for o caso), pois não estamos apenas a falar de
saúde mas de controlo social, usando a rede de saúde como um
veículo para determinar coisas como os 'direitos' a um recurso limitado,
os cuidados de saúde. Se fosse apenas para seguir a história
clínica não seria tão difícil (temos feito isso
durante décadas com as fichas de papel sem problema), mas é a
tentativa de 'juntar tudo' que causa o problema (para não falar no
imenso problema da confidencialidade e exactidão).
É obvio que uma rede deste tipo é aberta e sem limites, e uma vez
que o estado perceba que não há um limite teórico à
quantidade de informação que pode obter sobre nós, o passo
seguinte será tentar obtê-la. Quanto mais
informações conseguem e 'juntam', mais complicada é a
interligação e cada vez que se troca informação,
são introduzidos erros. É o filme
'Brazil'
passado à vida real, onde pequenas 'falhas' são amplificadas
à medida que a mesma informação é usada por
diferentes ministérios com propósitos completamente diferentes.
Na actualidade, isto vai directamente contra a razão pela qual tivemos
burocracias em primeiro lugar, nomeadamente a compartimentação da
complexidade, quebrando-a em partes de mais fácil gestão, com
cada função a ter uma determinada agência. Uma vez
embarcados naquilo que é efectivamente a criação de uma
máquina do estado única e em rede, mais decisões
são 'passadas' às ferramentas informáticas que foram
construídas usando uma premissa ideológica: o controlo total
sobre o cidadão, um processo que está a ser administrado por um
Estado securitário composto quer por entidades públicas quer por
privadas, trabalhando (alegadamente) em conjunto.
O caos resultante é talvez melhor apercebido se virmos a forma como o
Home Office [Ministério do Interior] (não) conseguiu lidar com a
expansão do seu papel provocada pela colocação das suas
funções em rede ou por 'juntá-las', como nos casos dos
órgão de segurança do Estado, da segurança social,
da saúde, e por aí fora.
Mas está tudo a ser construído em cima de uma gigantesca
carcaça feita em papel, a herdada burocracia do Estado, que durante
quinhentos anos tem vindo a gerir o capitalismo da forma tradicional.
Chamar-lhe choque de culturas é um eufemismo.
A genialidade dos Serviços Públicos Britânicos,
construída durante séculos, resultou de dispor de gestores de
muita confiança (todos instruídos em escolas da especialidade e
universidades) que podiam então gerir os seus próprios
ministérios sem muita interferência 'externa'. Durante
séculos, o Reino Unido dominou um império com uma das mais
pequenas burocracias. A Índia, por exemplo, foi dominada por apenas
algumas centenas de funcionários públicos (britânicos) e
até ao século XIX, mesmo o exército de
ocupação era uma PMC [Companhia Militar Privada], propriedade da
Companhia das Índias Orientais. Os Blackwater são amadores em
comparação, mas isto revela mais uma vez que aquilo a que estamos
a assistir não é nada de novo, esta é a forma como o
capitalismo gosta de fazer as coisas, liberto de ninharias como
supervisões gerais e regulamentações.
Mas com a chegada do Fascismo cibernético ao universo cuidadosamente
ordenado dos nossos serviços públicos 'neutrais', ela
própria resultado da 'junção' entre a classe
política e os sues leiais funcionários, temos agora uma
união que se está a desmoronar sob a pressão da tentativa
de construir o estado securitário corporativo sobre as ruínas do
velho consenso.
É um dilema interessante e único para a classe política
dominante, pois para construírem o estado securitário corporativo
'ideal', depois de embarcarem num tal projecto, ele não pode parar, tem
de crescer em poder e complexidade, e cada processo ganha uma 'vida
própria' (por exemplo o sistema penal; prender pessoas é agora um
negócio que tem a sua própria dinâmica interna para
expandir a sua acumulação de capital, arranjando mais
prisioneiros e mantendo-os presos durante o maior tempo possível).
Quem perde somos nós, as pessoas a quem a burocracia do Estado pretende
ser útil, em teoria. O que se vê aqui é um paradoxo
fundamental provocado essencialmente pela vontade de privatizar o Estado e
geri-lo como se fosse um negócio.
Assim, por exemplo, as pessoas não precisam de 'escolha' no que toca a
cuidados de saúde, olhando a saúde como se de um bem de consumo
se tratasse; o que precisamos é do direito ao tratamento do que quer que
nos aflige.
O 'Novo' Partido Trabalhista apregoa os milhões que gastou nos
serviços de saúde mas a maior parte foi dada a
corporações que não fazem a mínima ideia como
funciona a burocracia, muito menos como geri-la. É uma gigantesca
vigarice feita à população com números bem grandes,
quanto maiores melhor, para nos impressionar, mas na realidade aquilo que
está a acontecer é que o Estado deu milhares de milhões a
empresas privadas que na sua maioria não conseguiram fazer um bom
trabalho. Na realidade é uma privatização feita pela porta
das traseiras.
