Seminário em Espanha acusa:
Ocupantes americanos cúmplices em assassínios no Iraque
por John Catalinotto
Representantes de grupos anti-guerra de oito países reuniram-se em
Madrid de 21 a 23 de Abril para discutir uma emergência macabra: os
assassínios e desaparecimentos de centenas de cientistas,
médicos, professores e outros intelectuais iraquianos sob a
ocupação americano-britânica. Ouviram ali, em primeira
mão, as dificílimas condições dos académicos
e profissionais médicos que lutam pela vida em meio a constantes
ameaças, violência física, sequestros e a
operação de esquadrões da morte.
Académicos e líderes sindicais do estado espanhol também
falaram no seminário contra a ocupação americana. Foram
apresentadas provas de que a ocupação americana é a
responsável pelo sofrimento do povo iraquiano, incluindo os
assassínios, e que os EUA tem os motivos e os meios para
executá-lo.
Os principais participantes da conferência foram a Campanha Estatal
contra a Ocupação e pela Soberania do Iraque (CEOSI), o Tribunal
de Bruxelas e o International Action Center dos EUA. Outros grupos da
Alemanha, Suécia, Grã-Bretanha e Portugal, que estiveram activos
no Tribunal Mundial sobre o Iraque, também contribuíram para as
discussões.
A CEOSI e o Tribunal de Bruxelas também documentaram os assassinatos de
220 profissionais da saúde e de 190 académicos no Iraque. Eles
afirmam que a ocupação planeou ou no mínimo permitiu que
estes assassinatos se verificassem. Tal destruição do capital
intelectual do país ameaça destruir a sociedade iraquiana,
eliminando o seu futuro, tal como a pilhagem dos seus museus eliminou o seu
passado.
As discussões decorreram dentro do quadro das conclusões do
Tribunal Mundial do Iraque, o qual em Junho último, em Istambul,
considerou os EUA culpados pelos crimes de guerra pela sua invasão e
defendeu o direito dos iraquianos a resistirem à ocupação,
inclusive através da luta armada.
Dentre os intervenientes iraquianos estava Eman Khamas, jornalista, criadora e
ex-directora do grupo Occupation Watch, de Bagdad; o Prof. Ali, que ensina
genética molecular na Universidade de Bagdad; e o Dr. Sami,
cirurgião no Hospital de Cirurgia Cardíaca e Toráxica no
Hospital Geral da Universidade de Bagdad. Todos os três consideram a
ocupação como a responsável pelos crimes que estão
a ser cometidos contra o povo iraquiano.
Khamas acabou de concluir uma visita de seis semanas nos Estados Unidos. Ela
enfatizou que os EUA ainda estão a executar activamente uma contra o
povo iraquiano. "Em 1 de Maio de 2003 Bush disse que a guerra estava
acabada. Ele mentiu. Os EUA continuaram a guerra contra o povo iraquiano.
Cidades, hospitais, escolas ainda estão a ser bombardeados".
Khamas afirmou que mesmo quando escolas estão em funcionamento
são muitas vezes encerradas por razões de segurança
assim como quando a Assembleia Nacional está em reunião. Ela
destacou que mais de 300 mil iraquianos foram mortos desde o início da
invasão em 20 de Março de 2003.
Ela levantou a questão da segurança sob a ocupação.
"Muitas mulheres", afirmou Khamas, "não vão
à escola ou à faculdade porque têm medo". Ao mesmo
tempo, eventos políticos que são muito enfatizados nos media
americanos e pelos políticos em Washington "são
completamente irrelevante para o povo comum iraquiano".
INFERNO NA MESOPOTÂMIA
O Prof. Ali, um cientista, foi mantido na prisão durante meses sob a
suspeita de trabalhar em armas de destruição em massa que
se verificou não existirem. Foi mantido na mesma prisão com
políticos de alto nível do regime baathista. Ele chamou a
ocupação de "inferno na Mesopotâmia, onde a desordem
caótica e o crime organizado florescem".
O Dr. Sami foi ameaçado de morte e expulso do seu gabinete. Ele havia
recebido toda a sua educação gratuitamente do governo iraquiano,
incluindo treinamento pós-doutoral, e observou que desde 1990 os EUA
atacaram os sistemas de educação e saúde do Iraque quando
"antes de 1991 todo o sistema educacional era gratuito para os
iraquianos".
O tom geral do seminário foi de que nada de bom poderia resultar da
ocupação, que deveria terminar os mais cedo possível, e
que o povo iraquiano tem o direito de expulsar as tropas estrangeiras.
Dentre os participantes de universidades espanholas estavam Carlos Varea do
CEOSI, que esteve no Iraque durante a guerra em 2003 como observador; Prof.
Pedro Martinez Montavez, o qual destacou que a sociedade iraquiana antes da
ocupação nunca esteve dividida do modo sectário como
está agora; e Rosa Regas, director geral da Biblioteca Nacional, o qual
observou que se o terrorismo fosse medido pelo número de civis mortos,
Bush seria o terrorista número um.
A reunião foi efectuada na Escola Julian Besteiro, de treinamento de
organizadores e quadros sindicais. Muitos sindicalistas participaram da
discussão, incluindo Manuel Bonmati, responsável das
relações internacionais da confederação UGT.
Dentre os oradores internacionais no seminário estavam Joachim Guilliard
do Comité Alemão do Iraque; Manuel Raposo do Tribunal
Português, Dirk Andriaensens do Tribunal de Bruxelas, Prof. Ian Douglas,
professor visitantes da Escócia na Universidade Nahah na Palestina, e
John Catalinotto do International Action Center dos EUA.
Durante o segundo dia, o participantes focaram as acções que
podem ser empreendidas a fim de chamar a atenção global para a
destruição dos recursos intelectuais e profissionais do Iraque e
denunciar os seus responsáveis directos, incluindo o poder ocupante.
Isto inclui apelos a organizações de professores
universitários, às Nações Unidas e outros
organismos que poderiam eventualmente apoiar uma investigação
independente das circunstâncias que cercam estas mortes.
Os textos das intervenções no seminário serão
postos nos sítios web do
CEOSI
, do
Tribunal de Bruxelas
e do
IAC
.
27/Abril/2006
O original encontra-se em
www.workers.org/2006/world/iraq-0504/
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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