A Cimeira de Teerão do Movimento dos Não Alinhados
por Mahdi Darius Nazemroaya
[*]
A cimeira do Movimento dos Não Alinhados (MNA) será efectuada em
Teerão de 26 a 31 de Agosto. O MNA e sua cimeira são sobretudo
ignorados no mundo atlantista dos Estados Unidos e da NATO, mas a
reunião deste ano chamou a atenção dos mesmos e da sua
imprensa. A razão é que o local da cimeira do MNA inquietou a
elite política em Washington, DC.
O governo dos EUA ficou com as suas penas eriçadas e até perdeu a
compostura para ralhar aos líderes do MNA por se reunirem no
Irão. A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland
a esposa do co-fundador neocon do Project for the New American Century
(PNAC), o arqui-imperialista Robert Kagan pediu ao novo presidente do
Egipto, Mohamed Morsi, e mesmo ao secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, o
próprio comissário de bordo de Washington nas
Nações Unidas, para não viajarem a Teerão. Nuland e
o Departamento de Estado declararam amargamente que o Irão não
está a merecer tais "presenças de alto nível".
Os EUA, contudo, são forçados a aguentar de cara alegre a
reunião de líderes mundiais em Teerão.
O que se verificará é um acto espectacular a nível
internacional, sem a NATO e os seus membros chave de facto
Austrália, Japão, Nova Zelândia e Coreia do Sul na
Ásia-Pacífico e sem Israel. Responsáveis africanos,
asiáticos, caribenhos e latino-americanos estarão ali sem
diluição. Os chineses, que têm o estatuto de observadores
no MAN, estarão ali. Os russos, que não fazem parte do MAN, foram
convidados como hóspedes especiais do Irão e serão
representados por Konstantin Shuvalov, embaixador russo itinerante e enviado de
Vladimir Putin. Mesmo a Turquia, não membro do NAM, recebeu um convite
de Teerão. Para ajudar os palestinos, ao Hamas também será
dada um assento especial na mesa de acordo com um convite enviado do
Irão ao primeiro-ministro palestino Ismail Haniyeh para participar na
cimeira lado a lado com o fantoche estadunidense-israelense Mahmoud Abbas.
Juntamente com a Federação Russa, a maior parte dos membros da
Comunidade de Estados Independentes (CEI) comparecerá ou como membros
plenos ou como observadores. Ao lado dos chineses e russos, os outros
três membros do grupo dos BRICs Brasil, Índia e
África do Sul que está a tornar-se o novo motor que molda
o mundo, também estarão presentes.
Um golpe contra o ocidente?
A reunião de líderes do MAN será sem dúvida um
evento importante para o prestígio e o status internacional do
Irão. Durante quase uma semana Teerão será um centro chave
do mundo, ao lado dos escritórios da ONU em Nova York e Genebra.
Não só o Irão será o ponto de encontra para um dos
maiores encontros de líderes mundiais como também será
entregue a presidência da organização à grande
potência árabe, o Egipto. O Irão manterá esta
posição como o líder do MNA durante os próximos
poucos anos e será capaz de falar em nome da organização
internacional. Até um certo grau esta posição
permitirá a Teerão ter mais influência nos assuntos
mundiais. Pelo menos esta é a visão em Teerão onde nada do
significado do MNA foi perdido para os políticos e responsáveis
iranianos que um após o outro destacam a importância da cimeira do
MNA para o seu país.
O MNA é a segunda maior organização internacional do
mundo, após as Nações Unidas. Com 120 membros plenos e 17
membros observadores, inclui a maior parte dos países e governos do
mundo. Cerca de dois terços dos estados membros da ONU são
membros plenos do MNA. A União Africana, a Organização de
Solidariedade do Povo Afro-Asiático, a Commonwealth de
Nações, o Movimento Independentista Nacional
Hostosiano
, a Frente de Libertação Socialista Nacional Kanak, a Liga
Árabe, a Organização de Cooperação
Islâmica, o South Center, as Nações Unidas e o Conselho
Mundial da Paz também são observadores.
Os EUA e a NATO, que muito generosa e enganosamente utilizam a expressão
"comunidade internacional" quando se referem a si próprios
são realmente uma minoria global que se eclipsa em
comparação com o agrupamento internacional formado pelo MNA.
Quaisquer acordos ou consensos do MNA representam não só o grosso
da comunidade internacional como também a maioria internacional
não imperialista ou aqueles países que tradicionalmente têm
sido encarados como os "pobres". Ao contrário da ONU, a
"maioria silenciosa" terá a sua voz ouvida com pouca
adulteração e perversão dos confederados do
NATOstão.
A reunião do MNA em Teerão significa um evento importante.
Demonstra que o Irão na verdade não está isolado
internacionalmente como as imagens que os Estados Unidos e grandes
potências da União Europeia, tais como o Reino Unido e a
França, gostam de projectar continuamente. Os media atlantistas
estão embaralhados para explicar esta situação e os
israelenses estão claramente inquietos.
Não há dúvida de que o Irão utilizará a
reunião internacional em seu benefício e aproveitará o MNA
para reforçar o apoio às suas posições
internacionais e para ajudar a tentar finalizar a crise na Síria. O
assédio à Síria apoiado pelos EUA será denunciado
na conferência do MNA e bofetadas diplomáticas serão dadas
nos EUA e seus clientes e satélites. Já a apressada
conferência ministerial acerca dos combates na Síria organizada em
Teerão pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano
antes da cimeira de emergência efectuada pela Organização
de Cooperação Islâmica em Meca foi um prelúdio para
o apoio diplomático que o Irão dará à
República Árabe Síria na cimeira de 2012 do MNA.
Apesar da oposição argelina e iraniana, a Síria foi
expulsa da Organização de Cooperação Islâmica
(OCI) a pedido da Arábia Saudita e das petro-monarquias. Se bem que a
cimeira de emergência da OCI em Meca pode ter sido uma bofetada
política e diplomática para Damasco, espera-se que a
situação seja muito diferente na cimeira do MNA em Teerão.
Os sírios também estarão presentes em Teerão e
aptos a enfrentar seus antagonistas árabes da petro-monarquias do Golfo
Pérsico.
(...)
26/Agosto/2012
[*]
Analista geopolítico, autor de The Globalization of NATO (Clarity Press)
e de The War on Libya and the Re-Colonization of Africa, colaborador de
http://www.presstv.ir/
O original encontra-se em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=32501
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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