Resolução
Basta de exploração e empobrecimento
GOVERNO RUA!
GREVE GERAL
27 Junho 2013
MUDAR DE POLÍTICA PORTUGAL TEM FUTURO
Emprego Salários Direitos Contratação
Colectiva Segurança Social Serviços Públicos
O Conselho Nacional da CGTP-IN, reunido extraordinariamente no dia 31 de Maio,
decide convocar uma Greve Geral para o dia 27 de Junho de 2013, para que todos
os trabalhadores do sector privado, da administração
pública e empresarial do Estado afirmem, em uníssono, que BASTA
DE EXPLORAÇÃO E EMPOBRECIMENTO! GOVERNO RUA! Por uma
Mudança de Política, por uma Mudança de Governo, por
Eleições Antecipadas, por um Portugal com Futuro.
A Greve Geral é a resposta necessária à grave
situação em que o país está mergulhado. Dois anos
depois da assinatura do memorando que agride e humilha o povo e o país,
Portugal está devastado económica e socialmente. O investimento,
público e privado, caiu drasticamente; a produção de
riqueza baixou para níveis inferiores aos verificados aquando da entrada
em circulação do euro; milhares de empresas entraram em
falência, encerraram ou deslocalizaram a sua actividade, com particular
incidência na destruição massiva de micro, pequenas e
médias empresas; milhares de trabalhadores foram atirados para o
desemprego, uma calamidade que atinge hoje mais de um milhão e meio de
pessoas e que afecta a generalidade das famílias portuguesas e todos
aqueles que vivem em Portugal.
A política de austeridade do Governo do PSD/Passos Coelho e CDS/Paulo
Portas está a agravar cada vez mais a situação de
dependência económica do país face ao capital
económico e financeiro internacional e está a hipotecar a
soberania nacional perante a gula dos credores estrangeiros.
A situação financeira piora de dia para dia, o défice
não desce e a dívida não pára de crescer,
ultrapassando já hoje 127% do PIB. As previsões dos organismos
nacionais e das instâncias internacionais referem um agravamento de todos
os indicadores económicos e financeiros, o que torna a dívida
impagável, porque se tornou impossível criar riqueza com o
país submetido à ditadura do grande capital financeiro.
Os problemas estruturais do País agravaram-se! Portugal não tem
uma política devidamente estruturada de investimento industrial, que
assente no respeito pelo ambiente, de forma sustentável e que concorra a
médio e longo prazo para o crescimento económico, a
criação de emprego e diminua a sua dependência externa,
combatendo por essa via, o seu maior défice, o da produção
nacional e, consequentemente, da sua balança comercial.
Este Governo não tem soluções para o país. É
um Governo cuja opção de classe orienta a sua acção
para a continuação e aprofundamento da política de
direita, assente em medidas ultraliberais de agravamento da
exploração e empobrecimento dos trabalhadores, para satisfazer os
interesses dos grupos económicos nacionais e canalizar os recursos
obtidos pela força de trabalho para a especulação
financeira.
A violação e desrespeito dos direitos laborais e sociais, o
bloqueamento da contratação colectiva, os baixos salários,
o congelamento do salário mínimo nacional e as más
condições de trabalho, a precariedade laboral, a repressão
dentro dos locais de trabalho, os despedimentos colectivos e individuais, os
salários em atraso ou o seu pagamento de forma irregular, o roubo dos
dias feriados, de férias e de descanso dos trabalhadores, a
diminuição do pagamento do trabalho extraordinário,
são exemplos de entre muitas outras malfeitorias.
A ofensiva é contra todos. É contra os trabalhadores do sector
privado, conforme consta expressamente no relatório elaborado pela OCDE
a pedido do Governo: maior facilitação dos despedimentos,
acompanhada de novos cortes nas indemnizações e no
subsídio de desemprego; mais cortes nas pensões de reforma;
continuação da redução do poder de compra dos
salários, a não actualização do SMN e a
delapidação da contratação colectiva como
instrumento de progresso e justiça social; o aumento dos impostos (IVA e
IMI) e dos preços de bens e serviços essenciais, como a
habitação, a electricidade e a água.
É contra os trabalhadores do Sector Empresarial do Estado (SEE) porque
põe em causa direitos elementares consagrados nos acordos de empresa,
nomeadamente porque prevê a redução, entre outros, do
subsídio de refeição, mas também a
diminuição do valor pago por trabalho nocturno e de turnos, com
impactos profundamente negativos na retribuição mensal, e
põe em causa direitos elementares consagrados nos acordos de empresa.
É contra os trabalhadores da Administração Pública
que estão confrontados com o maior despedimento colectivo de sempre, sob
a capa da não renovação de contratos, das rescisões
e da mobilidade, do aumento dos horários de trabalho e da
redução dos salários e das pensões.
É contra a população em geral quando a
redução dos serviços na Administração
Pública Central, Regional e Local, impõe a
limitação do acesso dos cidadãos à saúde,
dificulta a educação dos filhos, põe o povo a pagar mais e
a ter menos qualidade dos serviços públicos prestados, assim como
diminui a segurança social e reduz os apoios sociais.
