A Síria defende-se da agressão imperialista
por John Catalinotto
NOVA YORK Durante os últimos 19 meses de guerra civil
caótica na Síria, com rebeldes da oposição armados
pelos EUA, pela NATO e pelas monarquias do Golfo através da Turquia,
já alguma vez ouviu representantes do governo sírio a defenderem
a posição do seu governo a respeito do combate no seu país?
Se vive nos EUA imperialista ou na Europa, a sua resposta provavelmente
é "nunca". Por que? As estações da
televisão síria estão proibidas por sanções
e as televisões de propriedade corporativa dificilmente alguma vez
oferecem declarações do "inimigo". Mesmo em outros
países de língua árabe, a posição
síria tem sido abafada pela propaganda anti-síria do Qatar e da
Arábia Saudita.
Durante umas poucas horas, numa igreja no Upper West Side de Manhattan, em 21
de Outubro, houve uma oportunidade de ouvir a posição
síria expressa por um porta-voz oficial sírio. A audiência
também ouviu outros internacionalistas que apoiam a defesa da
Síria daquilo que pode ser descrito como um ataque imperialista.
A reunião contou com o conselheiro Dr. Mazen Adi, da Missão
Síria junto às Nações Unidas, bem como com o
activista internacional de direitos humanos Ramsey Clark e a jornalista
britânica Lizzie Phelan, conhecida pela sua corajosa reportagem da
Líbia durante o assalto imperialista de 2011 àquele país.
Adi explicou que o movimento de oposição na Síria era
complexo e à princípio o povo apresentou pedidos para que o
governo o ouvisse. O governo ofereceu um "cabaz de reformas". Alguns
na oposição aceitaram as reformas e novas discussões, mas
outros "queriam implementar a sua própria agenda... destruir a
Síria".
"O governo queria vir para a mesa [de conversações], mas foi
recebido com bombistas suicidas", observou Adi. "Pessoas a combaterem
o governo acreditavam estar a faz jihad". Ele explicou que há na
Síria milhares de combatentes de países muito diferentes em
dúzias de diferentes grupos com diferentes programas, tornando
negociações quase impossíveis.
Adi enfatizou o papel desempenhado pela Síria ao receber no seu
país quaisquer refugiados árabes, especialmente os mais de um
milhão de pessoas forçadas a fugir do Iraque durante a guerra ali
conduzida pelos EUA. Também notou que a Síria é um
país muito diverso, com dúzias de diferentes religiões,
seitas e grupos étnicos.
Além disso, explicou as dificuldades que a Síria enfrenta em
apresentar o seuj lado da história. "O meu país não
tem os petrodólares" que o Qatar tem para a Al-Jazeera e
Arábia Saudita tem para a Al-Arabia, duas estações de TV
por satélite. "Portanto nós não podemos sequer
apresentar a nossa posição em árabe. As emissões
das nossas três estações nacionais estão bloqueadas
da Europa devido a sanções".
A Press-TV, a Peoples Video Network e a Truth for a Change gravaram a
reunião para futura emissão ou difusão na Internet e a
CPRMetro.org difundiu a discussão em tempo real. Serão os
movimentos progressistas e anti-guerra aqui a publicar a reunião e
acessá-la a fim de contrapor-se ao monopólio dos media
corporativos.
Lizzie Phelan também tratou do monopólio ocidental dos media. Nas
mais recentes intervenções os media imperialistas foram ajudados
pela Al-Jazeera e Al-Arabia. Phelan foi um dos poucos repórteres
internacionais na Líbia no ano passado que descreveu a batalha do
país contra a NATO de modo diferente da "estória
oficial" relatada pelos media corporativos na Europa e nos EUA.
Finalmente, depois de Kadafi ter sido assassinado e o seu governo derrubado, os
media ocidentais começaram a deixar surgir algo da verdade, disse
Phelan. Agora o que se vê na Líbia é caos e uma forte
presença de forças como a al-Qaeda, com um "ricochete"
que resultou na morte do embaixador dos EUA.
Larry Hales, representante do International Action Center, mirou o
próprio sistema capitalista e a actual crise económica
irresolúvel como a força condutora por trás da tentativa
imperialistas de reconquistar países como a Líbia, Síria,
Iraque e Afeganistão.
Outros oradores na reunião, além de Clark, incluíram
Ardeshir Omani, do Comité de Amizade Americano-Iraniano, e Ben Becker,
da Answer Coalition. Estes grupos, o IAC e o Conselho da Paz de Nova York
patrocinaram a reunião. Omani e Clark centraram seus comentários
nas ameaças contra o Irão. Ellie Omani da AIFC e Sara Flounders
do IAC presidiram o evento.
Houve mensagens de solidariedade dos Círculos Bolivarianos, Veterans for
Peace-Chapter 21, International League of People's Struggles, Solidarity with
Iran e de um grupo equatoriano.
26/Outubro/2012
Ver também:
http://www.infosyrie.fr/
http://www.presstv.ir/
O original encontra-se em
www.workers.org/2012/10/26/syria-defends-itself-from-imperialist-onslaught/
Esta notícia encontra-se em
http://resistir.info/
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