A pandemia e o consumo de energia em Portugal
por Jorge Figueiredo
É fácil de entender que a actividade económica de um
país é reflectida pelo seu consumo energético. Assim, tem
todo o interesse verificar como se tem comportado o consumo de energia em
Portugal nestes tempos de pandemia e confinamentos. Felizmente a
DGGE
teve a diligência de publicar as suas "Estimativas rápidas
do consumo energético", com dados que chegam até Maio de
2020. Aqui estão os principais consumos apresentados, comparados com
valores homólogos do ano anterior:
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Jan-Mai/2020
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Jan-Mai/2019
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Variação %
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Electricidade (GWh)
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19 053,5
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19 987,1
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-4,7%
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Gás natural (10
6
m3 normalizados)
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1 456,1
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1 615,6
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-9,9%
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Gasolina (10
3
t)
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323,2
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420,1
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-23,1%
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Gasóleo rodoviário (10
3
t)
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1 512,1
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1 865,1
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-18,9%
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Aviação (Jet) (10
3
t)
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308,6
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587,9
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-47,5%
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O exame mais em pormenor do consumo homólogo de
electricidade
revela que na indústria a queda foi -7,1%; nos transportes de -9,4% e
nos serviços de -18%. Em contrapartida, o consumo
doméstico aumentou em 13,6% o que decorre do
confinamento de grande parte da população.
Quanto ao
gás natural,
a queda na indústria foi de -12,0% e nos sectores de serviços
de -19,3%. Tal como na electricidade, o consumo doméstico de gás
natural também aumentou (+15,1%) com o confinamento houve mais gente a
cozinhar em casa...
Nos refinados de
petróleo,
a queda em cerca de um quinto do combustível principal o gasóleo
rodoviário indica uma redução considerável
da movimentação de mercadorias e passageiros no país. O facto de a queda do consumo de
gasolina ter sido maior que a do gasóleo sugere que este combustível, utilizado
quase exclusivamente em veículos ligeiros particulares, é menos
indispensável que o outro no presente sistema português transportes.
Quanto ao combustível de aviação (jet-fuel), como era de
prever a queda para cerca da metade do consumo nos primeiros cinco meses de
2020 foi vertiginosa. Trata-se de um resultado perfeitamente previsível
com a quase paralisação do transporte aéreo. Se se
verificar a variação homóloga apenas no mês de Maio,
ou seja, no auge da pandemia, a queda no consumo foi de impressionantes -92,0%.
Diante destes dados, resta estimar de quanto será o mais que certo
crescimento negativo do PIB português em 2020. Será da ordem de
"apenas" 8,0%
como prevê o FMI
? Ou irá mais além como sugerem as quedas no consumo de
electricidade e de gás natural na indústria e nos
serviços, bem como a queda de um quinto do consumo de gasóleo
rodoviário? Os econometristas estão convocados.
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