"Reforma do estado" promove terrorismo social
por CGTP-IN
Foi anunciado um relatório com um novo "pacote de
sacrifícios" que abrangem a generalidade da população
e que, cristalinamente, revela o falhanço completo de uma
política onde mais austeridade significa a deterioração
das contas públicas. E de nada vale dizer que se trata meramente de um
relatório do FMI, porque participaram na sua elaboração o
Banco Mundial, a Comissão Europeia e, mais grave ainda, dez ministros e
cinco secretários de Estado.
1.
Foi hoje anunciado um relatório que avança com um novo
"pacote de sacrifícios" que abrangem a generalidade da
população:
redução das pensões, mais
despedimentos no sector público e no sector privado, agravamento das
taxas moderadoras da saúde, limites no acesso aos serviços de
saúde, novo aumento das propinas; nova redução dos
subsídios de desemprego, subida da idade da reforma, entre outras. Ainda
que algumas das intenções anunciadas tenham como alvo
privilegiado os trabalhadores da Administração Pública
(como o despedimento de professores e de trabalhadores colocados no quadro de
excedentários), a verdade é que são de facto abrangidos a
generalidade dos trabalhadores e dos pensionistas.
2. A análise das intenções divulgadas não arrepia
apenas pela indiferença social perante as suas implicações
sociais num povo já fustigado pelo sofrimento. Mostra que para o Governo
do PSD-CDS e a troika não há limites porque se sentem impunes.
Para a CGTP-IN, estamos perante intenções de puro terrorismo
social.
E de nada vale dizer que se trata meramente de um relatório do
FMI, porque participaram na sua elaboração o Banco Mundial, a
Comissão Europeia e, mais grave ainda, dez ministros e cinco
secretários de Estado.
3. O que esta nova chantagem cristalinamente revela é o falhanço
completo de uma política onde mais austeridade significa a
deterioração das contas públicas. Com efeitos directos na
cobrança de receitas pelo Estado, como revelam os dados da
execução orçamental de Janeiro a Novembro de 2012. A
receita fiscal e as contribuições para a segurança social
deverão cair de 5% em 2012. Com mais medidas de austeridade maior
será a queda nos impostos, a degradação das contas
públicas e o enfraquecimento da actividade económica. Em suma,
estamos num
processo de espiral recessiva que generaliza o empobrecimento,
fragiliza a democracia e põe em causa a soberania do país.
4.
Esta política está a ter um efeito devastador sobre a economia
e a afastar cada vez mais o país da média da UE.
Portugal tinha
em Novembro a terceira mais alta taxa de desemprego na Europa, depois de
Espanha e Grécia (16,3% e 38,7% para os jovens). No entanto, a maioria
dos desempregados não tem prestações de desemprego e a
troika ainda acha excessiva a protecção social aos desempregados,
depois de todos os cortes efectuados e previstos, como no Orçamento de
Estado para 2013. É chocante vermos responsáveis da troika a
considerarem como excessiva uma prestação de desemprego que teve,
entre Fevereiro e Outubro de 2012, um valor médio de 502 euros por
beneficiário. Mas os efeitos da austeridade não se espelham
apenas no desemprego porque muitos activos, empregados e desempregados,
nomeadamente jovens altamente qualificados, estão a deixar o
país. O país está a assistir a uma quebra impressionante
do nível de emprego (ver gráfico).
Fonte: Eurostat
5.
A política de austeridade está igualmente a pôr em causa
as funções sociais do Estado.
A segurança social já
entrou em défice o ano passado devido á diminuição
das contribuições, ao aumento da despesa com os desempregados
(apesar dos seus direitos terem vindo a ser reduzidos) e à
diminuição das transferências do Estado para os regimes
não contributivos. As outras funções do Estado
estão à beira da ruptura. É evidente que muitas
famílias se estão a privar nas despesas com a saúde,
incluindo nos medicamentos, situação que pagarão caro no
futuro. Também na Educação, o ataque à Escola
Pública e o abandono escolar, por dificuldades financeiras, condiciona a
qualificação das novas gerações e hipoteca o futuro
do país. Com novos cortes e com novas reduções de pessoal
na Administração Pública, estas funções
serão mais enfraquecidas, dirigir-se-ão cada vez mais à
população mais pobre e a qualidade dos serviços
públicos para todos os cidadãos será enfraquecida. As
desigualdades serão ainda maiores numa das sociedades mais desiguais da
União Europeia.
6. A CGTP-IN considera ser dever nacional romper com esta política, que
está a pôr em causa direitos, liberdades e garantias
constitucionais! O memorando da troica e a política de direita
são os problemas que impedem as soluções para o
desenvolvimento económico e social do país.
Prosseguir a
política de austeridade, que agora se pretende agravar até
limites insustentáveis, é irresponsável.
De facto, usando
as contas do FMI, da austeridade resultará uma recessão ainda
maior o que terá ainda maiores impactos sobre o desemprego, a procura
interna, a pobreza e a exclusão social.
7. A única forma de quebrar a espiral recessiva, é pôr fim
a esta política de austeridade e assegurar uma política de
crescimento e criação de emprego, o que exige a
reestruturação da dívida e a diminuição do
sufocante peso dos juros pagos. Neste sentido, a CGTP-IN exorta os
trabalhadores e a população em geral a associarem-se à
Petição "Pela defesa das funções sociais do Estado"
e a participar, nomeadamente, na
Jornada de Acção e Luta Nacional, no dia 16 de Fevereiro
, em todos os distritos do continente e regiões autónomas.
O original encontra-se em
www.cgtp.pt/...
Este documento encontra-se em
http://resistir.info/
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