Demissão do Governo, Eleições antecipadas já!
O Conselho Nacional da CGTP-IN reclama que o Presidente da República
ponha fim ao pesadelo que o Governo PSD/CDS constitui para os portugueses e
convoque eleições imediatamente para devolver ao povo o poder
soberano de decidir sobre o seu futuro. Ver
RESOLUÇÃO aprovada pelo Conselho Nacional.
RESOLUÇÃO
DEMISSÃO DO GOVERNO, ELEIÇÕES ANTECIPADAS JÀ!
6 DE JULHO, TODOS A BELÉM
A Greve Geral constituiu uma jornada de luta vitoriosa e de excepcional
importância. Convocada pela CGTP-IN com o objectivo expressamente
declarado de exigir a demissão do Governo do PSD/CDS-PP, a Greve Geral
já teve consequências no plano do desgaste e aprofundamento das
contradições internas no seio dos partidos que suportam o
Governo, levando, até ao momento em que se realiza este Conselho
Nacional, à demissão de Vítor Gaspar e Paulo Portas.
Apesar de realizada num quadro de crescente agravamento da
exploração e empobrecimento, de fortes condicionalismos
económicos e de constrangimentos de direitos e liberdades fundamentais,
os trabalhadores e trabalhadoras apoiaram e aderiram massivamente ao apelo da
CGTP-IN e afirmaram de forma inequívoca a exigência de uma ruptura
com o programa de agressão e a política de direita e a
realização de eleições antecipadas, dando a
oportunidade aos trabalhadores e ao povo de, pelo seu voto, abrir caminho a uma
real alternativa politica, de Esquerda e Soberana.
A ampla unidade na acção construída nos locais de
trabalho, a par de uma firme determinação e confiança dos
trabalhadores na luta, como principal caminho para defender os seus direitos e
condições de trabalho e garantir um futuro melhor,
constituíram elementos decisivos para o êxito desta Greve Geral.
Uma Greve Geral marcada pela defesa dos direitos e da dignidade dos
trabalhadores, a elevação da sua consciência social e a
solidariedade intergeracional, traduzida pela grande participação
dos jovens na construção da greve e nos piquetes, por um futuro
melhor para as novas gerações.
Uma Greve Geral, cujo impacto extraordinário não pode estar
desligado das lutas desenvolvidas nos mais diversos sectores, nomeadamente as
mais recentes realizadas pelos trabalhadores dos Correios, dos Transportes, dos
Enfermeiros e dos Professores que, neste último caso, forçaram o
Governo a importantes recuos, alcançando vitorias que abrem caminho ao
reforço da luta pelas Escola Pública.
A Greve Geral teve uma forte adesão nos locais de trabalho dos sectores
privado, público e empresarial do Estado, em todo o país, desde a
paralisação de empresas e sectores industriais ao encerramento da
generalidade dos portos marítimos e paragem das lotas e frotas de pesca;
da paralisação praticamente total dos sectores
ferroviário, fluvial e metropolitano até às
elevadíssimas adesões alcançadas nos transportes
aéreos, rodoviários urbanos e outros transportes privados de
passageiros e comunicações; da elevada participação
da administração pública nos hospitais, centros de
saúde, segurança social, nos sectores da educação,
ensino e investigação, justiça e finanças, nas
autarquias e serviços municipalizados; das perturbações
nos serviços em grandes superfícies comerciais, na hotelaria e
cantinas, passando pelo sector financeiro, nas IPSS e Misericórdias; no
impacto que teve no encerramento de consulados no estrangeiro, na
comunicação social e no sector das artes e do espectáculo,
entre muitos outros.
Para além da denuncia e contestação da política de
direita, a firmeza e combatividade dos trabalhadores rompeu com bloqueios
patronais e obrigou várias empresas de diferentes sectores de actividade
a responder positivamente ás reivindicações sindicais,
pela melhoria dos salários e das condições de vida e de
trabalho.
O Conselho Nacional da CGTP-IN saúda as centenas de milhares de
trabalhadores com vínculos precários, designadamente jovens e
todos quantos, de norte a sul de Portugal e também nas Regiões
Autónomas dos Açores e da Madeira, realizaram a Greve Geral,
estando sujeitos a uma brutal exploração, à
repressão e a múltiplas arbitrariedades do patronato e do
Governo, dando mais uma poderosa demonstração de força,
determinação e confiança na luta em defesa dos seus
direitos e interesses, contra o memorando da tróica que agride os
portugueses e humilha o país, por um Portugal Soberano, de
Justiça e de Progresso Social.
O Conselho Nacional saúda, igualmente, todos os que participaram nas
concentrações e manifestações convocadas pela
CGTP-IN para o dia 27 de Junho, incluindo os trabalhadores desempregados, os
jovens, os reformados e outras camadas da população que, estando
a ser violentamente atacados nos seus direitos e condições de
vida, deram expressão de rua à Greve Geral, fazendo ecoar os seus
protestos em todo o país.
O Conselho Nacional saúda, também, os milhares de dirigentes e
activistas sindicais que, com grande empenho, coragem, abnegação
e uma forte solidariedade, reforçaram a unidade na acção,
construída a partir dos locais de trabalho, estendendo a
saudação a todos quantos participaram nos piquetes de greve,
porque todos eles contribuíram decisivamente para o êxito da Greve
Geral.
