por Caoimhghin Ó Croidheáin
[*]
Apesar do facto de o povo irlandês estar actualmente a aguentar uma
austeridade infindável e despedimentos,
as exportações estão em alta
. A Irish Exporters Association (IEA) informa um aumento de
10% na exportação de bens e serviços entre Julho e
Setembro em relação ao mesmo período de um ano
atrás. As exportações apontam para um recorde de
183,7 mil milhões este ano e com
uma taxa de imposto sobre os rendimentos das empresas de 12,5%
as elites dos negócios estão a
safar-se bastante bem na Irlanda. Enquanto isso, o governo irlandês
está a entregar uma grande percentagem do orçamento a
proprietários de títulos não garantidos, a qual chega a
18 mil
milhões este ano com mais dois mil milhões antes do fim do ano.
Segundo escreveu Diarmuid O'Flynn no seu blog
bondwatchireland
:
"Saibam por favor que estamos a ser traídos por nós
próprios. Estamos a ser traídos pelo nosso próprio
governo, o qual está em conivência com o BCE na
implementação de uma política que privilegia os interesses
privados em relação ao bem público, do primado dos bancos
sobre o povo; estamos a ser traído pelos media nacionais que abandonaram
o seu dever primário de informar o povo objectivamente e honestamente do
que está a acontecer".
Contudo, os media têm estado ocupados a relatar a
prisão de Sean Quinn
que anteriormente era o homem mais rico da Irlanda. Ele foi condenado a
nove semanas de prisão por não cumprir uma ordem do tribunal
tendo anteriormente sido culpado de contumácia, por ocultar activos do
antigo Anglo Irish Bank. É um sinal do desespero por trabalho do povo
irlandês que o execrado homem de negócios (assim como o seu filho
e sobrinho) tenham sido objecto de grandes manifestações de
apoioà família Quinn
.
Enquanto isso o Central Statistics Office (CSO) irlandês
está a mostrar
que com todos os despedimentos e dinheiros a serem desviados para
interesses privados, as poupanças familiares estão em queda, o
negócio bancário está a contrair-se e a finanças do
governo estão a deteriorar-se. Na área da educação
e saúde, as condições de trabalho e os despedimentos
estão a ter efeitos sobre a sociedade como um todo. Exemplo: a
Teacher's Union of Ireland
(TUI) encomendou um novo inquérito independente o qual
mostrou "o impacto maciço que os despedimentos tiveram sobre
escolas de todo o país. Em particular, a perda de postos de
responsabilidade como a dos encarregados de disciplina
(year head)
prejudicou gravemente a importante estrutura de apoio para estudantes
marginalizados" e que "rendimentos reduzidos das famílias
tiveram um impacto prejudicial significativo sobre a capacidade de estudantes
para comprarem livros escolares e outros materiais gerais de sala de
aula". Num
artigo recente
o consultor Dr.Alfaf Naqvi "advertiu que a
moral entre médicos jovens tanto irlandeses como de
além-mar está um "desastre". "Tenho
trabalhado em outros países tais como o Irão e a Arábia
Saudita mas as condições são muito piores aqui e os
médicos tanto nacionais como estrangeiros estão
à beira do esgotamento nervoso, as coisas estão num ponto de
crise", declara ele.
As elites de negócios e políticas estão determinadas a
fazer com que o povo irlandês comum pague pela crise financeira com toda
uma série de novos impostos e encargos a descerem a linha no
próximo ano. Novos
encargos sobre a água e a propriedade de mais de 800 por ano
combinados com um
"tsunami acumulado de hipotecas atrasadas"
pelas quais "cerca de 23% dos
devedores hipotecários
tinham atrasos ou tiveram suas hipotecas reestruturadas
após consultas com os bancos" podem em breve criar a espécie
de reacção vocal e manifestações que estranhamente
até agora têm faltado na Irlanda.
12/Novembro/2012
[*]
Artista irlandês que tem exposto amplamente por todo o país. O seu
trabalho consiste de desenhos, pinturas, paisagens de Dublim, imagens baseadas
na história irlandesa e outros temas sociais e políticos.
(
http://gaelart.net/
).
O original encontra-se em
http://www.counterpunch.org/2012/11/12/austerity-grips-ireland/
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.