por The Saker
Primeiro, um rápido resumo da situação
Precisamos começar por resumir rapidamente o que acaba de acontecer:
1. O general Soleimani estava em Bagdad numa visita oficial para acompanhar o
funeral dos iraquianos assassinados pelos EUA no dia 29
2. Os EUA agora assumiram oficialmente a responsabilidade por este assassinato
3. O Supremo Líder iraniano, aiatola Ali Khamenei
declarou oficialmente
que "Contudo,
uma severa retaliação aguarda os criminosos que pintaram as suas
mãos corruptas com o sangue dele e dos seus companheiros martirizados
ontem à noite"
Os EUA colocam-se a si próprios e ao Irão em apuros
Os iranianos simplesmente não tiveram outra escolha senão
declarar que haverá uma retaliação. Existem alguns
problemas básicos com o que acontece a seguir. Vamos examiná-los
um por um:
1. Primeiro, é bastante óbvio a partir dos disparates da
agitação de bandeiras nos EUA que o Tio Shmuel
[1]
está
"bloqueado e embriagado" por acções e
reacções ainda mais machas. De facto,
o secretário Esper basicamente descreveu os EUA no que eu chamaria de
uma "super-reacção de encurralamento" ao
declarar que
"o jogo mudou" e que os EUA tomarão "acção
antecipativa" sempre que se sintam ameaçados.
Portanto, os iranianos têm de assumir que os EUA super-reagirão a
qualquer coisas que mesmo remotamente se pareça a uma
retaliação iraniana.
2. Não menos alarmante é que isto cria as
condições absolutamente perfeitas para uma falsa bandeira como o
"
USS Liberty
".
Exactamente agora, os israelenses tornaram-se pelo menos um grande perigo para
os soldados e instalações dos EUA por todo o Médio
Oriente, tal como os próprios iranianos. Como? Simples! Disparam um
míssil/torpedo/mina a qualquer navio da US Navy e culpam o Irão.
Todos nós sabemos que se isto acontecer as elites políticas dos
EUA farão o que fizeram da última vez que isto aconteceu: deixam
soldados dos EUA morrerem e protegem Israel a todo custo (leia sobre o USS
Liberty se não sabe acerca disto).
3.
Também há um risco muito real de "retaliações
espontâneas" de
outras
partes (não o Irão ou seus aliados).
De facto, na sua mensagem o aiatola Ali Khamenei declarou especificamente que
"o martir Suleimani é uma face internacional para a
Resistência e
todos os amantes da Resistência partilham um anseio de
retaliação pelo seu sangue
. Todos os amigos bem como todos os inimigos agora devem saber
que o caminho do Combate e Resistência continuará com
duplicação da vontade e que a vitória final está
decididamente a aguardar quem combate neste caminho". Ele está
certo, Soleimani era amado e reverenciado por muitas pessoas em todo o globo,
algumas das quais podem decidir vingar a sua morte. Isto significa que podemos
muito bem ver alguma espécie de retaliação a qual,
naturalmente, será atribuída ao Irão mas que poder
não ser o resultado de quaisquer acções iranianas.
4. Finalmente,
se os iranianos decidissem não retaliar, então podemos estar
absolutamente certos de que o Tio Shmuel verá isto como uma prova da sua
putativa "invencibilidade" e considerará que é uma
licença para empenhar-se em acções ainda mais
provocatórias.
Se examinarmos estes quatro factores em conjunto teremos de chegar à
conclusão de que
o Irão TEM de retaliar e TEM de fazê-lo publicamente.
Por que?
Porque quer os iranianos retaliem ou não, é quase garantido que
sofrerão outro ataque dos EUA em retaliação a qualquer
coisa que se pareça a uma retaliação, esteja o Irão
envolvido ou não.
A dinâmica interna da política estado-unidense
Vamos a seguir examinar a dinâmica da política interna dos EUA:
Sempre afirmei que
para os Neocons Donald Trump é um "presidente
descartável".
O que quero dizer com isso? Quero dizer que os Neocons utilizaram Trump para
toda espécie de coisas fantasticamente estúpidas (quase TODAS as
suas decisões políticas em relação a Israel e/ou
Síria) por uma razão muito simples. Se Trump fizer algo
extremamente estúpido e perigoso, ou ele se safará disso, caso em
que os Neocons ficarão felizes, ou fracassará ou as
consequências de suas decisões serão catastróficas,
até ao ponto de os Neocons o jogarem fora e substituirem-no por um
indivíduo ainda mais subserviente (digamos, Pence ou Pelosi). Por outras
palavras,
para os Neocons ter Trump a fazer algo ao mesmo tempo incrivelmente perigoso e
fantatiscamente estúpido é uma situação em que
sempre saem a ganhar!
