Síria: mais um passo na escalada
A oposição armada síria não é independente
dos Estados Unidos e de regimes reaccionários árabes no seu
objectivo de tomar o poder, não através das urnas mas impondo uma
guerra civil. O grau da sua dependência e servilismo manifesta-se quando
a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, apelou sem rodeios aos
"amigos da Síria democrática" para unirem-se e
marcharem contra o presidente Bashar Assad. Esta proclamação foi
anunciada solenemente um dia depois de a autorização para
intervenção militar na Síria promovida pelos EUA ter sido
rejeitada pela China e Rússia, as quais foram forçadas a vetar os
planos estado-unidenses para a invasão da Síria.
Continuando suas intenções, Clinton reiterou que a
"comunidade internacional", tal como a "coligação
da vontade" de George W. Bush, tinha o dever de promover uma
transição política que contemplasse o afastamento do
presidente Bashar al-Assad.
Clinton deu a sua directiva para o mundo todo ao visitar a Bulgária, um
dos 10 países mais pobres da Europa, com um Produto Interno Bruto (PIB)
inferior a US$53 mil milhões em 2010, rendimento per capita de US$13.449
e uma dívida bruta do governo de 19,7% do PIB do país. O
objectivo de mencionar as fracas condições económicas da
Bulgária não é denegrir o país ou o seu povo, mas
sim mostrar que o imperialismo estado-unidense com os seus planos de
dominação, destruição e pilhagem utiliza mesmo as
nações mais atingidas pela pobreza para virá-las contra
outros países em luta tais como a Síria, o Irão e
não muito tempo atrás a Líbia a fim de cumprir seus
propósitos criminosos. Seguindo as pegadas de Cheney, Rumsfeld e
Companhia pouco antes da invasão do Iraque, Clinton atacou a
Rússia e a China como para declarar: "confrontados com um Conselho
de Segurança neutralizado temos de redobrar nossos esforços fora
das Nações Unidas com nossos aliados e parceiros..."
Penso que já vimos este filme antes. A primeira personagem que aparece
na cena é um porta-voz da Liga Árabe (LA). Não faz
diferença se ele é eleito ou nomeado pelo rei e primeiro-ministro
da Arábia Saudita e, ainda mais importante, se ele recebeu as
bênçãos de Hillary Clinton ou do general David H. Petraeus,
o director da CIA. A seguir à sua designação, o
emissário da Liga Árabe, que foi levado solenemente à
Assembleia-Geral da ONU por Susan Rice, a embaixadora dos EUA nas
Nações Unidas, defendeu o estabelecimento de uma "zona de
interdição de voo"
("no fly zone")
para salvar as vidas dos sírios inocentes, pelo amor de Deus!
Se não houvesse protesto à resolução bem preparada
pelo governo estado-unidense, então Washington teria permissão
para trabalhar e com a ajuda da coligação das vontades,
autorização na mãos, começava o bombardeamento da
logística síria, toda espécie de depósitos de
armas, redes eléctricas, fábricas, reservatórios de
água, sistemas de esgotos de cidades, escolas e hospitais. Será
que este cenário tem precedentes? Sim, cerca de seis meses depois de
extrair a licença para impor uma "zona de interdição
de voo" sobre a Líbia, as potências ocidentais com
bombardeamentos maciços arrasaram aquele país, libertaram o
petróleo
light sweet
do país e conseguiram instalar um dos altos executivos da ENI SpA (a
principal empresa de petróleo da Itália) como ministro do
Petróleo e em dois meses as companhias ocidentais estavam a sugar 1,3
milhão de barris por dia.
Desta vez a tarefa de preparar a minuta da resolução foi
atribuída ao representante marroquino nas Nações Unidas
que actuou rapidamente. O plano exigia ao governo sírio a retirada de
todas as suas forças armadas das áreas habitadas com retorno aos
seus quartéis. Contudo, ignorou a exigência da Rússia de
que a oposição síria se afastasse de grupos extremistas
que cometiam violências e crimes contra civis. A segunda exigência
russa que foi totalmente ignorada era que "grupos armados devem cessar
ataques contra instituições do estado e públicas enquanto
as forças armadas sírias estão a deixar as cidades".
A recusa a incluir estas disposições na minuta da
resolução significava apenas uma coisa: dissolução
do estado sírio e uma "mudança de regime" total.
Ao invés de pedirem desculpas, os co-autores da minuta começaram
a atacar a integridade do governo russo. Exemplo: o representante do Marrocos
acusou o governo russo de ignorar as "posições comuns
árabes". O delegado da França chegou ao ponto de chamar a
Rússia e a China de cúmplices em crimes cometidos pelo regime
sírio. Para a Rússia e a China, que haviam visto as
terríveis consequências na Líbia, só havia uma
alternativa e esta era vetar a resolução.
Desta vez, no caso da Síria, a China e a Rússia aprenderam sua
amarga lição e resistiram a serem enganados uma segunda vez. Mas
os EUA e seus aliados haviam arrumado o baralho de modo favorável a
aprovar a resolução e fazer para a Síria o que fizeram
para a Líbia. Mais significativo ainda é que os EUA não
aceitaram qualquer alteração à minuta de
resolução, o que forçou a China e a Rússia a
vetá-la e derrotá-la.
Já em Novembro de 2011, a NATO, em colaboração com os
xeques árabes pró-imperialistas e reaccionários do
Bahrain, Kuwait, Qatar e Emirados Árabes Unidos (EAU) e ainda a Turquia
planeavam invadir a Síria, estabelecer um regime colonial e derrubar o
governo secular social-democrata. Segundo um artigo no Al Bawaba, um
sítio web em árabe/inglês, altas fontes europeias revelaram
que caças a jacto árabes e possivelmente aviões de guerra
turcos, apoiados pela logística americana, imporiam uma zona de
interdição de voo nos céus da Síria depois de a
Liga Árabe emitir uma decisão apelando à
intervenção armada. As fontes disseram ao diário al Raid,
do Kuwait, que camiões, tanques e veículos militares
sírios não seriam excluídos como alvos por parte dos
jactos invasores.
Os destinos da Líbia e da Síria não poderiam ser mais
semelhantes. Dentro de uma profunda crise económica, os EUA e a Europa
procuram regenerar o capitalismo através da guerra generalizada com
países em desenvolvimento até ficarem prontos para a guerra com a
Rússia e a China.
Ver também:
Twenty-eight Martyrs, 235 Wounded in Twin Terrorist Bomb Blasts in Aleppo City
Twin Terrorist Bombings in Aleppo Fall within Unfair Campaign against Syria, Supported by some Countries in Region
Armed Terrorist Groups Detonate Booby-Trapped Houses in Homs, Civilians and Security Forces Members Martyred
Mikdad: Syrian People Encounter Biggest, Insolent Conspiracy by Colonial Countries
EEUU impulsa la diplomacia para la guerra contra el pueblo sirio
Gobierno sirio desmiente bombardeos en Homs: crece la campaña injerencista
SYRIA: CIA-MI6 Intel Ops and Sabotage
NATO’s Objective is to turn Syria into Another Iraq, a Quagmire of Ethnic and Sectarian Violence
[*]
Presidente do American Iranian Friendship Committee (AIFC), escritor e analista
político. A AIFC foi criada em 2004 para promover a paz e o
diálogo entre os EUA e o Irão, bem como impedir qualquer guerra
instigada pela NATO contra o povo iraniano.
O original encontra-se em
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/NB10Ak01.html
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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