Resolução
Evitar o colapso político e social do país
Demissão do governo, eleições antecipadas já!
Passados dois anos de aplicação do memorando das tróicas e
de permanência da coligação PSD/CDS-PP no Governo, a
situação do país e a vida dos trabalhadores e outras
camadas da população está hoje muito pior:
-
No plano financeiro, o défice não desceu e, ao contrário,
subiu para 10,6% do PIB, no 1º trimestre; a dívida cresceu mais 48
mil milhões de euros e já ultrapassou os 127%, enquanto os juros
se aproximam dos 8%;
-
A nível económico, foi desenvolvida uma política assente
na destruição da capacidade produtiva e alienação
dos recursos nacionais, na concentração da riqueza, ampliando
ainda mais as taxas de lucro do capital, e na gestão criminosa que
provocou pesados prejuízos ao erário público, como
aconteceu com os processos especulativos do BPN e outros Bancos. Sucederam-se
inúmeros negócios ruinosos, as parcerias público privadas
(PPP), os contratos de gestão de risco financeiro (SWAP) e a
privatização de empresas.
-
No plano social, as consequências são dramáticas, com a
destruição de centenas de milhar de postos de trabalho, elevando
o desemprego para mais de 1,5 milhões de pessoas; os cortes nos
salários e pensões de reforma, a par do aumento dos impostos, que
empobreceram fortemente os trabalhadores e as famílias, milhares delas a
sobreviverem já abaixo do mínimo de subsistência; o ataque
aos direitos laborais e sociais agravaram drasticamente as
condições de trabalho, fazendo aumentar a
exploração dos trabalhadores.
Basta desta política! Os trabalhadores e o povo não podem
continuar reféns de um Governo que está de costas viradas para o
país, comprometido e amarrado aos interesses dos grupos
económicos e financeiros nacionais e estrangeiros e que, além do
mais, também entrou em alta rota de colisão com o quadro
constitucional.
A demissão dos ministros Vitor Gaspar e Paulo Portas, nºs 2 e 3 da
hierarquia do Governo, é consequência directa da luta dos
trabalhadores face aos resultados desastrosos a que a política de
direita do Governo PSD\CDS conduziu o País. Traduz o isolamento deste
governo, evidenciado perante o crescendo das lutas dos trabalhadores e
trabalhadoras nos locais de trabalho e os protestos do povo nas ruas, e acusa
um claro desgaste face ao aumento da contestação popular, de que
é exemplo inequívoco a Greve Geral realizada no passado dia 27 de
Junho.
O Governo PSD/CDS-PP está moribundo, corre contra o tempo e apenas
encontra suporte no seu indefectível apoiante, o Presidente da
República que, agindo em desprezo pela Constituição da
República Portuguesa, se afirma como cúmplice activo de uma
política que está a destruir os direitos de quem trabalha e, ao
mesmo tempo, destrói também económica e socialmente o
país.
No actual contexto, este Governo não tem legitimidade nem credibilidade
politica para avançar com medidas legislativas em curso que agravam as
condições de vida e de trabalho, nem com novos pacotes de
austeridade que visam atacar os direitos dos trabalhadores da
Administração Pública, do sector empresarial do Estado e
do sector privado, mais uma vez com o objectivo central de desequilibrar as
relações de trabalho a favor do patronato: com a
redução dos salários, das pensões e dos
subsídios; mais despedimentos e menos indemnizações;
aumento do horário de trabalho; mais cortes na Educação,
Saúde e Segurança Social; com a denominada Reforma do
Estado; com o agravamento da carga fiscal e do custo de vida para os
trabalhadores, os reformados e pensionistas e as famílias em geral,
tornando impossível a concretização de uma vida digna para
a generalidade dos que vivem e trabalham em Portugal.
A actual situação de desastre económico e social do
país não se ultrapassa com a alteração de ministros
nem com operações de sobrevivência desesperada, mas sim com
uma mudança efectiva de política, que apenas se poderá
concretizar com a demissão deste Governo e a realização de
eleições legislativas antecipadas.
É preciso que o Presidente da República ponha fim ao pesadelo que
o Governo PSD\CDS-PP constitui para os portugueses e convoque
eleições imediatamente para devolver ao povo o poder soberano de
decidir sobre o seu futuro.
Nós trabalhadores e todos quantos participamos nesta grandiosa
Concentração afirmamos, bem alto, que estamos aqui para:
-
Manifestar a nossa férrea vontade, determinação e
confiança de agir
em nome de uma vida decente e da dignidade de quem trabalha; por uma
política que tire o país da crise e ponha a economia a crescer e
a criar emprego; por uma justa distribuição da riqueza produzida
e por um novo rumo, apontado ao desenvolvimento e ao progresso, que assegure um
Portugal Soberano e de Futuro para os jovens e todos quantos vivem e trabalham
em Portugal;
-
Exigir que seja posto fim à política de direita
e às medidas ditas de austeridade,
aos cortes nos salários e nas reformas, ao desemprego galopante e
à destruição dos serviços públicos, do
Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública e da
Segurança Social.
-
Reclamar do Presidente da República que assuma os seus deveres
constitucionais,
interrompendo com urgência o rumo de Portugal para o abismo
económico e social, o que exige a imediata demissão do Governo, a
dissolução da Assembleia da República e a
convocação de eleições antecipadas;
-
Assumir o compromisso de prosseguir a luta, exortando ao alargamento e
convergência da acção dos trabalhadores e das
populações, na certeza de que é esse o caminho certo para
derrotar definitivamente o actual Governo, romper com o programa de
agressão, acabar com a política de direita e construir uma
política alternativa, de Esquerda e Soberana.
Lisboa, 6 de Julho de 2013
Esta resolução encontra-se em
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