Relatório sobre os resultados da análise de documentos relacionados às atividades biológicas militares dos Estados Unidos no território da Ucrânia

Ministério de Defesa da Rússia

Durante a operação especial na Ucrânia, foi comprovado que cientistas estadunidenses de um laboratório em Merefa (Região de Kharkov) estavam testando medicamentos biológicos potencialmente perigosos em pacientes do Hospital Psiquiátrico Clínico Regional Nº 3 em Kharkov, entre 2019 e 2021.

Uma operação militar especial das tropas russas forneceu informações adicionais sobre as atividades militares e biológicas dos EUA na Ucrânia, confirmando inúmeras violações da Convenção sobre Armas Biológicas.

Aproveitando as lacunas existentes no direito internacional e a falta de um mecanismo claro de verificação, a administração dos EUA tem construído consistentemente suas capacidades militares e biológicas em várias regiões do mundo.

A Federação Russa tem feito esforços contínuos para estabelecer um mecanismo de verificação BTWC [Biological and Toxin Weapons Convention], mas esta iniciativa tem sido consistentemente bloqueada pelo Ocidente coletivo, liderado pelos EUA, desde 2001.

O mecanismo existente do Secretário-Geral da ONU para investigação de uso suspeito de armas biológicas e tóxicas, bem como o Protocolo de Genebra de 1925 para a Proibição do Uso de Asfixiantes, Venenosos ou Outros Gases e Métodos Bacteriológicos de Guerra e Conflitos Militares, não cobrem a verificação das atividades biológicas dos Estados Partes. A Organização para a Proibição de Armas Químicas, sediada em Haia, também não possui essa autoridade.

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Anteriormente, fornecemos um esquema para coordenação dos EUA de laboratórios biológicos e institutos de pesquisas na Ucrânia.

Um dos seus elementos é o Centro Ucraniano de Ciência e Tecnologia (STCU), uma organização aparentemente não pública que nada tem a ver com o Pentágono.

O Ministério da Defesa russo conseguiu descobrir seu papel nas atividades militares e biológicas dos EUA na Ucrânia.

De acordo com seus estatutos, o STCU é uma organização intergovernamental internacional criada para “[…] prevenir a disseminação de conhecimentos e perícia relacionados a armas de destruição em massa […]”.

Seu status legal é definido pelo Acordo de 25 de outubro de 1993 entre os governos da Ucrânia, Canadá, EUA e Suécia e o Protocolo de Emenda de 07 de julho de 1997.

O STCU está sediado em Kiev e possui escritórios regionais em Baku, Chisinau e Tbilisi, bem como em Kharkov e Lviv.

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Entretanto, o Centro Especializado em Ameaças Químicas e Biológicas do Ministério da Defesa da Rússia descobriu que a principal atividade do STCU funciona como um centro de distribuição do Pentágono para pesquisas de interesse, incluindo de armas biológicas.

Somente nos últimos anos, Washington gastou mais de US$350 milhões em projetos do STCU.

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Os clientes e patrocinadores do STCU nos EUA são o Departamento de Estado e o Departamento de Defesa. O financiamento também é fornecido através da Agência de Proteção Ambiental, dos Departamentos de Agricultura, Saúde e Energia dos EUA.

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Além disso, observe o documento elaborado pelos curadores do STCU, datado de 11 de março de 2022, que sublinha a verdadeira natureza desta organização. Ele observa, citando: “[…] tem havido um fluxo de especialistas científicos no desenvolvimento de meios de fornecimento e armamento avançado que têm trabalhado para instituições ucranianas, assim como especialistas no desenvolvimento de armas biológicas, radiológicas, químicas e nucleares. Os profissionais mais bem treinados com experiência de trabalho com materiais e tecnologias de dupla utilização (entre 1.000 e 4.000) encontraram-se em circunstâncias profissionais e financeiras desfavoráveis. Isto os torna vulneráveis à deserção para outros estados para participar de programas de desenvolvimento de ADM, sistemas de fornecimento e outras armas […].”

Ao usar tais palavras, Washington na verdade reconhece o trabalho dos especialistas ucranianos no desenvolvimento do fornecimento e uso de armas de destruição em massa, e considera apropriado continuar a financiá-las.

Aqui estão os nomes dos funcionários que estiveram envolvidos nos programas militares-biológicos:

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O cargo de diretor executivo do STCU é ocupado por Bjelajac Curtis Michael, um cidadão estadunidense. Nascido em 27 de agosto de 1968 na Califórnia, ele estudou na Anderson University of Management da Califórnia. É mestre em finanças internacionais e trabalha na Ucrânia desde 1994.

O presidente da União Europeia do conselho do STCU é Maier Eddie Arthur; o presidente dos EUA é Phil Dolliff, que é o Secretário Assistente Adjunto do Departamento de Estado para Segurança Internacional e Programas de Não Proliferação de Armas de Destruição em Massa.

Documentos recebidos pelo Ministério da Defesa russo confirmam os laços da STCU com o departamento militar dos EUA. O slide mostra uma recomendação formal do Departamento de Estado dos EUA endossando a cooperação da STCU com o principal contratante do Pentágono, a Black & Veach. A correspondência expressa a vontade de Matthew Webber, vice-presidente da empresa, de trabalhar com o STCU na pesquisa militar-biológica em andamento na Ucrânia.

Entre 2014 e 2022, o Centro de Ciência e Tecnologia da Ucrânia implementou 500 projetos de P&D em países pós-soviéticos (Ucrânia, Geórgia, Moldávia e Azerbaijão).

