"Proposta de Orçamento de Estado para 2011 confirma a natureza de
classe da política do PS e PSD"
por PCP
O Comité Central do PCP reunido a 17 de Outubro, analisou o actual
momento político, económico e social e identificou as linhas
fundamentais da ofensiva contra os trabalhadores e o povo, desencadeada pelo
PS, PSD e pelo grande capital. O Comité Central do PCP decidiu das
grandes tarefas que se colocam aos comunistas, reafirmou a luta de massas como
o elemento fundamental de combate à ofensiva em curso e sublinhou a
importância acrescida que assume a batalha das presidenciais. O
Comité Central do PCP manifestou solidariedade com a luta em
desenvolvimento, destacou a convocação da greve geral e apelou
aos trabalhadores, às populações e a todos os democratas
que não se resignem perante a ofensiva e que lutem pela alternativa de
esquerda e patriótica.
I
Um roubo aos trabalhadores, ao povo e ao país
Na sequência de sucessivos pacotes de medidas restritivas e anti-sociais,
o último dos quais anunciado a 29 de Setembro, o governo apresenta uma
proposta de Orçamento do Estado para 2011 que confirma a natureza de
classe da política que PS e PSD têm em curso, ao serviço
dos grandes grupos económicos e do capital financeiro, com a
cumplicidade do CDS-PP e o patrocínio do Presidente da República.
Somando crise à crise, estas medidas na continuidade da mesma
política de direita que conduziu o país à actual
situação e que a crise do capitalismo veio expor em toda a sua
dimensão não só não resolverão nenhum
dos problemas com que o país está confrontado, como
constituirão factor do seu agravamento, e de maior vulnerabilidade e
mais exposição à voragem do capital transnacional e aos
interesses das principais potências europeias.
A apresentação pelo Governo da proposta do Orçamento de
Estado para 2011 e do conjunto de medidas nele contidas, algumas das quais com
aplicação ainda em 2010, constitui um grave passo na brutal
escalada que, a pretexto da crise e em nome dos mercados
financeiros, tem por objectivos aumentar a exploração,
liquidar direitos e favorecer a acumulação capitalista.
A proposta de orçamento apresentada pelo governo ataca os
salários e remunerações enquanto elemento essencial para o
aumento da exploração, atingindo todos os trabalhadores (com
cortes que poderão significar uma perda de poder de compra entre 7,5 e
15% nestes dois anos no caso dos trabalhadores da administração
publica). De facto, a diminuição dos salários é
agravada com o aumento da inflação (de 1,3 em 2010 para 2,2% em
2011), aumentos do IVA e da passagem para a taxação máxima
de 23% de vários produtos, aumento da electricidade de 3,8%, cortes das
indemnizações compensatórias às empresas de
transportes, com o aumento das custas judiciais e outras taxas do Estado e de
outros bens fundamentais. A proposta do governo conduzirá
inevitavelmente a uma nova recessão económica, aumentando o
desemprego e ameaçando a sobrevivência de milhares de micro,
pequenas e médias empresas, designadamente com a
penalização do consumo interno que deriva da
restrição do poder de compra dos trabalhadores e dos reformados,
de mais uma quebra brutal no investimento público e de novas
restrições nas transferências para as regiões
autónomas e as autarquias locais (em relação ao
orçamento de 2010 menos 2% e 2,5% respectivamente para os Açores
e a Madeira e menos 9,5% para as autarquias locais).
A proposta do governo ataca a protecção social com novos cortes
em subsídios como o do abono de família (atingindo cerca de um
milhão e quinhentas mil famílias) ou de inserção
social, com o congelamento do valor das reformas e pensões (atingindo
três milhões e quinhentas mil pessoas) e o alargamento da
cobrança fiscal sobre elas, na redução da
comparticipação nas despesas de saúde e nos medicamentos.
Em simultâneo fragiliza a segurança social, aplicando um corte de
mais de 10% nas transferências do Estado.
A proposta do governo ataca o emprego e os direitos dos trabalhadores com a
anunciada eliminação de postos de trabalho na
administração pública e o congelamento de admissões
que, para lá do comprometimento do conjunto das funções do
Estado, constituirá um agravamento dos níveis de desemprego e
desmantelamento dos serviços públicos, a que se junta o efeito da
inevitável recessão na diminuição do emprego no
sector privado.
A proposta do governo aprofunda a linha privatizadora dos últimos anos e
acentua a carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho, aumentando a
cobrança de IRS, designadamente através da
imposição de limites às deduções a partir de
rendimentos de 530 euros por mês, para além do efeito cego do
aumento do IVA.
