Rejeitar a lei da austeridade e a União Europeia anti-democrática
- Declaração conjunta do Partido Comunista da Irlanda e do
Partido Comunista da Grã-Bretanha
O Partido Comunista da Irlanda e o Partido Comunista da Grã-Bretanha
condenam a decisão da cimeira de 17 de Dezembro da UE de procurar
emendar o Tratado Constitucional da União Europeia sem efectuar
referendos nacionais. Isto representa um grosseiro desrespeito de qualquer
forma de democracia e confirma o que disseram que aconteceria aqueles que se
opuseram ao Tratado de Lisboa. Trata-se de uma nova erosão da democracia.
Esta emenda, a qual exige "estrita condicionalidade" para qualquer
forma de salvamento, fortalecerá mais uma vez o carácter
pró-monopólios e anti-democrático da UE. Ela autoriza a
Comissão da UE a tomar controle directo da política
económica e social de um estado membro e a utilizar esse poder para
reduzir salários e pensões, tomar o controle da política
fiscal e privatizar activos públicos.
No caso da Irlanda foram impostos prazos estritos, aferrolhando o povo
irlandês um modelo económico neoliberal muito específico,
dominado por políticas que impõem sofrimento sobre o menos ricos
da sociedade irlandesa. As condições impostas são guiadas
por objectivos ao nível do défice, como se evidenciou pela forte
ênfase nos prazos finais para mudanças políticas e
legislativas. Elas são coercivas, pois os desembolsos de cash
dependerão da implementação do acordo e não
há virtualmente qualquer flexibilidade política que permite
mudanças no conteúdo do acordo imposto ao povo irlandês
tanto pela UE como pelo FMI. Poderes arbitrários vastos foram dados aos
prestamistas e obrigações selvagens foram impostas sobre o povo.
O capital tem direitos e o trabalho tem obrigações.
A emenda agora proposta incorporará no texto do Tratado a prática
de forçar o povo trabalhador a pagar por défices causados pelos
muito ricos e pelo capital financeiro, agravando os problemas existentes de
desigualdade e pobreza. Ela fortalecerá em toda a UE a
posição dos monopólios gigantes, permitindo-lhes comprar
activos privatizados, firmas mais pequenas e aumentar ainda mais os problemas
do desenvolvimento desigual. Ela intensificará o carácter
deflacionário do Tratado e aprofundará a recessão.
Apelamos à mais vasta campanha possível para exigir que sejam
efectuados referendos e para que esta mudança de Tratado seja rejeitada.
A acção da Cimeira da UE de Dezembro de 2010 sublinha o
carácter inerentemente anti-democrático da UE e a necessidade de
o povo trabalhador considerar formas alternativas de cooperação
económica internacional que possam proteger nossos direitos
democráticos e abrir o caminho à soberania popular.
22/Dezembro/2010
O original encontra-se em
http://www.communistpartyofireland.ie/r-2010-12-22.html
Esta declaraçãoencontra-se em
http://resistir.info/
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