Propostas para evitar sacrifícios e a destruição da economia
por CGTP-IN
A luta dos trabalhadores e da população obrigou o Governo a
recuar nas intenções de alterar a Taxa Social Única.
Contudo o Governo já está a preparar com novas roupagens medidas
de austeridade que têm como destinatários os mesmos do costume: os
trabalhadores, os reformados e os pensionistas.
A CGTP-IN não aceita qualquer medida que vise a redução
dos salários, das pensões e das reformas, num cêntimo que
seja!
A CGTP-IN não pactua com a tentativa de colocar a Comissão
Permanente da Concertação Social a legitimar estas medidas, e em
geral a política do Governo do PSD/CDS e do "memorando" da
Troica, que visa o retrocesso das relações de trabalho com a
alteração da legislação laboral para os sectores
público e privado, a redução dos salários e dos
rendimentos do trabalho, deixando incólumes os rendimentos do capital,
as privatizações, o ataque aos serviços públicos e
às funções sociais do Estado (saúde,
educação, Segurança Social).
À exigência de equidade, tal como consagrado na
Constituição da República Portuguesa, o Governo tem
apresentado medidas que, ao invés de alargar a base contributiva,
agravam a situação daqueles que já pagam impostos - os
assalariados e os pensionistas. Os efeitos desta política são por
demais conhecidos: redução da procura interna, recessão
económica, falências de empresas, desemprego sem precedentes,
empobrecimento generalizado da população, quebra das receitas
fiscais e aumento da dívida pública, numa espiral que conduz o
país a uma crescente dependência externa.
O Memorando da Troica e a política de direita são as causas que
impedem a resolução dos problemas do país. A ruptura com
esta política de empobrecimento generalizado e a luta por uma
mudança que tenha como alicerce o desenvolvimento económico e a
promoção do emprego com direitos, o combate às
desigualdades e a melhoria das condições de vida da
população constitui um imperativo de todos quantos lutam por um
Portugal de progresso e justiça social.
A CGTP-IN exorta à participação massiva das mulheres e dos
homens trabalhadores, dos jovens, dos desempregados, dos pensionistas e
reformados e de outras camadas da população, na Grande Jornada de
Luta Nacional que se realiza no
dia 29 de Setembro, todos a Lisboa, todos ao Terreiro do Paço,
contra esta política que amaldiçoa os rendimentos do trabalho e
abençoa os do capital.
CGTP-IN apresenta alternativas
A CGTP-IN propõe quatro medidas concretas, destinadas a aumentar as
receitas fiscais. Esta Proposta é baseada em três pressupostos
essenciais: respeitar o preceito constitucional do princípio da
equidade; obter receitas fiscais de modo a conciliar a redução do
défice e da dívida pública com o crescimento
económico e com a justiça social; rejeitar quaisquer cortes
salariais, seja por via do aumento da Taxa Social Única (TSU) para os
trabalhadores, seja por quaisquer outras medidas que incidam sobre os
rendimentos do trabalho ou visem penalizar ainda mais as pensões e
reformas.
1 - Criação de uma taxa sobre as transacções
financeiras
A criação de um novo imposto, com uma taxa de 0,25%, a incidir sobre todas as
transacções de valores mobiliários independentemente do local onde são
efectuadas (mercados regulamentados, não regulamentados ou fora de mercado),
excepcionando o mercado primário de dívida pública.
Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 2.038,9 milhões de
euros.
2 - Introdução de progressividade no IRC
A criação de mais um escalão de 33,33% no IRC para empresas com volume de
negócios superior a 12,5 milhões de euros, de forma a introduzir o critério de
progressividade no imposto.
A incidência deste aumento é inferior a 1% do total das empresas. Esta medida
permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.099 milhões de euros
3 - Sobretaxa de 10% sobre os dividendos distribuídos
A criação de uma sobretaxa média de 10% sobre os dividendos distribuídos,
incidindo sobre os grandes accionistas (de forma a garantir um encaixe
adicional de 10% sobre o total de dividendos distribuídos), com a suspensão da
norma que permite a dedução constante sobre os lucros distribuídos (art. 51º do
CIRC), o que permite às empresas que distribuem dividendos deduzir na base
tributável esses rendimentos desde que a entidade beneficiária tenha uma
participação na sociedade que distribui pelo menos 10% do capital.
Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.665,7 milhões de
euros
4 - Combate à Fraude e à Evasão Fiscal
A fixação de metas anuais para a redução da economia não registada, com
objectivos bem definidos e a adopção de políticas concretas para a sua
concretização.
Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.162 milhões de euros.
O texto integral das propostas alternativas da CGTP-IN pode ser visto
aqui
.
Para descarregar clique com o botão direito do rato e faça Save As...
(PDF, 220 kB)
O original encontra-se em
http://www.cgtp.pt/index.php
Estas propostas encontram-se em
http://resistir.info/
.
|