Davos e o futuro distópico
Inicia-se hoje o conclave anual do Fórum de Davos, com Merkel a abri-lo,
que normalmente reúne alguns dos principais líderes
políticos mundiais e a elite do poder capitalista global. Fórum
que anualmente traça as orientações a serem seguidas para
a economia planetária com o objectivo de preservar a
globalização desregulada que lhes garante o poder e os lucros de
que beneficiam.
A curiosidade deste ano reside no documento-base para as
deliberações do Fórum, "Riscos Globais 2012".
O diagnóstico das consequências da crise é demolidor:
"27 milhões de pessoas perderam o seu posto de trabalho",
"muitas pessoas foram forçadas a aceitar uma redução
dos seus salários e dos seus benefícios laborais", "os
jovens foram particularmente afectados pela falta de oportunidades de
trabalho", "muitos países foram confrontados com aumentos das
taxas de pobreza, doenças mentais
", "o descontentamento
tem-se agravado como resultado da disparidade na distribuição de
rendimentos, pois a metade mais pobre da população possui apenas
1% da riqueza mundial, enquanto 1% possui quase metade dessa riqueza".
E as expectativas são brutais: "a análise da
interacção entre os vários riscos globais revela uma
constelação de riscos que apontam no sentido de um futuro
distópico para a maioria da humanidade", definindo-o como um futuro
"onde a vida é repleta de dificuldades e sem
esperança"
o que poderá "pôr em causa a
estabilidade económica e social".
Os donos do mundo estão assustados. Mas nem isso os leva a retirar a
conclusão fundamental de que este é o resultado dramático
de 30 anos da selvática globalização neoliberal de que
eles são os mentores e de que não querem abrir mão.
As deliberações serão, irresponsavelmente, a
manutenção do rumo a esse futuro de desastre.
24/Janeiro2012
[*]
Economista
O original encontra-se em
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=533615&pn=1
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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