Os supervisores estadunidenses estavam principalmente interessados na pesquisa de uso duplo, como o projeto 6166, Desenvolvimento de Tecnologias para Modelagem, Avaliação e Previsão de Efeitos de Conflitos e Ameaças de Difusão de Armas de Destruição em Massa, e o projeto 9601, Transferência de Tecnologias Ucranianas para a Produção de Materiais Complexos de Uso Duplo para a União Europeia.

Muitos deles têm como objetivo estudar agentes potenciais de armas biológicas (peste, tularemia) e patógenos de importância econômica (influenza aviária patogênica, peste suína africana). Os projetos P-364, 444 e 781, destinados a estudar a propagação de patógenos perigosos através de vetores de insetos, aves selvagens e morcegos, foram financiados pelo Centro diretamente no interesse do departamento militar.

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Observe os documentos do Projeto 3007 “Monitoramento da situação epidemiológica e ambiental relativa a doenças perigosas de origem aquática na Ucrânia”.

Durante o trabalho, especialistas ucranianos, supervisionados por cientistas estadunidenses, coletaram sistematicamente amostras de água em vários dos principais rios ucranianos, incluindo o Dniepre, Danúbio e Dniester, bem como no Canal da Crimeia do Norte, para determinar a presença de patógenos particularmente perigosos, incluindo cólera, febre tifoide, patógenos da hepatite A e E e tira conclusões sobre sua possível propagação através da água.

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O projeto avaliou as propriedades de danos das amostras selecionadas e depositou as estirpes numa coleção e posteriormente exportou-as para os EUA.

Este é um mapa dos recursos hídricos da Ucrânia. Sua análise mostra que os resultados deste trabalho podem ser utilizados para criar uma situação biológica desfavorável não apenas na Federação Russa, mas também no Mar Negro e no Mar de Azov, bem como na Europa Oriental – Bielorússia, Moldávia e Polônia.

Nossa preocupação com as atividades de Washington na Ucrânia decorre do fato de que, ao contrário de suas obrigações internacionais, os EUA mantiveram normas em sua legislação nacional que permitem o trabalho no campo das armas biológicas.

A ratificação do Protocolo de Genebra de 1925 pelos Estados Unidos foi acompanhada de uma série de reservas, uma das quais permite o uso retaliatório de armas químicas e tóxicas.

Sob a Lei de Unidade Federal e Coesão Contra o Terrorismo dos EUA, a pesquisa sobre armas biológicas é permitida com a aprovação do governo dos EUA. Os participantes de tais pesquisas não são criminalmente responsáveis pelo desenvolvimento de tais armas.

Desta forma o governo dos EUA está implementando o princípio de que o direito interno tem precedência sobre o direito internacional nesta área. A pesquisa mais controversa eticamente é conduzida fora das jurisdições nacionais.

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Assim, durante a operação especial na Ucrânia, foi estabelecido que cientistas estadunidenses de um laboratório em Merefa (Região de Kharkov) estavam testando medicamentos biológicos potencialmente perigosos em pacientes do Hospital Psiquiátrico Clínico Regional Nº 3 em Kharkov entre 2019 e 2021.

Pessoas com distúrbios mentais foram selecionadas para os experimentos com base na sua idade, nacionalidade e status imune. Formulários especiais foram usados para registrar os resultados do monitoramento de pacientes 24 horas. As informações não foram inseridas no banco de dados do hospital e o pessoal da instituição médica assinou um acordo de não-divulgação.

Em janeiro de 2022, o laboratório em Merefa foi fechado e todos os equipamentos e preparativos foram transferidos para a Ucrânia ocidental.

Há uma série de testemunhas dessas experiências desumanas, cujos nomes não podemos revelar por razões de sua segurança.

Finalmente, em um informe anterior, descrevemos um dispositivo técnico para a entrega e aplicação de formulações biológicas que foi patenteado nos EUA.

Ao mesmo tempo, foi observado que a Ucrânia havia enviado um pedido à empresa fabricante a respeito da possibilidade de equipar os drones Bayraktar com equipamento de aerossol.

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É motivo de preocupação que em 09 de março três veículos aéreos não tripulados equipados com recipientes de 30 litros e equipamento para pulverização de formulações tenham sido detectados por unidades de reconhecimento russas na região de Kherson.

Em janeiro de 2022, a Ucrânia teria adquirido mais de 50 dispositivos desse tipo através de organizações intermediárias, que podem ser usados para aplicar formulações biológicas e produtos químicos tóxicos.

Continuaremos a analisar as evidências de crimes cometidos pela administração dos EUA e pelo regime de Kiev na Ucrânia.

15/Abril/2022

Ver também:
  • O envolvimento do filho de Biden no financiamento de programas biológicos na Ucrânia
  • Experiências biológicas dos EUA sobre soldados aliados na Ucrânia e na Geórgia, Dilyana Gaytandzhieva
  • BioBiden – Preparativos sinistros do Pentágono para a guerra biológica, María Zakharova
  • Acerca da guerra bacteriológica durante a Guerra da Coreia, Jeffrey Kaye
  • Germany involved in ‘military biological activities’ in Ukraine
  • O original encontra-se em t.me/mod_russia_en/878 e a tradução de Zeca Tonolli em sakerlatam.es/...

    Este artigo encontra-se em resistir.info

    17/Abr/22