Coragem na calamidade
É uma das notícias do dia: o Governo admitiu
hoje
recorrer a privados se SNS não conseguir responder a aumento de
casos.
Não é só o número de casos, mas também os
outros casos, a saúde e a doença para lá pandemia. A
questão política central está então na
concretização da palavra recorrer.
Uma coisa é recorrer como sinónimo de requisitar a capacidade
instalada no sector privado, passando o Estado a controlá-la pelo tempo
que for necessário, fazendo uso, como já se sugeriu, das
possibilidades abertas pelo
Decreto-Lei n.º 637/74
, realmente um tempo em que a lei era mais claramente um instrumento ao
serviço da criação uma outra economia política, ao
serviço do povo.
Outra coisa, e temo bem que seja esta, é recorrer como sinónimo
de andar a criar publicamente mais uma oportunidade para a expansão e
para os lucros de um dos mais sórdidos negócios privados,
público-privados, aliás.
Haja coragem e decência no início de mais este estado de
calamidade. Tem de haver Serviço Nacional de Saúde, na, e para
lá da, pandemia.
14/Outubro/2020
[*]
Economista.
O original encontra-se em
ladroesdebicicletas.blogspot.com/2020/10/coragem-na-calamidade.html
Este artigo encontra-se em
https://resistir.info/
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