O CC do PCP denuncia que, a par destes insuportáveis sacrifícios
impostos aos trabalhadores, PS e PSD preparam-se para manter intocáveis
os privilégios e as condições de acumulação
do lucro pelos principais grupos económicos e financeiros. Com mais de
90% da factura dirigida aos trabalhadores alvos directos quer das
medidas de aumento da receita (1700 milhões de euros), quer do corte na
despesa (3420 milhões de euros) o grande capital vê, uma
vez mais, os seus interesses acautelados.
Envolta numa imensa operação ideológica destinada a
apresentá-la como inevitável seja pela
manipulação da ideia de uma crise imposta de fora, da chantagem a
pretexto da especulação dos centros financeiros ou da
dramatização apocalíptica da crise política
resultante de uma eventual não aprovação do
Orçamento de Estado esta nova ofensiva visa contribuir para a
erradicação de direitos e assegurar as condições
exigidas pelo grande capital para a intensificação da
exploração, num processo premeditado destinado a amarrar o
país aos interesses das grandes potências e do capital
transnacional, num rumo sem saída que compromete o futuro e a soberania
nacionais e arrasta para a pobreza os trabalhadores e o povo português.
Com uma marca de classe incontornável, o que agora se anuncia, visa
fazer pagar aos trabalhadores, aos reformados e pensionistas, aos pequenos
empresários, às novas gerações a factura da
política de direita.
O CC do PCP chama a atenção de que aquilo que se pretende
apresentar como inevitável é, no fundo, a mesma
opção de sempre, uma opção determinada pelos
interesses de classe capitalistas que PS, PSD e CDS-PP há muito
prosseguem. Uma opção que tem cavado injustiças e
desigualdades e que é responsável pela dependência do
país. Uma opção à qual o PCP se opõe de
forma clara e dá combate, fá-lo no contributo decisivo na
dinamização da luta de massas, fá-lo-á na
Assembleia da República com o voto contra da proposta do
Orçamento de Estado. Os trabalhadores, o povo e o país precisam
com urgência de uma ruptura com a política de direita e de uma
mudança na vida política nacional.
O PCP reafirma que há um outro rumo que responde aos problemas com que o
país se confronta. Um rumo que enfrente as pressões do capital e
não soçobre perante a ingerência externa. Um rumo que
defenda e dinamize a produção nacional e o aparelho produtivo
enquanto condição para aumentar a riqueza nacional, combater o
desemprego, desenvolver as exportações, reduzir as
importações, diminuir o défice e o endividamento externos.
Um rumo que aposte na valorização dos salários (desde logo
do salário mínimo nacional para os 500 a 1 de Janeiro de
2011 cumprindo o acordo estabelecido e aumentando o seu valor para pelos menos
600 euros em 2013) e pensões e no investimento público enquanto
factor de dinamização económica e de garantia da
protecção social indispensáveis para dinamizar o mercado
interno, garantir a subsistência das pequenas e média empresas. Um
rumo que imponha uma política fiscal orientada para ir buscar recursos
ao inesgotável cofre de lucros construídos sobre a
especulação financeira, a usura das taxas de juro e a cada vez
mais intensa exploração do trabalho. Um rumo que trave as
privatizações e coloque nas mãos do Estado sectores
básicos e estratégicos da economia. Um rumo que lute por outra
Europa e pelo fim da união económica e monetária e que
afirme a soberania e independência nacionais. Um rumo que contraponha ao
declínio económico e retrocesso social, a
concretização de uma outra política, patriótica e
de esquerda.
II
Greve Geral novo patamar da luta de massas
O desenvolvimento e a intensificação da luta de massas
apresenta-se como o elemento central para travar a política de direita e
as suas brutais consequências. A única alternativa que se coloca
aos trabalhadores, às populações e a todos os que
são alvo da profunda injustiça social é, a de elevar os
patamares da luta e trazer para a rua a sua voz, transformando as suas justas
indignações em luta.
O CC do PCP afirma a importância da convocação pela CGTP-IN
da greve geral para o próximo dia 24 de Novembro, decisão que
corresponde a uma necessidade de elevação da luta dos
trabalhadores face à brutal ofensiva em curso. Uma resposta
necessária num momento em que o novo pacote de austeridade
veio acrescentar razões para a intensificação da luta.
É tempo de dizer basta, é tempo de elevar a voz do trabalho e de
os trabalhadores darem uma resposta clara e inequívoca.
