A cólera quando conduzida ao longo de caminhos militantes sempre
proporciona algo melhor
por KKE
O processo fraudulento dos mandatos exploratórios para a
formação de um governo perdura há uma semana. Um processo
no qual uma série de enganos e dilemas intimidatórios esteve a
regurgitar, tal como "direita-esquerda",
"memorando-anti-memorando", "euro-dracma",
"austeridade-desenvolvimento". No domingo 13 de Maio, após a
conclusão do processo dos mandatos exploratórios dos três
primeiros partidos para a formação de um governo, o Presidente da
República começou o processo de encontros com os líderes
políticos. Após a sua reunião com o Presidente da
República, a secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, fez a
seguinte declaração:
"Seja qual for o governo que saia antes ou após as
eleições e na nossa opinião estamos a
encaminhar-nos para eleições não abolirá o
memorando ou o acordo de empréstimo e nem tão pouco
erradicará as consequências destas coisas. Uma lufada de vento
está a varrer a Europa, como disse ao Presidente da República,
mas por enquanto este vento não tem qualquer substância. Quaisquer
que sejam a emendas a serem feitas [ao memorando] nada farão para
melhorar a vida do povo.
No próximo parlamento poremos em cima da mesa um projecto de lei que
colocará de modo muito específico a abolição e
derrube do acordo de empréstimo e do memorando e os partidos
terão de tomar uma posição. Afinal de contas, uma
decisão do Parlamento, uma maioria, se ela existir, seria muito mais
importante do que algumas cartas que tenham sido enviadas ou cujo envio tenha
sido pedido. E contudo eles querem impô-las, mas estas cartas são
dúbias. Elas podem ser interpretadas de muitas maneiras. Mas uma
decisão, uma lei aprovada no parlamento grego, seria algo muito
específico.
Estamos a centrar a nossa atenção na cólera e
indignação justificadas do povo de modo a que não se
transforme em desencanto, através de falsas esperanças e
ilusões. O desencanto certamente levará o povo ao compromisso, ao
recuo e à derrota. A cólera quando conduzida ao longo de caminhos
militantes sempre rende algo melhor.
Finalmente consideramos a situação de hoje que não
pode ser mudada radicalmente no imediato (mas naturalmente mudará no
futuro) pois o povo não pode ter o seu próprio governo, um
governo que abolisse o memorando, o acordo de empréstimo, as
consequências destas coisas, um governo que resolvesse os seus problemas
apresenta uma oportunidade para o povo. Esta oportunidade consiste em
fortalecer o KKE, fazer frente conjunta nas lutas, de modo a que possamos
rejeitar medidas e lutar para melhorar a situação. Amanhã
no comício diremos um bocado mais acerca disto".
Recusará, sra. Papariga, participar no governo após as
próximas eleições se um dos partidos com cadeiras
suficientes o propuser?
"Temos respondido a esta pergunta muitas vezes. Mas uma vez que me deu a
oportunidade direi isto: Os mandatos exploratórios na nossa
opinião mostraram-nos algo, apesar do teatro e da irresponsabilidade em
relação ao povo grego. Um partido pôs sobre a mesa cinco
pontos, outro pôs nove e outro ainda traçou duas linhas na areia,
um outro quatro. Ouça: Quando um governo é constituído,
seja por um ano ou por quatro anos, ele deve tratar de tudo. O governo
Papademos tinha de tratar de questões de emergência. Por exemplo,
temos uma cimeira da NATO. Em nome da constituição de um
"governo de coligação", estas coisas não podem
ser encobertas. Os partidos, especialmente aqueles que procuram formar um
governo, não podem colocar 5, 6 ou 7 questões como um programa
mínimo. O que é um programa mínimo? Quando se governa
é preciso tratar todas as questões. Um exemplo: Eles nada dizem
em relação à cimeira da NATO. Um deles fala exclusivamente
acerca do nome do
FYROM
. Mas a cimeira da NATO tratará das operações militares
desta suja aliança imperialista. Será que posso realmente olhar
para a cimeira da NATO centrando-me apenas na questão do FYROM?
Eles estão ludibriando o povo grego porque colocam questões
seleccionadas questões escolhidas para fazer com que as pessoas
se sintam felizes e esperançosas. Se fizéssemos uma proposta de
participação e cooperação no governo
colocaríamos todas as questões. Naturalmente, quando se formula
uma proposta de cooperação, podem-se fazer concessões
mútuas, mas colocam-se todas as questões sobre a mesa as
questões que se sabe terem de ser enfrentadas no primeiro, segundo,
terceiro e quarto ano de governo.
O modo como os mandatos exploratórios foram utilizados foi apenas um
show destinado a ludibriar o povo. E gostaria de recordá-lo termos dito
que não aproveitaríamos o mandato exploratório se fossemos
o terceiro partido, deixámos isso claro. Naturalmente se o
tivéssemos recebido o teríamos imediatamente devolvido ao
Presidente da República. Por que? Quando se participa nos processos dos
mandatos exploratórios, há que formular uma proposta, todos
teriam de nos dizer não e então teríamos de dizer
"vocês são todos culpados porque não concordaram
connosco".
E o povo grego deve entender que isto é uma zombaria e uma farsa".
Está a referir-se ao sr. Tsipras?
"A todos eles".
14/Maio/2012
O original encontra-se em
http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-05-14-synantisi-papoylia/
Este comunicado encontra-se em
http://resistir.info/
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