Exactamente agora, os democratas (ainda o partido favorito dos Neocons) parecem
estar decidido a cometer suicídio político com aquela
ridícula (e traidora) insensatez do impeachment. Agora pense nisto do
ponto de vista Neocon. Eles podem ser capazes de obter que os gentios (goyim,
não judeus) dos EUA ataquem o Irão
E
livrarem-se de Trump. Suponho que o seu pensamento será algo como isto:
Trump parece pronto para vencer em 2020. Nós não queremos isso.
No entanto, estamos fazendo tudo ao nosso alcance para desencadear um ataque
dos EUA ao Irão desde praticamente 1979. Vamos fazer com que Trump
faça isso. Se ele "vencer" (seja qual for a
definição mais acerca disso abaixo), nós vencemos.
Se ele perder, os iranianos ainda estarão num mundo de sofrimento e
sempre podemos descartá-lo como uma camisinha usado (usada para
supostamente prejudicar alguém com segurança sem riscos para si
mesmo). Além disso, se a região explodir, isso ajudará
nosso amado Bibi e unirá os judeus dos EUA atrás de Israel.
Finalmente, se Israel for atacado, imediatamente exigiremos (e, é claro,
obteremos) um ataque maciço dos EUA ao Irão, apoiado por todo o
establishment político e os media dos EUA. E, finalmente, se Israel for
atingido duramente, sempre podemos usar nossas ogivas nucleares e dizer aos
gentios
(goyim)
que "o Irão quer gasear 6 milhões de judeus e varrer a
única democracia no Médio Oriente da face da terra" ou
alguma coisa igualmente insípida.
Desde que Trump chegou à Casa Branca, nós o vimos bajular o lobby
de Israel com um deleite extremo, mesmo para os padrões dos EUA. Suponho
que o seu cálculo seja algo como "com o lobby de Israel
atrás de mim, estou seguro na Casa Branca". Ele é obviamente
demasiado estúpido e narcisista para perceber que tem sido usado o tempo
todo. Para seu crédito (ou de um de seus principais conselheiros), ele
NÃO permitiu que os Neocons iniciassem uma grande guerra contra a
Rússia, China, RPDC, Venezuela, Iémen, Síria etc. No
entanto, o Irão é um caso totalmente diferente, pois é o
"número um" dos objectivos neocons e Israel queria
atacá-lo e destruí-lo. Os Neocons até tinham este
lema
:
"meninos vão para Bagdad, homens de verdade vão para
Teerão".
Agora que o tio Shmuel perdeu todas estas guerras selectas, agora que as
forças armadas dos EUA já não têm mais
credibilidade, agora é a hora de restaurar a auto-imagem
"macho" do tio Shmuel e, de facto, "ir para Teerão"
por assim dizer.
Os
democratas (Biden) já estão a dizer
que Trump simplesmente
"lançou uma banana de dinamite para dentro de um paiol", como
se eles se importassem com qualquer coisa além dos seus próprios,
pequenos, objectivos políticos e de poder. Ainda assim, tenho de admitir
que a metáfora de Biden é correcta pois é
exactamente o que Trump (e seus patrões reais) fizeram.
Se assumirmos que estou correcto na minha avaliação de que Trump
é o "presidente descartável" dos neocon/israelenses,
então temos de aceitar o facto de que as forças armadas dos
neocon/israelenses também são "descartáveis".
Isto na verdade é muito má notícia, pois significa que
do ponto de vista neocon/israelense não há riscos reais em
lançar os EUA numa guerra com o Irão.
Na verdade, a posição dos democratas é uma obra prima de
hipocrisia, que pode ser resumida como se segue:
o assassinato de Suleimani é um evento maravilhoso, mas Trump é
um monstro por ter feito com que isto acontecesse.
Qual seria o resultado provável de uma guerra dos EUA ao Irão?
Tenho escrito tão frequentemente acerca deste tópico que
não vou entrar aqui em todos os possíveis cenário. Tudo o
que direi é o seguinte:
-
Para os EUA, "vencer" significa alcançar mudança de
regime ou, na falta disso, destruir a economia iraniana.
-
Para o Irão, "vencer" significa simplesmente sobreviver
à carnificina dos EUA.
Isto é uma ENORME assimetria que basicamente significa que os EUA
não podem vencer e o Irão só pode vencer.
E, não, os iranianos não têm de derrotar o CENTCOM/NATO!
Eles não precisam empenhar-se em grandes operações
militares. Tudo o que eles precisam fazer é: permanecer "de
pé" uma vez assentada a poeira.
Ho Chi Minh certa vez disse a um francês: "Você pode matar dez
dos meus homens para cada que eu mate dos seus, mas mesmo com esta vantagem
você perderá e eu vencerei". Isto é exactamente porque
o Irão finalmente prevalecerá, talvez a um enorme custo (Amaleque
[2]
deve ser destruído, não é), mas ainda assim será
uma vitória
Agora vamos examinar os dois tipos de cenários de guerra mais
básicos: fora do Irão e dentro do Irão.
