O desemprego aumenta inexoravelmente na Grécia
por Capitaine Martin
O desemprego aumenta novamente na Grécia e em Maio atingiu o
nível recorde de 23,1%. Um indicador em alta acentuada em
relação ao ano passado (quando os sem emprego representavam
"apenas" 16,8% da população activa). Recordemos que no
mês de Abril a taxa de desemprego era de 22,6%.
O número dos que procuram emprego aumentou portanto 6,3 pontos durante
os últimos 12 meses. Em Maio, segundo os números comunicado pelo
Instituto Nacional de Estatística da Grécia
, havia portanto
1.147.372 pessoas à procura de um trabalho, ou seja, 2,22% mais do que
em Abril... e 37,5% mais em relação a Maio de 2011. As categorias
mais afectadas são os jovens: 54,9% para a faixa dos 15-24 anos, 31,6%
para a dos 25-34 anos.
É claro que o mercado de trabalho grego sofre violentamente as medidas
de rigor absoluto impostas pelo governo, em troca das "ajudas"
concedidas pela União Europeia e o Fundo Monetário
Internacional... e da recessão sem precedentes que se seguiu.
Cerca de 1.200.000 desempregados. A amplitude da degradação do
mercado de trabalho surpreendeu Bruxelas, que se diz preocupado com esta
situação, nomeadamente em relação aos jovens.
Olivier Baily, um dos porta-vozes da Comissão Europeia, confirmou as
dificuldades com que a Grécia se depara: "a troika e as autoridades
gregas devem enfrentá-la, mas isto não é uma
surpresa", acrescenta com audácia, notando que a comissão
trabalhava nisso desde há vários meses graças ao envio de
um grupo de peritos encarregados de estudar as intervenções
destinada a combater o desemprego dos jovens.
Na realidade, a estratégias perseguidas pela Comunidade Europeia
têm poucos efeitos positivos, após os eternos cortes impostos ao
governo helénico pelo grupo de peritos da troika que visita
periodicamente a Grécia para avaliar as finanças do país e
conceder mais dinheiro... em contrapartida de um remédio de cavalo na
base da compressão dos salários e das pensões,
privatizações, fusões e concessões de organismos
públicos, inclusive com o despedimentos de empregados.
A causa do desemprego é a consequência directa da política
que o governo grego avança, seguindo o diktat imposto pela União
Europeia e o FMI, de modo que os trabalhadores e os reformados podem dentro em
breve esperar novos golpes duros. Com efeito, o governo grego insiste
actualmente em duas novas medidas de austeridade tendo em vista atingir nos
próximos dois anos o objectivo de 11,5 mil milhões de euros de
redução das despesas e isto em acordo com a União
Europeia. Estas medidas prevêem igualmente o aumento do número de
anos de contribuição para poder pretender a reforma e uma baixa
de 15% das pensões superiores a 700 euros mensais.
Mas retornemos às observações e declarações
feitas por Olivier Bailly: "naturalmente, os resultados desta
acção não se materializarão num dia ou num
mês". Seria com efeito ingénuo acreditar que um país
de desempregados e de indigentes possa reembolsar uma dívida.
Em contrapartida, outras pistas podem vir à baila. O Estado grego perde
a cada ano 20 mil milhões de euros devido à fraude fiscal, ou
seja, o equivalente do seu défice público dito abissal. Quem
frauda? Pode-se ter uma pequena ideia constatando que, em 2008, o rendimento
médio anual declarado ao fisco pelas profissões liberais era
apenas superior a 10 mil euros, o dos banqueiros e homens de negócios
pouco acima dos 13 mil euros! É curioso constatar que os peritos
europeus não investigaram neste sentido.
13/Agosto/2012
Ver também:
A Grécia nas garras do FMI/BCE/UE: Taxa de desemprego atinge os 16,2% !
, 13/Junho/2011
O original encontra-se em
www.resistance-politique.fr/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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