Empresários, agricultores e dirigentes associativos
exigem reforma da justiça e da fiscalidade
por CNA, CPCCRD, CPPME
[*]
Os micro, pequenos e médios empresários do comércio,
restauração, serviços e indústria, os agricultores
e os dirigentes do movimento associativo e popular, reunidos por iniciativa da
CNA, CPCCRD e CPPME, no Seminário
"As Questões da Fiscalidade e da Justiça na Vida das
Empresas e do Movimento Associativo"
, no dia 16 de Abril de 2014, no Seixal, analisaram a
situação da justiça e da fiscalidade na vida das suas
organizações.
Esta realização conjunta teve por objectivo avaliar, diagnosticar
e fazer propostas sobre o estado da justiça e da fiscalidade nestes
três sectores, que têm em comum, designadamente: o associativismo e
a defesa dos seus associados; a prestação de bens e
serviços, materiais e imateriais, que garantem à
população a satisfação das suas necessidades
básicas, quer sejam económicas, sociais ou culturais; contribuem
para a criação de empregos com direitos, para o desenvolvimento
da economia local, regional e nacional; uma brutal e cega carga fiscal; uma
legislação desadequada, repressiva e persecutória: as
acções inspectivas da ASAE, AT, IPDJ, IGAC, SPA entre outras,
são bem demonstrativas da falta de pedagogia e de insensibilidade social
dos governos e dessas entidades que aliado ao aumento dos combustíveis,
portagens, seguros, energia, rendas e IMI, licenças e taxas agravam os
custos de produção e funcionamento.
Temos ainda em comum o facto de muitos milhares de micro, pequenos e
médios empresários ou agricultores serem associados ou dirigentes
das colectividades e vice-versa.
Por todas estas razões, os participantes e as três
Confederações organizadoras do Seminário exigem do actual
Governo medidas urgentes na área da Justiça e da Fiscalidade, das
quais destacamos:
-
1. Medidas legislativas e políticas que combatam de forma eficaz,
efectiva e imediata a morosidade processual, os custos da Justiça e
decida medidas de solicitadoria de execução;
-
2. Anulação das novas imposições fiscais sobre os
pequenos e médios agricultores. De facto, é injusto e desadequado
que o governo esteja a obrigar os pequenos e médios agricultores a terem
de se colectar na Finanças e a emitir facturas desde que queiram vender
meia dúzia de ovos
ou duas couves
ou um litro de vinho
ou alguma fruta
etc. Entretanto, a Segurança Social
já está a "cair" em cima dos agricultores, que
entretanto se colectaram e a obrigá-los a pagar mais
contribuições mensais. Trata-se, pois, de medidas fiscais
contributivas que, a consumarem-se, vão provocar a ruína de
dezenas de milhares de pequenos agricultores e contribuir para mais
despovoamento do meio rural.
-
3. Uma reforma fiscal profunda, nomeadamente do IVA, IRC, IRC/RS, IRC/PEC, PC,
IRS, Tributações Autónomas, IMT, IMI, etc., bem como
incentivos fiscais às MPME que anulem a discriminação
negativa face às grandes empresas nacionais e multinacionais. Dentro do
princípio que o País que tem uma fraca economia não pode
ter uma brutal carga fiscal e, em respeito pela Constituição da
República, cuja tributação deve ser em
função dos lucros obtidos;
Consideraram ainda que o Governo deve tomar medidas concretas que apoiem e
estimulem:
-
1. A aquisição de bens e serviços preferencialmente no
comércio e agricultura local, dentro do princípio da
solidariedade económica de forma a rentabilizar a oferta existente e,
realimentar associativa e economicamente, estes sectores;
-
2. As acções que visem o conhecimento,
sensibilização, informação, formação
e qualificação dos decisores destes sectores, tendo por base a
sua importância económica, financeira, social e cultural;
Por fim proclamam:
-
1. A necessidade do reforço da cooperação entre estes
sectores em tudo o que seja comum, convergindo para tomadas de
posição públicas e de intervenção junto dos
poderes instituídos no sentido de propor e influenciar as
políticas públicas, a produção legislativa e o
sistema fiscal;
-
2. A defesa da Constituição da República Portuguesa que,
passados 40 anos do 25 de Abril de 1974, continua sendo a Carta Magna dos
Portugueses, defendendo e garantindo, nomeadamente: a liberdade e a democracia;
o progresso e desenvolvimento económico, visando uma sociedade mais
justa, feliz e solidária; a soberania e a independência nacional.
Lisboa, 24 de Abril de 2014
CNA
Confederação Nacional da Agricultura
CPCCRD
Confederação Portuguesa das Colectividades de
Cultura e Recreio
CPPME
Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e
Médias Empresas
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