Os iranianos, incluindo o próprio general Soleimani, declararam
publicamente muitas vezes que ao tentar cercar o Irão e o Médio
Oriente com numerosas forças de instalações os EUA deram
ao Irão uma longa lista de alvos proveitosos. O campo de batalha mais
óbvio para uma guerra por procuração
(proxy war)
é claramente o Iraque onde há uma grande quantidade de
forças pró e anti iranianas que dão
condições para um conflito longo, sangrento e arrastado (Moqtada
al-Sadr acaba de declarar que o Exército Mahdi será remobiizado).
Mas o Iraque está longe de ser o único lugar onde pode se
verificar uma explosão de violência: a TOTALIDADE DO MÉDIO
ORIENTE está bem dentro do "alcance" iraniano, seja por ataque
directo ou através de ataque por forças
simpáticas/aliadas. A seguir ao Iraque há também o
Afeganistão e, potencialmente, o Paquistão. Em termos de escolha
de instrumentos, as opções iranianas vão desde ataques de
mísseis, até a acção directa de forças
especiais, à sabotagem e muitas outras mais. A única
limitação aqui é a imaginação dos iranianos
e, acreditem-me, eles têm muita!
Se uma tal retaliação acontecer, os EUA terão duas
opções básicas: atacar amigos e aliados do Irão
fora do Irão ou, como Esper agora sugeriu, atacar o interior do
Irão. Neste último caso, podemos seguramente assumir que qualquer
de tais ataques resultará numa retaliação iraniana
maciça às forças e instalações dos EUA por
toda a região e num encerramento do Estreito de Ormuz.
Manter em mente que o slogan neocon "meninos vão para Bagdad,
homens de verdade vão para Teerão", implicitamente reconhece
o facto de que uma guerra contra o Irão seria qualitativamente (e mesmo
quantitativamente) uma guerra diferente do que uma guerra contra o Iraque. E,
isto é verdade, se os EUA planeiam seriamente atacar dentro do
Irão eles seriam confrontados com uma explosão que faria todas as
guerras desde a II Guerra Mundial parecerem comparativamente menores. Mas a
tentação de provar ao mundo que Trump e seus apaniguados
são "homens de verdade", em oposição a
"meninos", pode ser demasiado forte, especialmente para um presidente
que não entende que é uma ferramenta descartável nas
mãos dos Neocons.
Agora, vamos examinar rapidamente o que NÃO acontecerá
A Rússia e/ou a China não ficarão envolvidas militarmente.
Nem tão pouco os EUA utilizarão esta crise como um pretexto para
atacar a Rússia e/ou a China. O Pentágono claramente não
tem estômago para uma guerra (convencional ou nuclear) contra a
Rússia e nem a Rússia tem qualquer desejo de uma guerra contra os
EUA. O mesmo se passa com a China. Contudo, é importante recordar que a
Rússia e a China têm outras opções, políticas
e encobertas, para realmente ferirem os EUA e ajudarem o Irão. Há
o Conselho de Segurança da ONU onde a Rússia e a China
bloquearão qualquer resolução condenando o Irão.
Sim, eu sei, o Tio Shmuel pouco se importa com a ONU ou o direito
internacional, mas a maior parte do resto do mundo importa-se muito. Esta
assimetria é mais uma vez exacerbada pelo tempo de atenção
do Tio Shmuel (semanas no máximo) com a Rússia e a China
(décadas). Isso importa?
Absolutamente.
Se os iraquianos declararem oficialmente que os EUA são uma força
de ocupação (o que é verdade), uma força de
ocupação que se empenha em actos de guerra contra o Iraque (o que
é verdade) e que o povo iraquiano quer que o Tio Shmuel e seu discurso
hipócrita acerca de "democracia" sejam empacotados e
desapareçam, o que pode fazer o nosso Tio Shmuel? Ele tentará
resistir, naturalmente, mas uma vez desaparecida a minúscula folha de
figueira da "construção da nação",
substituída por ainda outra ocupação feia e brutal dos
EUA, a pressão política sobre os EUA para que dêem o fora
será extremamente difícil de administrar, tanto dentro como fora
dos EUA.
De facto, a
televisão do estado iraniano
classificou a ordem de Trump para mater Soleimani como "o maior erro de
cálculo dos EUA" desde a II Guerra Mundial. "O povo da
região não permitirá mais a permanência dos
americanos", disse.
A seguir, tanto a Rússia como a China podem ajudar o Irão
militarmente com inteligência, sistemas de armas, conselheiros e
economicamente, de modos aberto e encoberto.
