A crise que se aproxima

por Daniel L. Davis [*]

Durante mais de uma década o geólogo inglês Colin Campbell [NR] tem estado a tocar a campainha de alarme acerca do Pico Petrolífero que se aproxima e das suas perturbadoras ramificações para o mundo. A partir de 2005 o Dr. Robert Hirsch emitiu advertências específicas para os Estados Unidos numa série de relatórios patrocinados pelo Departamento da Energia que delineiam os perigos para a América se o pico nos encontrar despreparados. E no ano passado o GAO, o National Petroleum Council e muitas outras organizações e governos de todo o mundo têm relatado as severas consequências com que o mundo se pode deparar uma vez atingido o pico.

. A questão não é simplesmente a preocupação de que teremos de pagar preços ultrajantes por um galão de gasolina. Se isto fosse o pior de tudo, a situação seria difícil mas administrável. A realidade, contudo, é mais profunda e muito mais perturbadora. Há múltiplos problemas a afectarem o mundo que estão a ter um efeito líquido decididamente negativo: uma ascensão global na procura de petróleo bruto, o plateau na produção de petróleo bruto (o qual pode indicar que o Pico já foi atingido) e o contínuo crescimento da população global. Em conjunto, estes três factores estão a servir para empurrar o mundo para uma crise que tem ominosas possibilidades.

Quando não há bastante óleo para satisfazer a procura global, o preço obviamente ascende. Talvez menos óbvio, contudo, seja o efeito que este preço sobre a capacidade do mundo para produzir alimentos. Toda etapa do ciclo de produção alimentar é afectada pelo petróleo e uma ascensão no preço do barril tem efeitos cumulativos: Custa mais movimentar maquinaria agrícola, comprar fertilizantes, levar ao mercado e processar. Nos Estados Unidos, isto resulta em choques nas mercearias. Em partes do mundo em que a compra de alimentos salta para 75 por cento do rendimento familiar, isto resulta em inquietação social e perturbações.

As Nações Unidas estimam que a população global está a crescer à taxa de 78 milhões de pessoas por ano — grosso modo o equivalente ao acréscimo da população da Alemanha ao mundo a cada ano. De acordo com dados da Energy Information Administration divulgados este mês, a produção global de petróleo tem estado relativamente ao nível de um plateau durante os últimos 44 meses consecutivos.

Mas ao mesmo tempo, as economias da China e da Índia têm continuado a crescer, o que acelera o consumo de produtos relacionados com o petróleo e aumenta a quantidade e qualidade dos alimentos que come cada pessoa. Estes três factos conspiraram para produziram uma escassez global de petróleo bruto a qual exacerbou a incapacidade do mundo para alimentar-se a si próprio. Se o mundo não puder produzir um número significativamente maior de barris de petróleo por dia, enquanto ao mesmo tempo o apetite do mundo em desenvolvimento continua a aumentar e a população global continuar a ascender, então não haverá bastante petróleo para ir de um lugar para outro ou bastante alimentos para comerem todos.

Nas últimas duas semanas foi-nos dada uma antevisão do que isto pode significar quando novas organizações relataram tumultos e inquietação social em países em desenvolvimento de todo o mundo devido à escassez alimentar. O analista Jeff Rubin, do Canadian Bank, previu que os preços do petróleo "altearão para US$225 por barril em 2012". Muitos peritos esperam que estas duas aflições gémeas permaneçam no futuro previsível.

Já não é tempo para mais conversa e meias medidas. Os factos no terreno exigem acção urgente, robusta e sustentada aos mais altos níveis do governo. O público americano entendeu isso, pois o inquérito de 20 de Abril da WorldPublicOpinion.org revelou que 76 por cento dos americanos "acredita que o seu governo deveria fazer planos a longo prazo para substituir o petróleo como fonte primária de energia". Com uma percentagem tão alta da população a concordar com tal necessidade, onde estão os nossos líderes nacionais acerca desta questão? Enquanto os nossos candidatos presidenciais continuam a satisfazer-se a discutir questões tão críticas como aquilo que terá dito algum pastor (quem está amargurado em quem ficou nervoso), não tem havido qualquer diálogo significativo quanto à mais premente questão que o nosso país enfrenta.

Alguém deve avançar e liderar antes que uma crise de proporções globais seja precipitada sobre nós e a nossa única opção seja a implementação de medidas draconianas para controle de danos. Rezem para que um tal líder apareça logo.

05/Maio/2008
[NR] Colin Campbell é irlandês, não inglês.

[*] Oficial de cavalaria do U.S. Army.

O original encontra-se em http://www.washingtontimes.com/article/20080505/EDITORIAL/845942063


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
07/Mai/08