A classe operária e as camadas populares precisam de um Partido
Comunista forte
por Dimitris Koutsoumpas
[*]
Caros Camaradas:
É um enorme prazer estar aqui convosco, no 2º Congresso do vosso
partido. Queremos saudar os comunistas de Itália que não
renunciaram à luta pelos direitos da classe operária e das
restantes camadas populares, à luta pelo derrube da barbárie
capitalista, pela construção de uma sociedade sem a
exploração do homem pelo homem, pelo socialismo-comunismo.
Caros Camaradas, os nossos partidos estão a travar esta luta em
comum, tanto através do desenvolvimento das relações
bilaterais, como através da nova forma de cooperação
regional dos partidos comunistas da Europa, a "Iniciativa Comunista".
O nosso objectivo é fortalecer a luta contra a União Europeia e
ao mesmo tempo, através das lutas dos trabalhadores, promover a
única solução alternativa favorável ao povo, a
Europa da paz, do progresso, do socialismo.
Camaradas:
A Itália, a classe operária de Itália, os sectores
populares, os jovens necessitam de um Partido Comunista forte. Um partido com
uma estratégia revolucionária, com laços fortes com a
classe operária. Necessitam de um partido baseado nos princípios
do marxismo-leninismo, que terá um papel principal na
organização da luta dos trabalhadores e inspirará a ideia
da nova sociedade socialista. O socialismo não é um capricho dos
comunistas, é a única maneira de sair da crise e dos outros
impasses sociais da sociedade capitalista. É a única garantia de
desenvolvimento das forças produtivas favorável e de acordo com
os interesses operários e populares. Só o socialismo pode
garantir a soberania popular, o crescimento auto-suficiente e ao mesmo tempo a
cooperação em benefício mútuo e a solidariedade
entre os povos.
Sabemos que tanto a contra-revolução na União
Soviética como nos demais países socialistas, como o
eurocomunismo nas décadas anteriores prejudicaram o movimento comunista,
não só em Itália e no resto da Europa, mas também a
nível internacional. Semearam a decepção, a
desmobilização entre os trabalhadores. Promoveram ilusões
sem saída de que a solução supostamente se pode encontrar
dentro do "quadro" do capitalismo, através de governos de
"esquerda" e "patrióticos", através de uma
gestão melhor e mais "justa" do capitalismo.
No entanto, hoje em dia, mais de vinte anos após a
restauração do capitalismo nos antigos países socialistas,
durante os quais os povos experimentaram soluções de
gestão do sistema tanto da "direita" como da
"esquerda", coloca-se a necessidade da promoção da
visão socialista. O KKE estuda a experiência histórica,
não só a sua mas também a do movimento comunista
internacional, a da construção que conhecemos do socialismo no
século passado. Chegámos a conclusões básicas sobre
as causas do retrocesso do movimento comunista, da restauração do
capitalismo nos países socialistas da Europa Oriental e Central.
Aprendemos com a experiência negativa e com a positiva, para inspirar de
novo a classe operária com a visão da sua
libertação social, para impulsionar a luta de classes, a luta
ideológica e a política de classe por uma nova sociedade
socialista. Além disso, este rumo é a base para importantes
conclusões sobre os erros e as deficiências que actualizam e
enriquecem a nossa percepção sobre o socialismo, a sua
actualidade e necessidade.
Hoje em dia, as forças do oportunismo pretendem envolver os
trabalhadores na linha da "humanização" do capitalismo,
por isso é de grande importância histórica defender com
firmeza e tenacidade tanto as conquistas da Revolução de Outubro,
como a contribuição dos países socialistas, apesar da
crítica a deficiências e desvios. Devemos defender a
contribuição dos partidos comunistas, do movimento comunista
internacional, a necessidade de derrubar o apodrecido e corrupto sistema
capitalista. Esta é uma tarefa que deve atravessar de forma unificada as
lutas diárias pelos interesses operários e populares, pelos
problemas quotidianos dos nossos povos.
Esta tarefa, de organizar a luta dos trabalhadores, de avivar os ideais
socialistas-comunistas no nosso continente e mais além, não pode
avançar sem o confronto ideológico e político e o
desmascaramento do papel do chamado "Partido da Esquerda Europeia"
(PEE), que assumiu o papel do "porta-voz de esquerda" na União
Europeia, e inclusive na campanha anticomunista. O papel dos oportunistas e da
formação que criaram ao nível da Europa é
duplamente perigoso porque semeia entre os trabalhadores a ilusão de
que, supostamente, pode haver uma União Europeia favorável ao
povo, bem como uma gestão correspondente do sistema capitalista em cada
país, deixando intactos o poder dos monopólios e da propriedade
capitalista nos meios concentrados de produção. No nosso
país estes pontos de vista são promovidos pelo partido SYRIZA.
Permitam-me que lhes diga que as forças do PEE que em Itália
apresentam o SYRIZA como um "exemplo" e como uma força que
serve os interesses populares estão a esconder a verdade. O SYRIZA
é uma força para a integração no capitalismo e
não para o seu derrube. Aspira a converter-se na nova
organização social-democrata do sistema bipolar burguês na
Grécia, absorvendo a parte mais apodrecida do velho PASOK, que governou
a Grécia durante muitas décadas e é responsável por
muitos dos imensos problemas acumulados, bem como pela situação e
a degeneração do movimento operário. Na realidade, apesar
do foguetório e da fraseologia de esquerda, o SYRIZA está na
direcção oposta à linha de ruptura com as
organizações imperialistas, os monopólios e o capitalismo.
