"Não existe nem um único palestino que lamente o desaparecimento de Sharon"

por Nayef Hawatmeh [*]

. Devido ao historial sangrento de Ariel Sharon, não existe um único palestiniano a lamentar a morte deste criminoso de guerra que cometeu horrendos massacres. Sharon foi o carniceiro do massacre de Quibia (Palestina) em 1953, o assassino dos prisioneiros egípcios em 1967, o autor do massacre dos acampamentos palestinos de Sabra e Shatila (Líbano) em 1982, e aquele que deu a ordem para assassinar crianças em Gaza e na Cisjordania.

Sharon é o pai espiritual de movimentos colonialistas extremistas e foi quem criou e pôs em prática os planos para usurpar os territórios palestinos. Era um homem que recusava a paz e amava a guerra e os assassinatos.

Esperamos que o seu desaparecimento abra o caminho a mudanças verdadeiras no mapa político e partidário israelense e fortaleça o campo da paz dentro de Israel, que possa deter a violência, os mares de sangue e o conflito existente há mais de um século. Esperamos que conduza à reconstrução do processo político na base da legalidade internacional que implica a paz global e equilibrada e concede aos palestinos o seu direito a um estado independente nos territórios ocupados em 1967, e o retorno dos refugiados nos termos da Resolução 194.

A reorganização do processo político e a negociação exigem novas transformações na estrutura interna do estado hebreu conducentes ao reconhecimento israelense das resoluções das Nações Unidas e à criação de mecanismos para a sua execução. Sem isso, a violência, o sangue, as lágrimas e o conflito continuarão.

Os israelenses estarão diante de uma prova nas próximas eleições de 28 de Março: ou optam pelo caminho da paz e reconhecem os legítimos direitos nacionais do povo palestino ou pela continuação das políticas de ocupação e colonialismo, assumindo as consequências dessa violência e conflito pois o nosso povo continuará a resistência até conquistar totalmente os seus direitos.

Estamos a trabalhar para que as próximas eleições legislativas palestinas, que serão celebradas a 25 de Janeiro, sejam o começo da reconstrução do regime político palestino e da criação de uma estratégia unida a ser apresentada ao nosso povo, aos árabes, ao mundo e à sociedade israelense. Uma posição palestina unida frente aos projectos que atentam contra o nosso legítimo e inalienável direito à independência, ao retorno e à autodeterminação tendo Jerusalém como capital.

08/Janeiro/2006

[*] Secretário Geral da Frente Democrático para a Libertação da Palestina. Entrevista ao jornal "Al-Khaleej", dos Emiratos Árabes Unidos.

O original encontra-se em http://www.fdlpalestina.org

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
12/Jan/06