por Miguel Urbano Rodrigues
O presidente Juan Manuel Santos, um oligarca neofascista, sentiu a necessidade
de abrir o diálogo de paz com as FARC, opção que ao tomar
posse qualificava de impensável. Mudou de atitude na
convicção de que não há solução
militar para o conflito e também alarmado com o êxito
alcançado pela Marcha Patriótica e com a adesão de
milhões de colombianos à campanha promovida pelo movimento
"Colombianos por la Paz".
Trata de ganhar tempo. Juan Manuel Santos sabe que Washington se opõe a
uma paz negociada com as FARC e são fortíssimas as
pressões da oligarquia e das transnacionais para impedir que a mesa de
diálogo de Havana atinja os objectivos do Acordo assinado. Sabotar a
Agenda é agora a tarefa de Humberto Calle e do general Mora.
Do outro lado estão as heróicas FARC-EP, assumindo na mesa de
diálogo o mesmo papel que na luta armada sempre definiram como seu:
defender o povo e a democracia, defender uma Colômbia de progresso e de
paz.
No próximo dia 15 principiam em Havana as negociações
sobre o "Acordo geral para o fim do conflito e a construção
de uma paz duradoura e estável" entre as Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia Exército do Povo e o
governo da Colômbia.
As conversações prévias em Oslo para
fixação definitiva da Agenda foram difíceis.
A delegação do governo, chefiada pelo ex vice-presidente da
República Humberto de la Calle, tentou eliminar do debate
questões fundamentais. Outro elemento, o general Jorge Mora,
ex-comandante-chefe do Exército, pretendeu retirar da Agenda as
questões militares.
Os 140 jornalistas colombianos que cobrem o acontecimento apresentaram
com poucas excepções relatos distorcidos da Mesa de
Diálogo. As cadeias televisivas Rádio Caracol e RCN ignoraram
inclusive a intervenção do comandante Ivan Marquez.
No acto público de Oslo o chefe da delegação das FARC-EP
pronunciou um importante discurso cujas principais passagens foram divulgadas
pelos media noruegueses. Recordou que as FARC lutam por uma paz definitiva,
inseparável de "uma profunda desmilitarização do
Estado e por reformas radicais" e esclareceu que 70% da
população colombiana vegeta na pobreza (mais de 30
milhões). Num país riquíssimo, o latifúndio
improdutivo é responsável pela importação anual de
mais de 10 milhões de toneladas de alimentos. A
restituição das terras roubadas aos camponeses é portanto
uma exigência prioritária da organização
revolucionária.
Lembrou também que o orçamento militar da Colômbia é
proporcionalmente dos mais altos do mundo. As suas Forças Armadas mais
de 400 mil homens recebem dos EUA 700 milhões de dólares por
ano e armas que Washington somente fornece a Israel.
Outro tema crucial da agenda é o controlo que as transnacionais
mantêm sobre a riqueza mineira do país. "A locomotiva mineira
são palavras de Ivan Marques é como um
demónio de destruição socio-ambiental que se não
for detido pelo povo, em menos de uma década transformará a
Colômbia num país inviável".
UMA AGENDA AMBICIOSA
A agenda aprovada é um ambicioso documento com seis pontos:
1. Processo de desenvolvimento acelerado e uso da terra;
2. Participação política;
3. Fim do conflito armado;
4. Solução para o problema das drogas;
5.Vítimas;
6. Agenda para a implementação e referendo.
A maioria dos pontos desdobra-se em itens sobre diferentes temas a debater
(ver o texto integral em
http://www.odiario.info/?p=2601
). Numa clara
demonstração de apoio às negociações de
Havana, foi divulgado em Bogotá um documento que expressa o profundo
desejo de paz do povo colombiano. É assinado por milhares de artistas,
intelectuais, professores, sindicalistas, líderes comunitários,
etc.
A delegação das FARC além do comandante Ivan Marquez
é constituída pelos comandantes Rodrigo Granda, Jesus Santrich,
Marcos Calarcá e Andrés Paris e a guerrilheira holandesa Tanja
Nijmeijer. A fim de desmontar as manobras do governo, não esperou pelo
início das negociações para divulgar comunicados
criticando declarações da delegação oficial que
prejudicam a atmosfera do Processo de Paz. O general Jorge Mora, nomeadamente,
tem insistido por uma desmobilização imediata das FARC. La Calle
quer reduzir ao mínimo o debate sobre temas económicos.
O presidente Juan Manuel Santos, um oligarca neofascista, com um passado
ligado ao paramilitarismo e ao narcotráfico, sentiu a necessidade de
abrir o diálogo de paz com as FARC, opção que ao tomar
posse qualificava de impensável. Mudou de atitude na
convicção de que não há solução
militar para o conflito e também alarmado com o êxito
alcançado pela Marcha Patriótica e com a adesão de
milhões de colombianos à campanha promovida pelo movimento
"Colombianos por la Paz".
Trata de ganhar tempo. Juan Manuel Santos sabe que Washington se opõe a
uma paz negociada com as FARC e são fortíssimas as
pressões da oligarquia e das transnacionais para impedir que a mesa de
diálogo de Havana atinja os objectivos do Acordo assinado.
Sabotar a Agenda, ponto por ponto, é agora a tarefa de Humberto Calle e
do general Mora.
Outra, antagónica, é a atitude das FARC.
A vida proporcionou-me a oportunidade de conhecer alguns dos membros da
delegação e uma amizade profunda liga-me ao comandante Rodrigo
Granda. São veteranos comunistas e revolucionários empenhados em
conquistar a Paz e lutar por uma Colômbia democrática e
independente.
O comandante Ivan Marquez enuncia uma evidência ao afirmar:
"Mal-aventurados os que no governo ocultam por trás da bondade das
palavras a impiedade para com os homens do povo, porque serão apontados
com o dedo da vergonha nas páginas da História".
Vila Nova de Gaia, 2 de Novembro de 2012
O original encontra-se em
http://www.odiario.info/?p=2663
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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