O CC do PCP alerta para as manobras e pressões que terão como
objectivo procurar travar o desenvolvimento da luta. Fomentando a
resignação com base nas inevitabilidades e difundindo a ideia da
inutilidade da luta, usando a pressão e a chantagem a partir das
condições de precariedade e dos níveis de desemprego ou
recorrendo a ameaças e à violação da lei da greve,
o capital e todos quanto o suportam, utilizarão todos os meios ao seu
dispor para dar combate à greve e condicionar a adesão dos
trabalhadores. O conjunto amplo e diverso de apoios e de adesão à
greve, o entusiasmo e a disponibilidade já manifestada pelos
trabalhadores, revelam grandes potencialidades de travar com enorme êxito
esta jornada.
Num quadro de ferozes ataques aos salários e direitos e de forte
chantagem do patronato, ganha importância acrescida a resposta organizada
dos trabalhadores que com coragem dinamizam nas empresas e locais de trabalho a
luta. São exemplos disso neste período, a luta dos trabalhadores
da Brasileira, dos CTT, a greve dos trabalhadores das autarquias locais
convocada pelo STAL no passado dia 20 de Setembro e a acção de
contacto e recolha nas empresas de mais de 20 mil assinaturas na
petição contra a precariedade levada a cabo pela
Interjovem/CGTP-IN.
O CC do PCP sublinha o significado politico e de confiança no
prosseguimento da luta, que constituíram as acções
promovidas pela CGTP-IN no passado dia 29 de Setembro. Um dia de
acções e iniciativas de luta em diversas empresas, como foram os
casos da Soflusa, da Sovena, da Lisnave, da Lisnave Yards, da Comet, da
Fernando Branco e Silva, dos corticeiros do grupo Amorim, dos trabalhadores do
comércio, e que culminou com grandiosas manifestações
realizadas em Lisboa com mais de 50 mil trabalhadores e no Porto com mais de 20
mil.
O CC do PCP valoriza a dinâmica reivindicativa e o esforço em
curso de contacto, esclarecimento e de mobilização que se
desenvolve nas empresas e locais de trabalho e o conjunto de
acções de luta que para já estão em
preparação nos sectores da indústria e dos transportes.
Neste quadro de desenvolvimento da luta, O CC do PCP destaca ainda a
manifestação nacional dos trabalhadores da
Administração Pública convocada pela Frente Comum de
sindicatos para 6 de Novembro, em Lisboa.
O CC do PCP apela aos diversos sectores alvos da política em curso e
às populações para que se associem à greve geral e
exorta os trabalhadores a que se envolvam na sua preparação e
organização, e que nela participem numa grande
demonstração de resistência, inconformismo e de luta. Uma
luta que, travada em circunstâncias muito exigentes, se tem desenvolvido
e ampliado a diversos sectores, camadas e populações, como foi o
caso das diversas acções contra a introdução e
custos das portagens no passado dia 08 de Outubro em vários pontos do
país, o buzinão na ponte 25 de Abril a 14 de Outubro, a luta dos
utentes contra os encerramentos e a degradação de serviços
de saúde, contra os encerramentos de escolas e a falta de
condições materiais e humanas nos estabelecimentos de ensino e
com a vitoriosa luta de forças de segurança. O CC do PCP
manifesta a sua solidariedade com a luta desenvolvida e com as
acções em preparação, nomeadamente a jornada de
luta dos agricultores no próximo dia 20, em Aveiro.
A par e indissociável da luta social contra a exploração,
é necessário intensificar a luta contra o militarismo, a
agressão e a guerra instrumentos do imperialismo para subjugar os
povos. Neste quadro o CC do PCP releva a luta contra a NATO braço
armado do imperialismo, e sublinha a particular importância da
manifestação contra a cimeira da Nato e seus objectivos,
convocada pela campanha "Paz Sim, Nato Não", para o dia 20 de
Novembro, em Lisboa, e apela à sua participação.
III
Nas eleições presidenciais afirmar um projecto patriótico
e de esquerda
O CC do PCP sublinha, num quadro marcado por uma nova e mais brutal ofensiva
contra os trabalhadores e o povo, a importância e valores acrescidos da
candidatura de Francisco Lopes à Presidência da República.
Com uma clareza de objectivos e um posicionamento que a distingue de forma cada
vez mais evidente de todas as outras, a candidatura de Francisco Lopes assume
nestas eleições um papel essencial e insubstituível, quer
pela sua sólida vinculação aos interesses dos
trabalhadores e do povo, quer pela coerente assumpção da sua luta
e aspirações enquanto factores de construção de uma
política alternativa, patriótica e de esquerda.
Uma candidatura que assume os poderes e funções presidenciais
como meio de intervir no sentido de contribuir para a
concretização de uma democracia política,
económica, social e cultural e que apresenta aos portugueses e ao
país um projecto capaz de assegurar um Portugal desenvolvido, de
progresso e soberano.
Uma candidatura que ao contrário de todas as outras, não tem um
rasto de comprometimento e envolvimento na política de direita que tem
arrastado o país para o declínio.
