Português de Montenegro
por César Príncipe
No dia 21 de Fevereiro de 2014, em entrevista ao JN (para que conste), o
líder da bancada parlamentar do PSD, na véspera de um conclave
partidário, fez doutrina. Pasmou analfabetos funcionais e cientistas
sociais. O representante da Nação, porventura após uma
noite mal dormida a construir uma bomba de carnaval mediático,
lançou a frase do dia. Nem só Marques Mendes merece pôr-se
em bicos de pés:
A vida das pessoas não está melhor mas o país está
muito melhor.
Há quase um mês que a praça dos comentadores tem
procurado espremer o paradoxo, digno de oráculos de Delfos e da missa
dominical de Marcelo. Até agora, não deparei com uma
descodificação que me resolvesse as perplexidades
filosóficas, económicas, financeiras, geográficas. Deixei
passar algumas semanas. Quis assentar a espuma das palavras. Fui rever os
tratados. Consultei as hemerotecas. Colhi opiniões de largo espectro.
Cheguei a pensar que Montenegro seria o pai do Acordo Ortográfico, que
também não se percebe muito bem. De repente, fez-se luz. As
orquestras da Comunicação excitaram-se com as listas da
Forbes.
Lá vinham os três portugueses mais ricos, apesar de tanta e
tamanha austeridade. A vida deles está cada vez melhor. Pelo
contrário, a das pessoas em geral está cada vez pior.
Esclareçamos de vez o que Montenegro entende por
pessoas
e por
país.
Eis o que ele não teve coragem de concretizar, por óbvias e
sensíveis razões:
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PESSOAS
|
PAÍS
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Trabalhadores
Desempregados
Reformados
Pensionistas
Militares
Polícias
Magistrados
Funcionários Públicos
Professores
Bolseiros
Estudantes
Jovens
Artistas
Escritores
Pequenos empresários
Pequenos proprietários
Pequenos agricultores
Inquilinos
Senhorios
Pobres da classe média
Beneficiários do RSI
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Américo Amorim
Belmiro de Azevedo
Soares dos Santos
Fernando Ulrich
Mira Amaral
Jardim Gonçalves
Oliveira e Costa
Dias Loureiro
Armando Vara
Vítor Constâncio
Vítor Gaspar
António Mota
António Mexia
Eduardo Catroga
Nogueira Leite
Celeste Cardona
Proença de Carvalho
José Miguel Júdice
Luís Montez
Passos Coelho
Paulo Portas
Miguel Relvas
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E basta!
Para deslindar a retórica.
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