Governo de "esquerda plural":
Uma perspectiva perigosa para o povo grego
por KKE
O KKE continua a preparar a batalha eleitoral com iniciativas nos locais de
trabalho e comícios nos bairros operários.
Ao mesmo tempo, continua a sua acção para aliviar, para as
famílias operárias, o peso das medidas brutais que afectam todos
os trabalhadores.
Os comunistas desempenham um papel motor na organização das
greves, na organização dos trabalhadores nos seus sindicatos, dos
trabalhadores independentes no PASEVE, na organização do povo nos
seus bairros através dos Comités populares e dos Comités
de desempregados.
Neste sentido, em 6 de Abril o KKE propôs um projecto de lei para aliviar
o peso dos empréstimos que onera as camadas populares.
No dia 9 de Abril a secretária-geral do KKE apresentou este projecto de
lei numa conferência de imprensa. Ela a seguir discutiu com os
jornalistas acerca desta acção particular do KKE assim como da
evolução política geral.
Perguntada se havia lugar para uma cooperação do KKE com
forças oportunistas que se dizem de "esquerda" e com os
Verdes, na sequência da proposta hipócrita do SYRIZA para uma
candidatura comum nas circunscrições eleitorais que não
elegem senão um único deputado, a secretária-geral do KKE
salientou:
"As pessoas estão indignadas e decepcionadas. Nós vemos esta
indignação e decepção populares e é por esta
razão que não queremos contribuir para fazer inchar ou desinchar
o movimento. Na véspera de 1981, era forte a pressão sobre o KKE
para dar mais peso ao PASOK (o partido social-democrata). Pediram-nos para
votar pelo PASOK em várias circunscrições
também aí distritos com um único deputado a fim de
dar um voto de confiança ao PASOK. A decisão de apoiar o PASOK
era justa nessa altura? Ou não?
Quero dizer com isso que as pessoas estão conscientes dos problemas que
vivem, não têm necessidade que se lhes diga. Mas isso não
quer dizer que seja fácil para elas escolher livremente e sem
influência externa a melhor solução de um ponto de vista
objectivo. Pois a Nova Democracia (partido liberal) afirma que deve haver um
governo com um único partido ou o caos. Venizelos (vice-presidente da
coligação governamental actual, ministro das Finanças e
recém eleito presidente do PASOK) declara que esta política deve
ser prosseguida ou será a catástrofe.
Alguns no seio do povo acreditam nisso. Outros consideram que os seus problemas
poderão ser resolvidos por um governo que não tivesse o poder nas
suas mãos, um governo estaria apenas encarregado de uma missão de
governação (pois a questão do poder é determinada
pela propriedade das riquezas produzidas e pela abolição dos
aparelhos de Estado que têm uma natureza anti-popular) e fosse
constrangido a por em aplicação das orientações da
UE, não porque se trate de uma exigência imposta do exterior mas
porque desejariam pertencer a esta chamada grande família.
Nós sabemos muito que um tal governo não estaria em
condições de resolver absolutamente nada, quaisquer que fossem as
suas intenções o momento não está para
análise de intenções. Por esta razão, somos
constrangidos a alertar o povo sobre os seguintes elementos que não
podem ser passados por alto: só um governo que represente o poder
popular o que significa que vós vos apropriais das riquezas ou do
contrário serão os patrões e eles decidirão o que
será produzido e como só um governo deste tipo pode trazer
uma resposta, desde que ele repouse sobre uma organização popular
a partir da base e sobre a resposta nos lugares de trabalho, nos bairros e nos
campos.
Eu vos digo que mesmo o governo mais pró operário e pró
popular não pode fazer nada se não se apoiar sobre o levantamento
e a organização do povo. Pois o inimigo não se encontra
somente no Parlamento, o inimigo encontra-se principalmente no seio dos grandes
grupos económicos, da classe burguesa, etc.
E vocês sabem que os grandes grupos não pedem a voz do povo,
não concorrem aos escrutínios eleitorais, mesmo se alguns deles
participam nos partidos dominantes. Naturalmente, são os partidos, ND e
PASOK muito em particular, que vão implorar o voto do povo em seu nome.
Contudo, votar contra a ND e o PASOK não significa votar contra a classe
que representam.
Portanto, a proposta do SYRIZA não é senão uma
mudança de fachada. Esta fachada poderia ser melhor decorada, ter
ângulos mais arredondados mas, como governos do mesmo tipo em
França e antes na Itália o demonstram o resultado seria o
mesmo: estes governos serão inevitavelmente os instrumentos da
burguesia. E deverão necessariamente entrar em conflito com o povo.
Portanto, já desde o dia seguinte, este governo encontrar-se-á
face ao conjunto do espectro das reivindicações populares. Pode
ser fácil chegar ao poder, mas também pode ser muito fácil
ser expulso. E nós não queremos que o povo experimente a
desilusão, alimentando falsas esperanças sobre tais perspectivas.
Se houvesse um governo, um poder, que pudesse resolver os problemas actuais,
teríamos estado na primeira linha, apoiando-os e sacrificando-nos pela
causa.
Mas se é apenas a fachada que muda, enquanto o fundo permanece o mesmo,
não podemos enganar o povo. Sabemos que quanto mais as pessoas
estão engolfadas nos seus problemas mais procuram uma
solução, é normal. Mas estas soluções
não podem ser elaboradas a partir do topo e por coligações
eleitorais.
E duvido da honestidade desta proposta. Aquando das eleições
locais de 2011, o SYRIZA aliou-se à ND, o PASOK e o LAOS na Ikaria a fim
de impedir a eleição de um presidente comunista [Ikaria é
uma ilha no mar Egeu onde o KKE tem muitos votos devido ao facto de que no
passado os comunistas eram exilados nesta ilha. Aquando das
eleições de 2010, o candidato comunista obteve 43,9% e foi
derrotado pelo candidato apoiado por todas as outras forças
políticas]. Como se a situação da Grécia fosse
mudar totalmente. Portanto eles estavam todos juntos então. Por que o
SYRIZA coopera com eles nas federações sindicais a fim de impedir
a eleição de delegados comunistas? Por que eles apelam à
cooperação com o KKE unicamente para as eleições?
A versão em francês encontra-se em
solidarite-internationale-pcf.over-blog.net/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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