É uma ofensiva brutal, desumana e antidemocrática, porque o
Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, a
Segurança Social e a Habitação são direitos
constitucionais indissociáveis do bem-estar e qualidade de vida dos
trabalhadores e das famílias, da coesão social e do
desenvolvimento do país.
O Governo PSD/Passos Coelho e CDS/Paulo Portas, com o apoio do Presidente da
República, está a conduzir o país ao desastre. Os efeitos
da política de direita são visíveis no agravamento da
recessão, no empobrecimento generalizado dos trabalhadores e das suas
famílias, no aprofundamento das desigualdades e no aumento do
desequilíbrio da relação de forças entre o capital
e o trabalho, traduzindo-se num condenável e inaceitável
retrocesso civilizacional, consubstanciado também no ataque à
Constituição da República Portuguesa, no plano dos
direitos dos trabalhadores e dos valores democráticos alcançadas
com a Revolução de Abril.
É preciso dizer BASTA! Dizer NÃO! à
Exploração e ao Empobrecimento.
É preciso acabar com a política de direita e romper com o
programa de agressão, porque só mudando de política e
libertando o país do garrote da troica, é possível
construir uma política alternativa, e uma alternativa política,
que possibilite um novo rumo para Portugal.
É urgente pôr o Governo na rua e reclamar eleições
antecipadas.
Há soluções para o país: renegociar a dívida
pública, nos seus juros, prazos e montantes; libertar Portugal da
ingerência estrangeira que condena o povo ao atraso e à
miséria; aumentar os salários, incluindo a
actualização do SMN, bem como as reformas, para dinamizar o
consumo e fazer crescer o mercado interno; aumentar a produção
nacional para criar emprego e diminuir as importações; investir
na industrialização para criar riqueza; pôr fim às
privatizações de empresas e sectores estratégicos, taxar
os lucros dos accionistas, dos grandes grupos económicos e da banca,
acabar com os benefícios fiscais e os offshore.
A grandiosa Concentração de 25 de Maio, em Belém
, constituiu uma das mais vibrantes e combativas jornadas de luta realizadas
nos últimos anos. Uma jornada de luta exaltante que evidenciou o
alargamento da base de mobilização dos trabalhadores e do povo e
o seu compromisso para prosseguir e intensificar a luta convergente contra a
exploração e o empobrecimento, por uma ruptura com o programa de
agressão, pela exigência da demissão deste Governo e a
convocação de eleições antecipadas, por uma
política alternativa, e uma alternativa política, para permitir
construir um Portugal de Futuro, de Progresso e Independente.
O Presidente da República deve assumir, no quadro das suas
competências e em conformidade com o juramento que fez de cumprir e fazer
cumprir a Constituição da República Portuguesa, o dever
moral e político de demitir o Governo PSD/CDS e convocar
eleições antecipadas, porque essa é a vontade do povo
português expressa nas ruas de Portugal inteiro. Esta é uma
exigência que o Presidente da República deve satisfazer para bem
dos portugueses e de Portugal.
Neste quadro, o Conselho Nacional da CGTP-IN:
-
Valoriza e saúda os trabalhadores e trabalhadoras
dos sectores privado, público e empresarial do Estado,
bem como os desempregados, os pensionistas e reformados, os jovens que
trabalham em situação precária, o povo português
que, resistindo com grande coragem e determinação à
violenta ofensiva capitalista, ultraliberal e conservadora, têm lutado
vigorosamente pela defesa dos seus direitos e pela melhoria das
condições de vida e de trabalho. A Jornada de
Acção, Protesto e Luta realizada ontem, dia 30 de Maio, em
milhares de empresas e locais de trabalho, constituiu um exemplo
extraordinário de unidade e convergência na acção
dos trabalhadores e trabalhadoras, os quais, através de greves,
paralisações e outras formas diversificadas de luta, expressaram
a firme determinação de continuar a lutar contra o roubo dos
feriados e o trabalho gratuito; pelo aumento dos salários, do
salário mínimo nacional e das pensões; contra as
privatizações, o encerramento de empresas de a precariedade; pela
manutenção dos postos de trabalho, pelo pagamento de
salários em atraso, pela afirmação dos direitos laborais e
sociais e pela defesa do direito à habitação, dos
serviços públicos e das Funções Sociais do Estado
na Saúde, Educação e Segurança Social;
-
Exorta todos os trabalhadores, em unidade, à
intensificação da acção sindical nos locais de
trabalho
, assumindo a negociação colectiva e a acção
reivindicativa nas empresas e sectores, como condição
necessária e decisiva para resolver os problemas dos trabalhadores,
assim como para dinamizar e reforçar as lutas de âmbito mais geral
contra a ofensiva capitalista e pela exigência de demissão do
Governo PSD/CDS;
O Conselho Nacional da CGTP-IN está convicto que a Greve Geral vai ter a
adesão de todos os que estão a ser vítimas da
política do Governo do PSD/Passo Coelho e do CDS/Paulo Portas porque
há 10 milhões de razões para apoiar e fazer a Greve.
O Conselho Nacional da CGTP-IN
Lisboa, 31 de Maio de 2013
O original encontra-se em
www.cgtp.pt/images/images/2013/05/Resolucao-greve-geral.pdf
Esta resolução encontra-se em
http://resistir.info/
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