Fome é o preço que os gregos pagarão para permanecerem na
UE
por Paul Craig Roberts
O Syriza, o novo governo grego que pretendeu resgatar a Grécia da
austeridade, chegou a um fracasso. O governo confiou na boa vontade dos seus
"parceiros" da UE, só para descobrir que estes
"parceiros" não tinham boa vontade. O governo grego não
entendeu que a única preocupação era o resultado
líquido, ou lucro, daqueles que possuem a dívida grega.
O povo grego está a olhar para outro lado tal como o seu governo. A
maioria dos gregos quer permanecer na UE apesar de isto significar que suas
pensões, seus salários, seus serviços sociais e suas
oportunidades de emprego serão reduzidas. Aparentemente, para os gregos
compensa serem enterrados para fazerem parte da Europa.
A alegada "crise grega" não faz qualquer sentido. É
óbvio que a Grécia, com a sua economia arruinada, não pode
reembolsar as dívidas que o Goldman Sachs escondeu e a seguir
capitalizou com a informação privilegiada que dispunha, ajudando
a provocar a crise. Se a solvência dos possuidores da dívida
grega, aparentemente hedge funds de Nova York e bancos alemães e
holandeses, dependesse de serem reembolsados, o Banco Central Europeu podia
simplesmente seguir o exemplo do Federal Reserve e imprimir o dinheiro para
assegurar a dívida grega. O BCE já está a imprimir 60 mil
milhões de euros por mês para salvar o sistema financeiro europeu,
então por que não incluir a Grécia?
Um conservador pode dizer que tal rota de acção provocaria
inflação, mas não provocou. O Fed esteve a criar moeda
durante sete anos e, segundo o governo, não há
inflação. Nós temos mesmo taxas de juro negativas
comprovando a ausência de inflação. Por que criar dinheiro
para a Grécia cria inflação mas não para o Goldman
Sachs, Citibank e JP Morgan Chase?
Obviamente, o mundo ocidental não quer ajudar a Grécia. O
Ocidente quer saquear a Grécia. O acordo é de que a Grécia
obtenha novos empréstimos com os quais reembolsar empréstimos
existentes em troca da venda de companhias municipais de água a
investidores privados (as tarifas de água subirão para o povo
grego), da venda da lotaria estatal a investidores privados (as receitas do
governo cairão, tornando portanto o reembolso da dívida mais
difícil) e de outras "privatizações" tais como
vender as protegidas ilhas grega a promotores imobiliários.
Isto é um bom negócio para toda a gente, excepto a Grécia.
Se o governo grego tivesse algum senso, ele simplesmente incumpriria. Isso
tornaria a Grécia livre de dívida. Com apenas algumas palavras, a
Grécia pode passar de um país pesadamente endividado para um
país livre de dívida.
A Grécia poderia então financiar suas próprias
emissões de títulos e, se precisasse de crédito externo,
poderia aceitar a oferta russa.
Na verdade, se os governos russo e chinês tivessem algum senso, eles
pagariam à Grécia para incumprir e para abandonar a UE e a NATO.
O desmoronar do império de Washington começaria e a ameaça
de guerra que a Rússia e a China enfrentam afastar-se-ia. Os russos e
chineses poupariam muito mais com o salvamento da Grécia do que lhes
custariam desnecessários preparativos de guerra.
16/Junho/2015
O original encontra-se em
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