Finalmente, tanto a Rússia como a China têm os meios para,
diremos, "sugerir fortemente" outros alvos estado-unidenses na
"lista de países a atingir" pois agora será o momento
perfeito para atacar os interesses dos EUA (por exemplo, no Extremo Oriente).
Assim, a Rússia e a China poderão e ajudarão, mas
farão isto do modo que a CIA gosta de chamar "negabilidade
plausível".
Retorno à Grande Questão: o que pode/fará o Irão a
seguir?
Os iranianos são jogadores muito mais refinados do que a maior parte dos
americanos despistados. Assim, a primeira coisa que eu sugeriria é ser
improvável que os iranianos façam algo que os EUA esperem que
façam. Ou farão alguma coisa totalmente diferente, ou
actuarão muito mais tarde, uma vez que os EUA tenham baixado sua guarda
(como sempre acontece depois de declararem "vitória").
Perguntei a um amigo bem informado se ainda era possível evitar a
guerra. Aqui está o que ele respondeu:
"Sim, acredito que uma guerra em plena escala possa ser evitada. Acredito
que o Irão pode tentar usar a sua influência política para
unir forças política iraquianas para pedirem oficialmente a
remoção de tropas estado-unidenses do Iraque. Chutar os EUA para
fora do Iraque significará que eles não poderão mais
ocupar o leste da Síria uma vez que as suas tropas ficarão em
perigo entre dois estados hostis. Se os americanos abandonarem a Síria e
o Iraque isso constituirá a vingança final para o Irão sem
ter disparado um único tiro".
Tenho de dizer que concordo com esta ideia: uma das coisas mais penosas que o
Irão poderia fazer a seguir seria utilizar este evento fantasticamente
temerário para chutar os EUA para fora do Iraque em primeiro lugar e da
Síria a seguir. Tal opção, se puder ser exercida, pode
também proteger vidas iranianas e a sociedade iraniana de um ataque
directo dos EUA. Finalmente, uma tal resultante daria ao assassínio do
general Soleimani um significado muito diferente e belo: o sangue deste
mártir libertou o Médio Oriente!
Finalmente, se esta for realmente a estratégia escolhida pelo
Irão, isto não significa que ao nível táctico os
iranianos não extraiam um preço das forças dos EUA na
região ou mesmo algures no planeta. Exemplo: há alguns rumores de
que a destruição do PanAm 103 sobre a Escócia não
foi uma acção líbia, mas sim iraniana em
retaliação directa pelo derrube deliberado pela US Navy do Airbus
IranAir 655 sobre o Golfo Pérsico.
Não
estou a dizer que sei isto como um facto realmente acontecido, digo apenas que
o Irão tem opções retaliatórias não
limitadas ao Médio Oriente.
Conclusão: aguardemos o próximo movimento do Irão
Está previsto que o Parlamento iraquiano debata uma
resolução pedindo a retirada das forças estado-unidenses
do Iraque. Apenas digo que apesar de não acreditar que os EUA
cavalheirescamente concordem com tais pedidos, isto colocará o conflito
no âmago político. Isto é por
definição muito mais desejável do que qualquer
forma de violência, por mais justificada que ela possa parecer. Assim,
sugiro fortemente àqueles que querem a paz que rezem para que os
deputados iraquianos mostrem alguma honra e espinha dorsal e digam ao Tio
Shmuel o que todo país sempre quis dos EUA: Yankees, go home!
Se isto acontecer será uma vitória total para o Irão e
mais uma derrota abjecta (auto-derrota, realmente) do Tio Shmuel. Este é
o melhor de todos os cenários possíveis.
Mas se isto não acontecer, então todas as apostas serão
canceladas e o impulso desencadeado por este último acto de terrorismo
dos EUA resultará em muito mais mortes.
Neste exacto momento (19:24 UTC), ainda penso que há aproximadamente 80%
de probabilidade de uma guerra em grande escala no Médio Oriente e, mais
uma vez, deixarei 20% para "acontecimentos inesperados" (espero que
sejam bons).
03/Janeiro/2020
PS: este é um texto escrito sob grande pressão de tempo e
não foi editado para eliminar gralhas ou outros erros. Peço aos
auto-nomeados Gestapo da gramática para tomarem um descanso e não
protestarem outra vez. Obrigado.
[1] Shmuel: Samuel, em hebraico.
[2] Amaleque: Filho de Elifaz e neto de Esaú (Bíblia); antiga
tribo nómada descendente de Amaleque que habitava as terras de
Canaã em tempos bíblicos.
Ver também:
35 ‘vital US & Israeli targets’ within Iran’s reach for potential REVENGE for General Soleimani’s death senior IRGC commander
Irán recuerda papel de Soleimani en salvar vidas de estadounidenses
Os EUA dão o pontapé inicial nos loucos anos 20 declarando guerra ao Irã
O original encontra-se em
thesaker.is/soleimani-murder-what-could-happen-next/
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