Camaradas:
O KKE celebrou recentemente os seus 95 anos de história, durante os
quais travou duras lutas e fomentou laços de sangue com a classe
operária e as restantes camadas populares do nosso país. Hoje em
dia continua na vanguarda da luta operária em cada problema que afecta
os trabalhadores, os camponeses pobres, os empregados, os trabalhadores
autónomos, a juventude e as mulheres das camadas populares. O KKE
desempenha um papel principal na luta contra a criminosa
organização nazi Aurora Dourada, para que seja isolado nos locais
de trabalho, nas escolas e nas universidades, para que não envenene a
juventude com os seus sermões fascistas.
No recente 19º Congresso do nosso partido aprovámos por unanimidade
a Resolução Política, o novo Programa e os novos
Estatutos, reafirmando a unidade ideológica-política do Partido.
Nos documentos do 19º Congresso, o KKE clarifica que, hoje em dia, na
Grécia, nas condições de capitalismo monopolista, existem
condições materiais objectivas para a construção da
sociedade socialista-comunista. A revolução iminente na
Grécia será socialista. O nosso Partido avalia, tal como fazia no
programa anterior, que não existem etapas intermédias entre o
capitalismo e o socialismo, que não existem poderes intermédios.
A luta de classes, a linha da luta revolucionária levará ao poder
operário popular ou de outra maneira, com outra linha e etapas
intermédias será derrotada e assimilada, dará ânimo
ao sistema para a longevidade do capitalismo. Propomos à classe
operária, aos sectores populares pobres, aos trabalhadores
autónomos e aos camponeses, à juventude, às mulheres das
famílias populares a construção da Aliança Popular
das forças sociais que têm interesse em lutar na
direcção anti-monopolista, anti-capitalista, tendo como consignas
básicas a socialização dos monopólios e a
cooperativa da produção básica, o cancelamento unilateral
da dívida, a não participação em
intervenções político-militares, em guerras, a retirada da
União Europeia e da NATO, com o poder operário e popular.
O KKE actua na direcção da preparação do factor
subjectivo na perspectiva da revolução socialista, ainda que o
período da sua manifestação seja determinado por
condições objectivas, pela situação
revolucionária. Trabalhamos para que o KKE tenha bases sólidas na
classe operária, para que o KKE seja capaz de cumprir com as suas
tarefas em cada guinada repentina da luta de classes, para que seja um partido
que actue sob todas as circunstâncias. Isto não significa que nos
distraiamos da realidade, da luta e da reivindicação nos graves
problemas dos trabalhadores, dos desempregados, dos jovens, dos reformados
pobres, dos locais de habitação populares que sofrem, que
não têm com que pagar os medicamentos, que não têm
que comer, que estão em perigo de execuções
hipotecárias. Estamos na vanguarda das lutas, nas
mobilizações com intervenções no Parlamento para a
satisfação de necessidades básicas do nosso povo, para
aliviar os oprimidos.
Ao mesmo tempo, pretendemos reconstruir numa base de classe o movimento
operário e apoiamos a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME)
e a aliança com os restantes agrupamentos anti-monopolistas dos pequenos
comerciantes (PASEVE), do campesinato pobre (PASY), dos estudantes (MAS), das
mulheres (OGE). Consideramos que a construção da Aliança
Popular, que terá bases sociais (e não será uma
fusão política a partir de cima), é hoje
necessária. É uma aliança social que lutará por
todos os problemas populares, pelos salários, as pensões, a
saúde, a educação, a segurança social
pública, por atenuar a situação dos desempregados, etc., e
terá um claro carácter anti-monopolista e anti-capitalista. Esta
aliança social, em condições de situação
revolucionária, pode converter-se numa frente operário-popular
revolucionária; criar-se-ão órgãos de poder
operário-popular, colocar-se-á a questão do poder para o
povo, a classe operária, para que se convertam em protagonistas dos
acontecimentos.
Caros camaradas:
Nas actuais condições destaca-se a necessidade principal de
reagrupamento revolucionário do movimento comunista internacional,
actualmente numa crise ideológica, política e organizativa.
A partir desta avaliação, o KKE apoia não só os
encontros internacionais e regionais dos partidos comunistas, mas também
a ideia do surgimento de um "pólo comunista" no movimento
comunista internacional, formado pelos partidos comunistas que permanecem
fiéis ao Marxismo-leninismo, ao internacionalismo proletário,
defendem a experiência positiva do socialismo que conhecemos, estudam os
acontecimentos contemporâneos e pretendem desenvolver uma
estratégia revolucionária que reconheça a actualidade e a
necessidade do socialismo.
Com estas reflexões desejamos êxito ao vosso Congresso!
Viva o Marxismo-leninismo e o internacionalismo proletário!
Viva a amizade entre o KKE e o Partido Comunista da Itália!
[*]
Secretário-geral do CC do KK. Saudação ao 2º
Congresso do Partido Comunista da Itália, em Roma. O discurso, pronunciado em
italiano, encontra-se
aqui
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A versão em inglês encontra-se em
es.kke.gr/
Este discurso encontra-se em
http://resistir.info/
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