Falar de uma crise do capitalismo é uma espécie de eufemismo, mas
esta é uma crise auto-infligida, provocada pelas
contradições intrínsecas do sistema capitalista que
presumiram que com a derrota do 'socialismo real', o capitalismo podia
prosseguir sem muitas interferências. O mundo era agora deles.
Então porquê a 'guerra ao terrorismo'? Bem, porquê a 'guerra
às drogas' ou a 'guerra ao comportamento anti-social'? Porquê a
guerra, ponto final?
A resposta a esta questão é 'a natureza humana', uma resposta que
serve para tudo mas que não explica nem justifica séculos de
matanças. Também podemos dizer que os humanos são
intrinsecamente bondosos, afinal esta palavra é um outro sinónimo
de humano.
A guerra a alguma coisa é tão fundamental para o capitalismo que
se não existir um inimigo 'real' tem de se inventar um. Basta olhar para
os últimos quinhentos anos para ver que a 'paz' é a
excepção à regra. O capitalismo tem vindo a fazer a guerra
no mundo há séculos, não tem escolha (apesar de como se
viu na invasão do Iraque, afirmar que a faz relutantemente mas
não explica porque é que gasta milhares de milhões em
armamento e em preparação para a guerra a quase tudo).
E o que é importante nisto é que a alegada relutância em ir
para a guerra foi uma resposta directa à incapacidade de nos convencerem
que a guerra era a única via aberta, por isso tiveram de inventar
desculpas mais extremas. Mas mesmo isso não resultou, por isso deixaram
de nos tentar convencer e fizeram o que sempre fazem quando chega a hora do
aperto: ignoraram-nos.
E nos quatro anos desde o fatídico dia de Março de 2003,
nós vemos os resultados: um mundo cada vez mais desestabilizado e um
sistema capitalista preso numa crise da sua própria autoria, e para a
qual a sua única resposta é ainda mais repressão em casa,
onde realmente conta. Agir de outra forma seria admitir que as suas
políticas tinham falhado completamente, quer para derrotar o 'inimigo'
quer em nos convencer de que a 'civilização Ocidental'
está ameaçada de morte.
Nota
1. Entretanto, por coincidência e só para confirmar o que digo, o
ultimo desastre, a 'perda' dos registos de 25 milhões de pessoas, faz
capas de jornais aqui no Reino Unido. O que é impressionante e
incrível, em mais uma enorme argolada do 'Novo' Partido Trabalhista,
são as desculpas que estão a ser dadas, incluindo a 'dificuldade'
em descobrir uma informação que o Gabinete Nacional de
Inquérito necessitava. Mas afinal porque é que o Gabinete
Nacional de Inquérito necessitava dessa informação? Isso
não foi explicado, nem, imagino eu, nunca iremos descobrir.
Considerem o seguinte: uma base de dados é constituída por
campos; cada campo é composto por um determinado tipo de
informação, por exemplo, o nome, a morada, a data de nascimento,
etc. Ainda estou para ver uma base de dados em que determinados campos de dados
não possam ser exportados para outra. No entanto todos os 25
milhões de registos (quase metade da população) foram
copiados para dois CDs e enviados através do 'serviço' de
transportes da empresa TNT do 'Manhoso' Murdoch e desapareceram não se
sabe onde. Multipliquem isto por todas as asneiras 'conjuntas' do 'Novo'
Partido Trabalhista e já ficam com uma ideia da escala dos desastres que
estão para acontecer.
Isto é a governação 'conjunta' em acção, com
informações sensíveis a serem partilhadas literalmente por
milhares de pessoas em centenas de ministérios, departamentos,
câmaras, empresas e sabe-se lá quem mais. Incompetência?
Indiferença? Corte nas despesas? (foram eliminados 10 mil
funcionários públicos dos Serviços de
Cobrança/Alfândegas e dos Impostos que tinham (têm?) estes
dados.) E nem interessa qual é a razão. Todo o processo é
uma vigarice do início ao fim, com a população a pagar o
preço de várias formas e os grandes negócios a fazerem
fortuna.
Novembro/2007
O original encontra-se em
http://www.creative-i.info/?p=156
.
A tradução em Tlaxcala encontra-se em
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4234&lg=po
. Tradução de Alexandre Leite, editor de
http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt
e membro de Tlaxcala, a rede
de tradutores pela diversidade linguística. Esta tradução
pode ser reproduzida livremente desde que a sua integridade seja respeitada,
bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e
à fonte.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
|