Governo continua a atacar os MPME
A Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias
Empresas (CPPME), na reunião do Executivo da Direcção de
hoje, procedeu à análise da situação
económica e social, tendo concluído que:
1. As previsões e chamadas de atenção que fez ao Governo,
em Julho do ano passado, aquando da reunião com o senhor
Primeiro-ministro, infelizmente continuam a dar razão à CPPME, na
medida em que os dados conhecidos são dramáticos, relativos ao
exercício de 2012, se não vejamos:
a) Na
Restauração e Bebidas
encerraram 11.000 empresas e perderam o seu posto de trabalho 37.000
trabalhadores;
b) Na
Construção Civil
encerraram 13.000 empresas e foram para o desemprego 107.000 trabalhadores;
c) No
Comércio e Serviços
também os encerramentos se avolumam e perderam o seu emprego 56.000
trabalhadores;
d) No
Ramo Automóvel
encerraram 2.500 empresas e perderam o seu posto de trabalho 23.000
trabalhadores. As vendas atingiram o nível mais baixo desde 1985;
e) No
Sector das Farmácias
cerca de 1.600 farmácias têm os fornecimentos
suspensos.
2. Os dados divulgados na semana passada referentes ao
Inquérito ao Emprego
do 4º trimestre de 2012, confirmam a tendência de agravamento do
desemprego e de destruição do emprego dos últimos anos e
em especial após a assinatura do Memorando da Troika, no final do
2º trimestre de 2011. Nos últimos 18 meses, entre o 2º
trimestre de 2011 e o 4º trimestre de 2012 foram destruídos em
Portugal 361.200 postos de trabalho. No final do ano de 2012 o desemprego em
sentido restrito atingiu os 923.200 trabalhadores (16,9%) e em sentido lato
1.443.900 (25,3%). Os dados agora divulgados provam, em toda a linha, o
falhanço das políticas económicas do Governo.
3. Aliás, a semana passada foi uma semana negra para a credibilidade do
Governo e para a política económica e social que teimosamente tem
vindo a prosseguir. A publicação dos dados preliminares da
evolução do
PIB em 2012
vieram mostrar uma vez mais que o Governo subestimou o impacto negativo das
suas políticas, com a previsão actual do INE a apontar para a
queda do PIB em 2012 de 3,2%.
Ainda hoje o País foi confrontado com declarações do
Ministro das Finanças que acentuam o desnorte do Governo ao assumir que
a recessão se situa nos 2% ao invés do previsto 1% e declarar que
vai accionar o plano B, ou seja vai cortar já hoje 800 milhões de
euros na despesa pública, logo no decorrer do 1º trimestre.
4. Igualmente, os dados do
Comércio Externo de Mercadorias
mostram que, as nossas Exportações, depois de desacelerarem de
trimestre para trimestre ao longo de 2012, terminaram o ano com uma queda em
volume. Todos estes sinais indiciam o já previsível fracasso da
execução orçamental mensal de 2013 e do não
cumprimento das metas orçamentais em 2012 e 2013.
5. Os resultados práticos desta política estão bem
patentes na queda a pique do volume de negócios no Mercado Interno, com
quebras na casa dos 30, 40 e 50% e onde operam mais de 84% das MPME.
Em síntese, não havendo uma
inversão radical das políticas
de destruição do tecido produtivo e da economia nacional, o que
os Micro, Pequenos e Médios Empresários podem esperar das
políticas deste Governo é que as insolvências e
encerramentos silenciosos vão aumentar ainda mais, a brutal carga fiscal
vai manter-se e até agravar-se e o poder de compra dos portugueses vai
continuar a baixar.
Na passada segunda-feira,
o Presidente do CES
, Silva Peneda, na Conferência «Global Compact Network
Portugal», disse palavras muito acertadas ao afirmar ... os
consumidores não consomem, os produtores não produzem, as
financeiras não financiam e os trabalhadores não têm
trabalho.
Ora, perante a dramática situação que as empresas, os
empresários, seus familiares e os trabalhadores a seu cargo estão
a viver,
a CPPME insiste nas propostas de estratégia económica,
que apresentou ao 1º Ministro e ao Parlamento Português, para as
áreas da fiscalidade, do crédito, do investimento produtivo, da
justiça e de apoio social, bem como para os diversos sectores que
compõem o circuito económico interno nacional.
Neste sentido, aguardamos com expectativa a marcação da
audiência solicitada, com carácter de urgência, ao senhor
Ministro da Economia e do Emprego
e, informamos que iremos ter uma reunião de trabalho com a senhora
Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do
Território
para tratar todas as questões relativas à famigerada Lei
dos Despejos Comerciais e à Privatização dos
Serviços de Água e Resíduos Sólidos.
Informamos, por último, que a CPPME está a realizar por todo o
País reuniões e debate com empresários, onde se manifesta
de uma forma muito expressiva a indignação e a
rejeição clara desta política, que está a
empobrecer os portugueses e levar o País à exaustão.
Seixal, 20 de Fevereiro de 2013
O Executivo da Direcção da CPPME
O original encontra-se em
www.cppme.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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