Uma candidatura que, recolhendo uma crescente corrente de apoios e revelando
uma expressiva participação e alargamento unitários,
afirma um sentido de confiança nas possibilidades do país e na
capacidade do seu povo para construir um outro rumo na vida política
nacional.
IV
Mais organização, intervenção e iniciativa - Avante
por um PCP mais forte
O CC do PCP destaca a intensa actividade das organizações e
militantes do Partido, na dinamização da luta dos trabalhadores e
do povo, bem como no esclarecimento e mobilização contra a
política de direita e as suas graves consequências. Não
há silenciamento, manipulação ou
discriminação que possa escamotear o papel do PCP, como motor da
luta popular, como força da ruptura e mudança de política,
da concretização duma política patriótica e de
esquerda.
A realização da 34ª Festa do Avante! constituiu um
assinalável êxito pela sua dimensão e pela sua
transbordante confiança e determinação de que é
possível um outro rumo para Portugal.
Face à situação do País e às
dramáticas consequências da política de direita e de
abdicação nacional, o CC do PCP apela às
organizações e militantes para uma intervenção
forte, determinada e confiante no prosseguimento da acção de
reforço do Partido "Avante! Por um PCP mais forte",
concretizando de forma integrada as direcções de trabalho
decididas, em particular: a responsabilização, acompanhamento e
formação ideológica dos quadros e dos militantes; o
reforço da organização e intervenção junto
da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de
trabalho; o fortalecimento e dinamização das
organizações de base; a acção junto de camadas
sociais específicas; o recrutamento de novos militantes e a sua
integração; o trabalho de informação e propaganda;
a difusão da imprensa partidária e o alargamento da base
financeira própria, num trabalho sempre associado ao propósito de
reforçar a acção, alargar a influência e
ligação às massas, afirmar o PCP e a sua identidade
comunista e preparar o Partido para cumprir o seu papel, sejam quais forem as
condições em que tenha que vir a actuar.
No quadro da situação política e social, assume grande
actualidade a campanha Portugal a Produzir, abrindo não só um
amplo espaço para a intervenção e reflexão sobre a
realidade, mas também como elemento de afirmação e
projecção das propostas do Partido para uma ruptura com o rumo de
declínio nacional em curso.
Reforçar o Partido, alargar a intervenção política,
reforçar as organizações e movimentos unitários,
dinamizar a luta de massas, concretizar uma ampla campanha de
mobilização e esclarecimento na batalha eleitoral das
presidenciais, eis as questões decisivas que se colocam e que exigem uma
empenhada e confiante intervenção de todos os militantes e
organizações do Partido na sua concretização.
V
Uma força imensa, capaz de impor um novo rumo para Portugal
A mais brutal ofensiva em curso contra os direitos dos trabalhadores e do povo
português desde o fascismo, o processo de chantagem e pressão
sobre os interesses nacionais dirigido a partir do grande capital nacional e
estrangeiro a que se associa um quadro de crescente subordinação
às orientações da União Europeia, a
subserviência do poder político ao poder económico,
não podem ser derrotados sem uma ruptura com a política de
direita e uma profunda mudança na vida nacional.
Num momento em que o capitalismo revela de forma mais evidente o
carácter opressor, a natureza exploradora, os crimes e limites do
sistema; apesar da profunda e poderosa ofensiva ideológica do grande
capital visando a resignação e o conformismo; do permanente
recurso ao anti-comunismo, revelador do receio que as classes dominantes
têm da acção organizada e do papel da classe
operária e dos trabalhadores - a verdade é que cresce a
indignação e o protesto, e se alarga a consciência de que,
a par do reforço do PCP, só com o desenvolvimento e
intensificação da luta se travará a actual ofensiva.
O PCP, afirma-se como a força indispensável aos trabalhadores e
ao povo português; e dirige-se a todos os que estão a ser
duramente atingidos nos seus legítimos direitos, a todos os que
são alvo das injustiças, a todos os democratas e patriotas que se
inquietam com o rumo de retrocesso social e declínio nacional, para que
façam ouvir a sua voz. Juntos constituiremos uma força imensa,
para impedir o afundamento do país e para alicerçar a
construção duma política alternativa e uma alternativa
política, patriótica e de esquerda, para Portugal.
Os trabalhadores e o Povo podem contar com o PCP. Podem contar com um partido
confiante, combativo e decidido a cumprir o seu papel na ruptura com a actual
política, na construção de uma democracia avançada
e do socialismo.
17/Outubro/2010
O original encontra-se em
http://www.pcp.pt/node/246345
Este comunicado encontra-se em
http://resistir.info/
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