Estamos perante um Governo que, em dois anos, impôs pesados
sacrifícios aos trabalhadores e ao povo, agravando a
exploração e o empobrecimento, ao mesmo tempo que desenvolveu uma
política caracterizada pela destruição da capacidade
produtiva e alienação de recursos nacionais, pela
concentração da riqueza e comprometida com os interesses dos
grupos económicos e financeiros nacionais e estrangeiros, os quais
ampliaram ainda mais as suas taxas de lucro. Dois anos em que este Governo
destruiu centenas de milhar de postos de trabalho, elevando o desemprego para
mais de 1,5 milhões de pessoas, em que eliminou dias de férias e
feriados, em que os trabalhadores e reformados foram roubados e obrigados a
pagar as consequências dos inúmeros casos de
corrupção que geraram fortes prejuízos ao erário
público, como aconteceu com os processos especulativos do BPN e outros
Bancos, bem como inúmeros negócios ruinosos, a
privatização de empresas, as parcerias público privadas
(PPP) ou os contratos de gestão de risco financeiro (SWAP).
Portugal, os trabalhadores e o povo não podem continuar subjugados a um
Governo em alta rota de colisão com o quadro constitucional. No actual
contexto, este Governo não tem legitimidade nem credibilidade politica
para avançar com medidas legislativas em curso que agravam as
condições de vida e de trabalho, nem com novos pacotes de
austeridade que visam atacar os direitos dos trabalhadores da
Administração Pública, do sector empresarial do Estado e
do sector privado, mais uma vez com o objectivo central de desequilibrar as
relações de trabalho a favor do patronato: com a
redução dos salários, das pensões e dos
subsídios; mais despedimentos e menos indemnizações;
aumento do horário de trabalho; mais cortes na Educação,
Saúde e Segurança Social; com a denominada Reforma do
Estado; com o agravamento da carga fiscal e do custo de vida para os
trabalhadores, os reformados e pensionistas e as famílias em geral,
tornando impossível a concretização de uma vida digna para
a generalidade dos que vivem e trabalham em Portugal.
O Governo PSD/CDS-PP está moribundo, corre contra o tempo e apenas
encontra suporte no seu indefectível apoiante, o Presidente da
República que, agindo em desprezo pela Constituição da
República Portuguesa, afirma-se como cúmplice activo de uma
política que está a destruir os direitos de quem trabalha e, ao
mesmo tempo, destrói também económica e socialmente o
país.
O Conselho Nacional considera que a situação de desastre
económico e social do país não se ultrapassa com a
alteração de ministros, mas sim com uma mudança de
política. Não é com remendos, que mais não visam
que dar cobertura à política neoliberal, que os problemas se
resolvem. O futuro do país passa pela ruptura com a política de
direita e o memorando da tróica e por uma política alternativa,
de esquerda e soberana que assegure a dinamização do sector
produtivo, a criação de trabalho com direitos, a melhoria dos
salários e das pensões, a defesa dos serviços
públicos e das funções sociais do Estado e da Soberania do
País enquanto elementos fundamentais para o bem-estar e qualidade de
vida dos que vivem e trabalham em Portugal, a coesão social e o
desenvolvimento.
O Conselho Nacional reclama que o Presidente da República ponha fim ao
pesadelo que o Governo PSD\CDS constitui para os portugueses e convoque
eleições imediatamente para devolver ao povo o poder soberano de
decidir sobre seu o futuro. É urgente intensificar a luta e pôr
este Governo na rua.
Revelando um profundo desprezo pela vontade do povo, o Primeiro-Ministro,
Passos Coelho, afirma que não se demite. Obviamente, os trabalhadores e
o povo demitirão este Governo que está a mais no Portugal
Democrático, no País de Abril.
O Conselho Nacional, reunido em 3 de Julho decide:
-
Exortar ao alargamento e
convergência da acção e da luta das massas trabalhadores e
populares, para que participem com grande força,
determinação e confiança nas acções que
vierem a ser definidas pela CGTP-IN, na certeza de que esse será o
caminho certo para derrotar definitivamente o actual Governo e a sua
política, contribuindo para a construção da alternativa
política, de Esquerda e Soberana que é necessária e
urgente;
- Prosseguir e criar novas dinâmicas
para o reforço da organização sindical de base,
articulando a acção sindical nos locais de trabalho pelo aumento
dos salários e a resolução dos problemas, com o aumento da
sindicalização, a eleição de delegados sindicais e
de representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde no
trabalho;
- Convocar para o próximo
sábado, dia 6 de Julho, às 15:00 horas, uma grande
Concentração em Belém, apelando a todos os trabalhadores e
à população para que, mais uma vez, exijam a uma só
voz ao Presidente da República que assuma os seus deveres
constitucionais, interrompendo com urgência o rumo de Portugal para o
abismo económico e social, demitindo o Governo, dissolvendo a Assembleia
da República e convocando eleições antecipadas.
O Conselho Nacional reafirma que está nas mãos dos trabalhadores
e do povo a possibilidade real de derrotar o governo, a política de
direita e de abrir o caminho de desenvolvimento e soberania, vinculado aos
valores de Abril de que Portugal precisa.
3 de Julho de 2013
Esta resolução encontra-se em
http://resistir.info/
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